segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"EDUCAÇÃO É TERRÍVEL NO MUNDO TODO", DIZ PESQUISADOR DE TECNOLOGIA

"Educamos para um contexto que não existe mais", afirmou o especialista Marc Prensky

Mais do que mudar a forma como a tecnologia é usada na educação, a proposta de Marc Prensky é mudar toda a educação, pois ela é "terrível" em todos os lugares do mundo. O especialista em educação e tecnologia, convidado da Fundação Telefônica na Campus Party Brasil deste ano, explicou em palestra na noite desta terça-feira sobre como os "nativos digitais" precisam ter de seus professores.
O termo "nativos digitais" refere-se às pessoas que já nasceram na era digital, e se opõe aos "imigrantes digitais", ou aqueles que conheceram o mundo antes da internet. O palestrante americano mostrou uma foto sua em 1970, com um violão, e depois outra atual, com um tablet. Na sua percepção, os nativos digitais têm mais facilidade de adaptação.

"O mundo todo está em uma má situação em termos de educação", diz, "não são só países como o Brasil, só países em desenvolvimento". "E por que digo que a educação é terrível? Porque educamos para um contexto que não existe mais", afirmou, explicando que hoje em dia não se precisa de matemática, ciência e física como na época em que essas temáticas foram incluídas no currículo. "E ninguém ouve quando alguém diz, 'vamos fazer isso diferente'", completou.

Na visão de Prensky, o foco da educação deveria estar nos "verbos" e não nos "substantivos". "Questionamos se as crianças deveriam usar o PowerPoint, a Wikipédia em sala. Mas isso são 'substantivos'. O que realmente queremos é os 'verbos': apresentar, aprender, ler", explicou. "Os verbos não mudam, queremos os mesmos 'verbos' há mil anos", resumiu, citando pensamento crítico, lógica, criatividade. "E há muitos desses verbos, mas temos que nos perguntar: quais são os 'verbos'-chave? E só depois que soubermos disso, nos perguntamos quais 'substantivos' vamos usar", definiu.

Cérebro estendido
Para responder a essas perguntas, o especialista apresentou o conceito do cérebro estendido, uma soma do cérebro de cada um com as possibilidades oferecidas pela tecnologia. Para o pesquisador, o cérebro é bom em algumas atividades, mas pode se beneficiar das máquinas para, por exemplo, "lembrar tudo ou processar três milhões de dados". Em um dos slides, Prensky resumiu a ideia com uma citação de uma criança de 10 anos: "antigamente as pessoas precisavam saber de cor os números de telefone". 

A forma de lidar com esse cérebro estendido seria, pois, combinar as potencialidades das máquinas e dos cérebros. "E acho que é isso que vocês estão fazendo aqui. Vocês são as pessoas que vão criar a inovação", afirmou à audiência do palco principal do Anhembi Parque.

Para falar sobre suas ideias aplicadas à educação, o pesquisador citou um estudante que disse "a coisa mais inteligente que já ouviu": que professores entendem a tecnologia como ferramentas, enquanto estudantes a entendem como uma fundação, uma base que se estende sob o restante.

Trivial x poderoso
Prensky também falou de como vê a tecnologia envolvida na educação de duas formas, uma "trivial" e a outra "poderosa". "A primeira é fazer as mesmas coisas que sempre fizemos, em novas formas - sempre escrevemos, agora temos um blog ou usamos teclado. Eu chamo de trivial, não porque não é importante, mas porque já fazíamos antes. E há as coisas que não podíamos fazer, que chamo de poderosas", explicou citando chamadas de voz por IP, tweets, impressão 3D, inteligência artificial, jogos, simulações e robótica entre as formas "poderosas" de a tecnologia influenciar a educação. 

"Mas por mais que gostemos de tecnologia, é preciso lembrar que há coisas muito importantes na educação que a ela não faz", destacou, citando empatia, escolha e paixão. Para ele, essas são as coisas que o cérebro faz melhor, e que é nisso que os professores devem se focar, adaptando o 'como' ensinam.

E é preciso adaptar também, segundo Prensky, mudar o "o quê" se ensina. Ele defende que no novo modelo de educação os jovens sejam "nós da rede", que possam se conectar o máximo possível e que os professores orientem o percurso, fazendo, de acordo com o pesquisador, o que cada um faz melhor: os estudantes, se conectar e achar os conteúdos, e os professores, questionar, orientar e avaliar.

"Muito se diz que a escola precisa ensinar 'o básico' para as crianças, mas 'o básico' também está mudando", defendeu, apresentando sua proposta do que seria o novo "básico" da educação formal, que ele chamada de eTARA, sigla em inglês para o conjunto de pensamento, ação, relacionamento e conquista efetivos. Programar, na lista de Prensky, é parte de pensamento efetivo, assim como ética de relacionamento, e empreendedorismo de ação.

O pesquisador finalizou incentivando os empreendedores e geeks que o ouviam a criar aplicativos, programas e outras ferramentas para mudar a forma do ensino usando a tecnologia.

Campus Party Brasil 2013
A sexta edição da Campus Party Brasil, uma das maiores festas de inovação, tecnologia e cultura digital do mundo, acontece entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro no Anhembi Parque, em São Paulo. Na Arena do evento, 8 mil pessoas têm acesso à internet de alta velocidade e a mais de 500 horas de palestras, oficinas e workshops em 18 temáticas, que vão desde mídias sociais e empreendedorismo até robótica e biotecnologia. Cinco mil desses campuseiros passam a semana acampados no local. 

A 6ª edição traz ao Brasil nomes como o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros homens a pisar na Lua, e o fundador da Atari, Nolan Bushnell. Em sua sexta edição em São Paulo, a Campus Party também teve no ano passado a primeira edição em Recife (PE). O evento acontece ainda em países como Colômbia, Estados Unidos, México, Equador e Espanha, onde nasceu em 1997.

Nas edições brasileiras anteriores, o evento trouxe ao País nomes como Tim Berners-Lee, o criador da Web; Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers do mundo; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Steve Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Steve Jobs; e Kul Wadhwa, diretor-geral da fundação Wikimedia,que mantém a Wikipédia.

O Terra cobre o evento direto do Anhembi Parque e, além do canal especial Campus Party Brasil 2013, os internautas podem acompanhar as novidades pelo blog Direto da Campus. Para seguir a festa pelo Twitter, basta acompanhar a hashtag oficial do evento, #cpbr6. 

Fonte: Terra 
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AJUDE SEU FILHO A ENFRENTAR O FRIO NA BARRIGA DO PRIMEIRO DIA DE AULA

"Os adultos devem falar sobre esse caminho de crescimento, cheio de amigos, brincadeiras e professores que vão receber e acompanhar a todos", afirma Maria Irene Maluf

Cada fase da vida de uma criança tem seus encantos e suas dificuldades. Falar as primeiras palavras vem do esforço de balbuciar sílabas inicialmente sem sentido; os passos iniciais não são dados antes de alguns tombos. Passar a conviver com os colegas no ambiente escolar é outro desses desafios. Talvez o maior enfrentado pela criança até então, porque ela terá de se distanciar dos pais - o que pode parecer ruim e ameaçador.

A primeira providência dos pais deve ser conversar sobre o quanto essa etapa do desenvolvimento é positiva. "Os adultos devem falar sobre esse caminho de crescimento, cheio de amigos, brincadeiras e professores que vão receber e acompanhar a todos", declara Maria Irene Maluf, coordenadora do núcleo Sul/Sudeste da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia). As crianças que já estão na escola e, por algum motivo, têm de mudar de instituição, também merecem uma atenção especial. A situação pode gerar ansiedade, independentemente do motivo da troca.

"Seja qual for a razão, os pais devem tratar o assunto com a máxima sinceridade. Se foi por mudança de endereço, há um dado concreto, a dificuldade de deslocamento pode acarretar muita perda de tempo e chateação não somente para os adultos, mas também para a criança", fala a especialista em pedagogia educacional Beatriz Judith Lima Scoz. "Se foi por falta de adaptação ou insatisfação dos pais em relação à escola anterior, o filho também tem direito a uma explicação sobre os motivos da mudança e sobre os benefícios que poderá obter na nova escola", diz Beatriz.

Se o seu filho vai pela primeira vez para a escola...

- Não deixe para falar sobre o assunto apenas na véspera do início das aulas, vá preparando o terreno. "Aproveite oportunidades que vêm da própria curiosidade da criança, que ouve falar da experiência dos amigos e dos familiares", afirma Beatriz; 

- Explique que, além de ser uma oportunidade de aprendizado, é a chance de fazer novos amigos;

- Esteja bastante seguro de que o lugar escolhido é o melhor possível. Isso vai dar tranquilidade, principalmente para os adultos, e ajudar a baixar a ansiedade. Marque entrevistas com a diretora ou coordenadora, pergunte sobre a linha pedagógica, a metodologia de ensino, os sistemas de avaliação e as atividades em geral. Circule pelo espaço físico para verificar se ele é seguro e se oferece o que você espera: laboratórios, quadras de esportes e piscinas entre outras instalações. Se possível, entre em contato com outros pais de alunos da instituição para ouvir suas opiniões;

- Convide a criança a participar de todas as etapas que antecedem sua entrada na escola, opinando sobre o uniforme e a compra do material. Ela pode ajudar, ainda, a encapar e etiquetar livros e cadernos, assim, vai se sentir comprometida;

- Faça a adaptação da criança. É claro que ela ficará assustada se for deixada em um ambiente que desconhece logo no primeiro dia. Por isso, as escolas permitem um período de adaptação. Os pais –ou outra pessoa próxima– podem ir com o filho e ficar algumas horas a princípio. À medida que ele se sentir confortável, o tempo de permanência diminui. Muitas instituições contam ainda com programas flexíveis que antecedem o início oficial das aulas. "A frequência diária não é obrigatória, e o horário também não é fixo. A criança escolhe quanto tempo quer ficar, com ou sem a presença dos pais", fala Beatriz;

- Lide com a própria ansiedade. É impossível não se sentir ansioso, mas isso não deve transparecer como algo ruim para a criança. "Os pais devem aprender e aceitar que passos importantes são dados com ansiedade tolerável se estiverem bem preparados", declara o psicólogo Rogério Lerner, do Departamento de Psicologia da Aprendizagem do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP;

- Mais importante de tudo: retrate a escola como uma experiência desejável, positiva, importante e natural ao desenvolvimento de cada ser humano. "Os pais devem explicar, com carinho, o que se faz na escola, se possível falando de como foi sua própria experiência", afirma a educadora Mônica Pereira dos Santos, coordenadora do Laboratório de Pesquisa, Estudos e Apoio à Participação e à Diversidade em Educação da Faculdade de Educação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "Não significa criar altas expectativas e sim fazer com que a criança entenda o processo de escolarização como parte normal de seu crescimento como ser humano em sociedade."

Se o seu filho vai mudar de escola...
- Converse com os profissionais do novo colégio, explicando os motivos da mudança. "Peça ajuda a eles no acolhimento e na adaptação da criança, facilitando seu contato com os novos colegas e observando a bagagem pedagógica que ela traz da outra escola", diz Beatriz Scoz; 

- Leve a criança para conhecer a nova instituição antes de as aulas começarem. "Aproveite para explicar a ela que mudanças causam desconforto, mas que nem por isso são ruins", fala Beatriz;

- Se a criança estava bem adaptada à escola anterior e a mudança acontecer, por exemplo, devido à troca de endereço, é preferível buscar uma instituição que siga a mesma linha pedagógica. Agora, se a troca está ocorrendo exatamente pela dificuldade de adaptação da criança, melhor escolher uma que tenha outro tipo de proposta. "É fundamental que a família toda se identifique com o clima social e com o projeto pedagógico da escola", diz Rogério Lerner. Mas é importante lembrar que a criança (principalmente as menores) sente mais o impacto da socialização do que da linha pedagógica adotada;

- Sempre que possível, escolha o período do início do ano para fazer essa troca. A turma é nova, em geral há mais alunos que também estão entrando na escola naquele momento e a chance de se enturmar é maior. "E mais rapidamente ela desenvolverá o sentimento de pertencer àquele ambiente, tornando a experiência positiva", diz a educadora Mônica Pereira dos Santos.

Fonte: UOL Educação
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LANÇADO PORTAL QUE VAI AJUDAR GESTÃO DAS REDES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO

Plataforma tem contéudo com orientação sobre temas como alimentação e transporte escolar, material pedagógico, serviços públicos e gestão orçamentária e suprimentos

As mais de 5,5 mil secretarias municipais de Educação do país contam agora com uma ferramenta virtual para apoiá-las a aprimorar a gestão, o portal Conviva Educação, lançado hoje (31) em Brasília por um conjunto de 11 instituições. O ambiente virtual agrupa informações para os gestores de educação de acordo com três eixos: gestão, formação e fórum.

Cada Secretaria de Educação poderá cadastrar dez usuários que terão acesso a conteúdos com orientação sobre temas como alimentação e transporte escolar, material pedagógico, serviços públicos e gestão orçamentária e suprimentos. Os usuários poderão inserir dados sobre seu município e obter relatórios com diagnóstico para auxiliar na construção de planos de ação.

“O Conviva dará uma amplitude ao que é gestão de educação e ao dia a dia dessa gestão, para fazer com que se alcance a qualidade na educação pública”, explicou a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e secretária municipal de Educação de São Bernardo do Campo (SP), Cleuza Repulho.

Para Cleuza, a iniciativa também é importante para apoiar os prefeitos que estão iniciando agora a administração. “Os municípios tiveram um índice de renovação dos prefeitos de 70% nas últimas eleições, então, gestores que nunca trabalharam com gestão pública na área de educação assumiram os cargos”, explicou.

O site tem também espaço para um fórum de discussões e, em uma segunda etapa, vai oferecer cursos. Os secretários estaduais de Educação também podem se inscrever no site, embora os conteúdos estejam mais direcionados para a gestão municipal. A administração do Conviva é da Undime e o endereço eletrônico é www.convivaeducacao.org.br.

Para a secretária municipal de Educação de Colinas (TO), Odaléa Sarmento, a informação é fundamental para o bom planejamento das ações educacionais. “Precisamos muito da informação para que consigamos pôr em prática o planejamento. Minha expectativa com o Conviva é conseguir inserir minhas dúvidas e ter um retorno dessa comunicação em rede”.

Fonte: Agência Brasil
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LIMITE DE ALUNOS POR TURMA DEPENDE DE BOM SENSO DAS ESCOLAS

Sem legislação nacional, alguns Estados têm regras próprias ou acordos com sindicatos para controlar número de alunos em cada sala de aula. Outros deixam colégios decidirem


Érica Paschoal Figueiredo, 31 anos, levou um susto na última quarta-feira, quando as aulas da filha, Sarah, 11 anos, começaram. Na lista de Alunos matriculados na turma dela, do 6º ano do Ensino fundamental de uma Escola particular de Brasília, há 41 nomes. “É difícil escutar o Professor, enxergar o quadro e manter a concentração com tantos estudantes numa sala”, diz.

Preocupada com o dia a dia na sala de aula, ela procurou informações no Ministério da Educação sobre leis que regulassem o tamanho das turmas nas Escolas brasileiras. Descobriu que não há. A atendente do Fala Brasil (o programa de atendimento gratuito à população do MEC) ainda lhe disse que as Escolas privadas têm autonomia administrativa e pedagógica.

A dúvida de Érica, que não é isolada, também preocupa especialistas e mobiliza sindicatos e entidades em todo o País. Desde 2010, o Conselho Nacional de Educação aprovou um parecer que, entre outras medidas consideradas essenciais para um Ensino de qualidade, limita a quantidade de estudantes em cada turma, que varia de acordo com a etapa educacional.

O parecer nº 8, de maio de 2010, se baseou na proposta do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), um projeto desenvolvido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação que traça os insumos mínimos necessários em uma Escola para garantir qualidade de Ensino. A proposta, no entanto, ainda aguarda a análise do ministro da Educação.

De acordo com o documento, as turmas de Creche deveriam ter, no máximo, 13 Alunos. As de Pré-Escola, 22. Nos primeiros anos do Ensino fundamental, as classes não deveriam ter mais de 24 estudantes e, nos anos finais e no Ensino médio, 30 Alunos. Os números são bastante diferentes dos vistos nas Escolas do País e exigiriam esforço para contratar novos Professores.

“A partir do momento em que o documento for homologado, os órgãos de controle poderão cobrar os gestores de modo mais eficiente. Por isso, é difícil aprová-lo. É um absurdo ainda não termos uma normatização em relação às condições, os padrões mínimos de qualidade exigidos pela LDB”, afirma o conselheiro do CNE Mozart Neves Ramos, relator do parecer.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, diz em seu artigo é “dever do Estado” efetivar a “Educação Escolar pública com a garantia de padrões mínimos de qualidade de Ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por Aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de Ensino-aprendizagem”.

Ramos admite que adotar essas regras traria dificuldades para os gestores, por causa do custo de contratação de novos Professores e a carência desses profissionais. “Mas a quantidade de Alunos influencia diretamente na qualidade das aulas. Sou Professor e digo que ter 30 Alunos, conhecê-los por nome e auxiliá-los em suas dificuldades é importante. E impossível em turmas grandes”, comenta.

Escolhas variadas
Érica pretende conversar com outros pais e coordenadores na primeira reunião da Escola. “A gente fica de mãos atadas. Pagamos uma Escola cara e não podemos exigir muita coisa, porque elas têm autonomia, cabe ao bom senso delas não lotar as salas. Facilitaria muito se houvesse uma lei nacional sobre o assunto. A Escola não poderia abusar”, opina.

O “bom senso” é a única alternativa no caso de Érica porque o colégio da filha está cumprindo o acordo feito em Brasília entre o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal os gestores da rede privada local. Os limites combinados estão bem acima dos propostos pelo Conselho Nacional de Educação.

Pela convenção coletiva de trabalho assinada pelo sindicato na cidade, as Escolas particulares devem seguir os limites de 30 Alunos nas turmas de Educação infantil, 35 nas de 1ª e 2ª séries do Ensino fundamental; 40 nas de 3ª e 4ª séries do Ensino fundamental; 45 nas classes de 5ª a 9ª séries do Ensino fundamental e 50 no Ensino médio.

Há Escolas privadas, no entanto, que optam por diminuir essa quantidade. Caso do Centro Educacional Leonardo da Vinci, no qual as maiores turmas, as do Ensino médio, não passam de 40 Alunos. No Ensino fundamental elas variam de 20 Alunos (1º ano), no máximo, passando por 28 nas de 5º ano e 39 no 9º ano.

Angel Prieto, diretor pedagógico do colégio Galois, conta que, no Ensino fundamental, as classes comportam, em média, 35 Alunos. “A gente monta as turmas com bom senso. Quanto mais velhos, mais atentos e disciplinados já estão os Alunos. Então é possível ter turmas maiores”, analisa.

Os números nas classes da rede pública do DF variam um pouco, especialmente nas séries iniciais. De acordo com o decreto nº 27.217 de 1997, esse limite é de 20 crianças por turma na Creche; 30 na Pré-Escola e ciclo inicial de Alfabetização e de 45 nas turmas de Ensino fundamental e médio. Em São Paulo, o limite para o Ensino fundamental é de 35 Alunos.

Para Afonso Celso Tanus Galvão, especialista em dinâmica curricular e Ensino-aprendizagem, uma turma de Ensino fundamental com 45 Alunos “é um absurdo”. “Isso é caótico e acaba com o Professor. Não há como realizar o trabalho da parte cognitiva do Aluno de modo adequado”, afirma o também coordenador do mestrado em Educação da Universidade Católica de Brasília.

Por isso, ele defende uma legislação nacional sobre o tema, que ajudaria a orientar Escolas. Mas reconhece que as especificidades de cada uma poderiam ser levadas em conta na hora de montar as turmas. “Quanto mais o Professor der atendimento individualizado aos Alunos, melhores serão os resultados de aprendizagem”, garante.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o sindicato dos Professores tenta limitar essa quantidade de estudantes por turma há anos. O órgão criou um site para sensibilizar pais e Escolas para isso, “denunciando” quem matricula Alunos “em excesso” nas turmas. O site é www.limitedeAlunosporturma.com.br/

No Congresso
No fim do ano passado, um projeto do senador Humberto Costa sobre o tema foi aprovado em caráter terminativo no Senado e seguiu para votação na Câmara dos Deputados. Pela proposta, as turmas de Pré-Escola e dos dois anos iniciais do Ensino fundamental poderão ter, no máximo, 25 Alunos, e as dos anos seguinte e médio, 35 Alunos.

O texto foi encaminhado às Comissões de Educação e Cultura, de Constituição e Justiça e de Cidadania. Deve ser avaliado pelas comissões assim que o recesso parlamentar acabar. 

Fonte: iG
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10ª DIRED - Jornada Pedagógica

ESCOLA EST. AMARO CAVALCANTI - PROFESSORES PARTICIPAM DE EVENTO

Em consonância com a programação da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte, dentro da programação da Jornada Pedagógica 2013, a 10ª Dired  de Caicó, promoveu ontem, dia 31 de janeiro, o encontro com professores do ensino médio. 
                                       


A Escola Estadual Amaro Cavalcanti, a convite da 10ª Dired, enviou para esse evento educacional, vários professores do seu quadro de ensino. 

                                  
 


A programação para este dia tinha como público alvo professores do Ensino Fundamental, Médio e da Eja e apoio pedagógico. A Professora Drª Maria Evaneide Melo do Ifrn de Caicó, iniciou os trabalhos na parte da tarde com a palestra "A iniciação Científica no ensino médio numa perspectiva multidisciplinar",  . 

A palestrante apresentou para o público presente, o trabalho que vem desenvolvendo com seus alunos do ensino médio sobre o uso alternativo das várias formas de energia. Trabalho este, que lhe rendeu bolsas de iniciação cientifica para seus alunos. Alunos bolsistas que participam da iniciação cientifica, apresentaram seus trabalhos.


                          

A professora Doutora Evaneide enfatizou em sua fala a importância do registro  das atividades desenvolvidas pelos professores em sala de aula, uma vez que os mesmos poderão servir de referência para futuros trabalhos acadêmicos e que isto não se ver atualmente nas escolas. enumerou o passo-a-passo para a elaboração de uma proposta de trabalho que leve a iniciação cientifica e que cada professor tem sim a capacidade de realizar este trabalho.

                                                      
 


Após apresentação dos trabalhos pelos alunos, o espaço foi aberto para questionamentos sobre o temas abordados. Um dos questionamentos foi feito pelo professor "Maia", titular da disciplina de Física, da escola CEJA(Centro Educacional José Augusto). Em seu questionamento, o professor perguntou sobre a existência de Células Fotovoltaicas no IFRN.  Falou da sua experiência sobre trabalhos realizados sobre o tema e que está disposto a colaborar com a professora Evaneide e seus alunos. Aproveitou o espaço para dizer que no CEJA tem uma Célula Fotovoltaica e convidou a professora e seus alunos para conhecê-la e fazer uso da mesma, caso seja necessário.
Professor Maia - do Centro Educacional José Augusto
Dando continuidade aos trabalhos, foi feita a apresentação do NTE (Núcleo Tecnológico Educacional) de Caicó pela coordenadora Prof. Especialista Célia Fonseca.
A professora falou da importância do NTE na formação continuada dos professores na área tecnológica e dos cursos oferecidos pelo mesmo.

Ainda falou da procura dos cursos e da dificuldade de conciliar o horário de trabalho com o horário das formações. Disse ainda que conta com um número muito pequeno de pessoas na sua equipe de trabalho e pediu para os professores se envolverem na realização dessas formações continuadas, principalmente no que diz respeito ao uso e manuseio de tablets, uma vez que está previsto para este ano a distribuição dos mesmos para professores do ensino médio.

                                       

EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Divulgada programação da I Jornada Pedagógica de Jardim de Piranhas

A I Jornada pedagógica de 2013, começa na segunda-feira, 4, na Escola Estadual Machado de Assis e tem como objetivo refletir acerca das atribuições e competências de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem nas escolas da rede municipal de ensino do município, à luz do plano nacional de educação, das novas diretrizes curriculares nacionais para a educação básica e demais orientações necessárias para a construção dos princípios norteadores do plano municipal de educação do nosso município. “Nessa oportunidade buscaremos, a partir do diagnostico das necessidades da realidade local, construir e estabelecer Diretrizes Pedagógicas para a elaboração do Plano Municipal de Educação – PME 2013-2016”, completou a secretária Ália Eine de Queiroz Damásio.

A professora mestra Regiane Santos Cabral de Paiva, titular da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Campus Central, Mossoró, abre o evento com a palestra “Saberes e competências para o Ensino”. No segundo dia, Petrúcio Ferreira, diretor da 10ª Diretoria Regional de Educação (Dired), discute sobre “Educação: Novos caminhos, novas perspectivas”, seguido da secretária municipal de Educação, Ália Eine de Queiroz Damásio que traz o tema “Estrutura e Funcionamento da SEMEC e sua Atuação Junto as Escolas”. O segundo dia será encerrado com a apresentação do grupo Ciranduís de Teatro, um dos mais renomados de todo o RN. 

O poeta Antônio Francisco, um dos mais importantes escritores da literatura de cordel no Brasil, ocupante da cadeira número 27 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), na vaga que pertenceu a Patativa do Assaré, é o convidado especial para a abertura da 1ª Jornada Pedagógica de Jardim de Piranhas de 2013.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

RN - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

JORNADA PEDAGÓGICA/2013

A Secretaria de Estado da Educação iniciou o período de jornadas pedagógicas nas 16 Diretorias Regionais de Educação - DIREDS. Até o início do ano letivo, previsto para o dia 18 de fevereiro, a equipe pedagógica da secretaria estará dividida em todas as regiões do Rio Grande do Norte com a missão de levar aos gestores, coordenadores e professores, as orientações que as escolas devem seguir em 2013, de acordo com o Programa de Educação do Estado.

Esta semana, a secretária Betania Ramalho, fez palestra na abertura da jornada pedagógica da DIRED de Caicó, onde falou sobre o papel do gestor e do professor, no processo de Ensino/Aprendizagem, e apresentou as metas da Educação do Estado para 2013. Ao mesmo tempo, o secretário-adjunto da Educação, professor Joaquim Oliveira, participava da abertura da jornada da regional de Parnamirim.

“O foco agora é na preparação das escolas, para que elas possam receber bem os nossos alunos. Por isso, estamos fazendo um esforço para chegarmos a todas as regionais, levando a mensagem da secretaria, nossas orientações e mostrando os avanços já alcançados, como forma de incentivar os professores na busca por resultados ainda melhores. Eu acredito que 2013 será um grande ano para a Educação do Estado”, ressaltou a secretária Betania Ramalho.

Ela também falou sobre o esforço que está sendo feito para estreitar os laços entre a secretaria e as escolas, em todas as regiões. “Por isso fizemos questão de montar uma programação, distribuindo a participação daqueles que estão à frente do pedagógico da secretaria, pelas jornadas regionais. Queremos com isso, mostrar para os gestores e professores que estamos aqui, muito próximos, para atendermos às suas demandas e ver de perto onde a Educação realmente acontece, que é o no chão da escola.”

A professora Margareth Costa, da Escola Estadual Rosa de Lima Bezerra, de Caicó, foi uma das pedagogas que reconheceram essa aproximação da secretaria. “Eu tenho mais de 20 anos de Estado e nunca tive a oportunidade de ter uma conversa tão próxima com uma secretária de Educação. Aqui, pudemos ouvir não apenas uma excelente palestra, mas também apresentar as nossas necessidades e ter as nossas dúvidas esclarecidas.”

Na regional de São Paulo do Potengi, o encontro pedagógico foi encerrado nesta quarta-feira, 30. Já a DIRED de Parnamirim encerra sua jornada nesta quinta-feira, 31, enquanto as regionais de Caicó e Nova Cruz seguem com as atividades de preparação até esta sexta-feira, 1º. Na próxima semana, será a vez das DIREDS de Natal, Ceará-Mirim, Macau, Santa Cruz, Angicos, Currais Novos, Assú, Apodi, Umarizal, Pau dos Ferros e João Câmara realizarem seus encontros. Mossoró é a última regional a promover sua jornada pedagógica, nos dias 14 e 15 de fevereiro.

Programação
1ª DIRED/Natal – 05 e 06 de fevereiro
2ª DIRED/Parnamirim – 29 a 31 de janeiro
3ª DIRED/Nova Cruz – 31 de janeiro e 1º de fevereiro
4ª DIRED/São Paulo do Potengi – 29 e 30 de janeiro
5ª DIRED/Ceará-Mirim – 05 e 06 de fevereiro
6ª DIRED/Macau – 06 a 08 de fevereiro
7ª DIRED/Santa Cruz – 04 e 05 de fevereiro
8ª DIRED/Angicos – 06 e 07 de fevereiro
9ª DIRED/Currais Novos - 05 a 08 de fevereiro
10ª DIRED/Caicó – 28 de janeiro a 1º de fevereiro
11ª DIRED/Assú – 04 e 05 de fevereiro
12ª DIRED/Mossoró – 14 e 15 de fevereiro
13ª DIRED/Apodi – 05 e 06 de fevereiro
14ª DIRED/Umarizal – 06 e 07 de fevereiro
15ª DIRED/Pau dos Ferros – 05 e 06 de fevereiro
16ª DIRED/João Câmara – 04 e 05 de fevereiro

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

'PROFESSORES PRECISAM PARAR COM DESCULPAS', DIZ BRASILEIRO QUE CONCORRE A PRÊMIO DE MELHOR DOCENTE DOS EUA

À frente de turmas que misturam crianças com autismo, adotivas e imigrantes, ele afirma que, a despeito das condições adversas, missão do educador segue sendo a de desenvolver o potencial máximo dos alunos

Em abril, o brasileiro Alexandre Lopes, de 44 anos, pode receber um aperto de mão do presidente Barack Obama. Ele é um dos quatro finalistas de um tradicional prêmio americano que desde 1952 aponta o melhor professor do ano no país. A premiação acontece na Casa Branca. Formado em produção editorial, Lopes deixou o Brasil em 1995. Nos Estados Unidos, trabalhou como comissário de bordo antes de se tornar professor do ensino infantil. Desde 2005, leciona em uma escola pública de Miami, na Flórida. Na unidade, é o primeiro especialista em educação inclusiva, método que prevê a integração de todos os estudantes a estabelecimentos regulares de ensino, a despeito de limitações físicas, intelectuais ou sociais. Lopes cuida de 25 alunos com idades entre 3 e 5 anos de idade, sendo que um terço deles tem autismo, distúrbio que afeta a capacidade de comunicação. Seu desafio é oferecer conhecimento a todas as crianças, considerando dificuldades e possibilidades de cada uma. "Meu dever como professor é fazer com que meu aluno chegue mais próximo de seu potencial máximo, seja ele qual for."

Para cumprir a tarefa, o professor não descansa. Se quer apresentar dinossauros aos pequenos, leva bonecos dos bichos pré-históricos à sala de aula; se o desafio é explicar o significado da palavra "áspero", apresenta uma lixa. A fama de bom mestre se espalhou. No início do ano passado, o brasileiro foi escolhido pelos colegas o melhor professor da escola e, meses depois, o melhor docente da Flórida. Agora, ele tenta conquistar a América com o prêmio concedido pelo CCSSO, organização que reúne secretários estaduais de educação dos Estados Unidos. Na entrevista a seguir, Lopes conta como fez da profissão um exercício de dedicação, que inclui a investigação do potencial de cada criança e o desenvolvimento de estratégias quase personalizadas para driblar obstáculos. "Meu lema é: aquele que traz menos é sempre o que recebe mais", diz. "Situações adversas não podem servir de desculpa."

Como um brasileiro se tornou candidato a melhor professor dos Estados Unidos? Em 2001, a companhia aérea em que eu trabalhava apresentou um programa de demissão voluntária, oferecendo benefícios para quem optasse pela saída. Achei que era hora de buscar nova formação. Eu queria me especializar em línguas estrangeiras, mas uma conselheira vocacional analisou meu currículo e sugeriu que eu fizesse um curso de educação especial para a primeira infância. Eu nem sabia do que se tratava, mas resolvi arriscar. Então, me apaixonei pela área. Mais tarde, recebi uma recomendação para uma bolsa de mestrado na Universidade de Miami. Em 2005, recebi o convite para iniciar a primeira turma de educação inclusiva na escola em que trabalho até hoje. Ali, ganhei fama de bom professor: algumas famílias de outras localidades viajavam mais de uma hora para matricular seus filhos em minhas aulas. Em 2012, fui escolhido o melhor professor da escola pelos meus colegas, o que deu início a essa história de premiações. Acho que uma série de fatores contribuiu para meu desempenho: o principal é levar meu trabalho muito a sério e nunca deixar de estudar. Além do mestrado, possuo certificação nacional em educação especial e estou terminando o doutorado na Universidade Internacional da Flórida. Exerço minhas funções com dedicação e carinho, além de conhecer a fundo toda a teoria envolvida em cada ato educacional dentro de uma sala de aula.

Como são suas turmas na escola? Trabalho com crianças de 3 a 5 anos. No período da manhã, tenho uma turma de 12 alunos e, à tarde, outra de 13. Cerca de um terço dos meus alunos tem autismo. Há também alunos filhos de imigrantes, que ainda estão aprendendo inglês, além de crianças em condições socioeconômicas adversas, vivendo em abrigos ou com famílias provisórias. Por serem crianças muito novas, as turmas não podem ser grandes.

Como lidar com turmas com condições tão particulares? Toda a minha instrução é acompanhada por representações concretas, pictórica e simbólica, do que está sendo dito. Se trato de dinossauros, mostra à turma, respectivamente, bonecos dos bichos, imagens projetadas na lousa digital e nomes dos animais. Quando conto uma história, apresento imagens do local onde ela se passa e dos personagens envolvidos. Se digo que algo é áspero, dou uma lixa para as crianças passarem a mão e saberem o que aquela palavra significa.

Onde entram os fundamentos da educação inclusiva? Defino educação inclusiva como o método em que o objetivo é atingir o potencial máximo de cada um dos seus alunos. Meu objetivo é fazer com que todas as crianças progridam. Nem todas, é claro, alcançarão o mesmo desenvolvimento. Meu dever é apenas fazer com que o aluno chegue mais próximo do seu potencial, seja ele qual for.

Qual a maior gratificação do trabalho? Dou muito valor às pequenas conquistas. Certa vez, recebi um aluno no dia em que ele completava três anos de idade. Era tranquilo, mas não falava nada. Contudo, toda vez que eu demorava um pouco mais em uma atividade, ele me beliscava para chamar minha atenção. Ensinei a ele que, se quisesse algo, ele deveria pedir, apontar, tocar, mas nunca beliscar alguém. Ele aprendeu, mas seguia sem falar. Finalmente, após quase dois anos de trabalho, um dia isso aconteceu. Eu trabalhava com outra criança quando alguém tocou as minhas costas. Então, ouvi uma voz rouca dizer: "Alex." Comecei a chorar: a primeira palavra que ele disse foi o meu nome. Eu me envolvo muito com os meus alunos. Acho que não há outra forma de ensinar.

O senhor citou o uso de lousa digital. Suas técnicas poderiam ser usadas no Brasil, levando em conta que nem todos os professorem têm acesso à tecnologia em sala de aula? Em qualquer escola do mundo essas técnicas podem ser utilizadas. A alta tecnologia nos auxilia em sala de aula, mas temos também o que chamo de "baixa tecnologia", que depende exclusivamente dos conhecimentos e criatividade do professor. Não ter as mesmas condições de ensino de outros colegas é um desafio para muitos professores, mas isso não pode servir de desculpa.

Os educadores apresentam muitas desculpas? Acho que a educação passa por uma crise e temos que sair dela. Se aceitarmos qualquer desculpa, só vamos perpetuar essa crise. Na escola em que trabalho, há um incentivo grande para que os pais participem mais da educação dos filhos. Eu me esforço particularmente nessa tarefa: se for preciso, dou cambalhotas para trazê-los à escola, pois as crianças só têm a ganhar quando os pais se envolvem na educação delas. No entanto, não posso deixar que a ausência da família se torne uma desculpa para o fracasso educacional do aluno. O meu lema é: aquele que traz menos é sempre o que recebe mais. Se o desafio do aluno é aprender um novo idioma, devo lidar com isso. Se ele tem deficiência no desenvolvimento, devo lidar com isso. Se ele vive em uma situação de vulnerabilidade, tenho de lidar com isso. Caso o aluno não esteja evoluindo como esperado, o professor deve se questionar a respeito dos rumos do trabalho.

De maneira geral, os professores americanos têm condições de trabalho melhores do que as oferecidas a seus pares brasileiros. Isso não é um desafio a mais? Nunca trabalhei como professor no Brasil e não conheço a fundo os dilemas enfrentados pelos profissionais no país. As pessoas acham que um professor Flórida é muito mais valorizado, mas não é bem assim se compararmos essa atividade a outras. Somente agora, após muito trabalho e dedicação, atingi remuneração semelhante à que recebia como comissário de bordo. Se pensarmos que possuo mestrado e estou prestes a concluir o doutorado e que um comissário de bordo precisa apenas do ensino médio completo, há uma discrepância salarial muito grande também aqui.

O que mudou na sua vida desde que o senhor começou a acumular prêmios na profissão? Desde agosto, após ter sido escolhido o melhor docente da Flórida, não estou mais na sala de aula. Tornei-me embaixador da educação, com as funções de inspirar colegas e representar o estado em conferências e atividades educacionais. Minha vida fugiu ao meu controle (risos).

O senhor pretende lecionar no Brasil? Eu nunca parei para pensar nisso. Na verdade, nunca pensei que um dia seria requisitado para tal tarefa. Tudo aconteceu muito rápido. De qualquer forma, acredito que terei oportunidade para dividir o que sei com os professores no Brasil. Isso me deixaria lisonjeado.

Fonte: Veja.com
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Opinião: As licenças médicas na Educação

"Pesquisa realizada com mais de 8 mil Professores, em 19 estados, constatou que mais de 80% dos professores se sentem desvalorizados pela sociedade", afirma Gilberto Sá 

O debate acerca da epidemia de licenças médicas no serviço público estadual revela dados estatísticos que podem, num primeiro momento, causar espanto. Entretanto, a epidemia deve ser analisada com profundidade para não corrermos o risco da culpabilização. A sociedade atual traz profundas transformações sociais. A Escola tem sofrido com todo este processo de mudança e as consequências são expressas na forma de uma crise no sistema educacional. Esse mal-estar na Educação tem se manifestado em forma de sintomas.Os dados de afastamento na Educação (57% do total de todas as licenças concedidas no funcionalismo publico estadual) requer cuidado especial. A pesquisa científica sobre o assunto revela que os Professores, devido à precarização da profissão e desprestigio social, adoecem. Esse mal-estar tem se manifestado por meio de sintomas psicossomáticos, comportamentais, emocionais e defensivos que estão associados à Síndrome de Bornout. Essa síndrome é uma enfermidade emocional relacionada ao trabalho, que acomete, principalmente, pessoas que associam emoção e afeto à sua atividade profissional.

A epidemia não exclusiva de Santa Catarina, revelado pela pesquisa A qualidade da Educação sob o olhar do Professor, da Fundação SM, referência em Educação no país, e da Organização dos Estados Ibero-americanos, realizada com mais de 8 mil Professores, em 19 estados, constatou que mais de 80% dos Professores se sentem desvalorizados pela sociedade. Apesar da avaliação negativa sobre o reconhecimento da profissão, 67% deles disseram que não mudariam de atividade.

A Secretaria da Educação do Estado tem domínio do assunto e acerta quando adota políticas de prevenção. A saúde do Professor está associada à qualidade da Educação.

*Professor universitário em Lages e membro do Conselho Estadual de Educação.

Fonte: Diário de Pernambuco (PE)
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Opinião: Geração de analfabetos digitais

"Ninguém é contra a inclusão digital. Pelo contrário. O que se cobra é que o governo tenha um plano consistente e que saia do papel", afirma Rogerio Waldrigues Galindo

Um aluno que tenha entrado na primeira série em 2005 pode ter passado os últimos oito anos esperando o computador que lhe foi prometido por Lula naquele ano. Durante uma visita do Professor Nicholas Negroponte, que divulgava a ideia das máquinas de 100 dólares, Lula fez uma bravata. Não concedeu um mês que sua equipe pedia para estudar o caso. Queria tudo resolvido em 29 dias.
Não deu certo. O UCA (sigla do programa “Um computador por Aluno”) naufragou sem nunca ter chegado a ser grande coisa. O pré-piloto começou com cinco anos de atraso, em 2010. Na fase de piloto, cinco cidades receberam computadores para todos os Alunos. Em Curitiba, só uma Escola teve os laptops. As máquinas não eram consertadas e os Professores, quando entrevistados, diziam que nem sabiam como ligar o bicho. Em 2011, o repórter Anderson Gonçalves relatou que em Santa Cecília do Pavão, única cidade com 100% de alcance no Paraná, esperava pelo conserto de 70 computadores.
A última notícia do site do programa (www.uca.gov.br) é de 2010. Claro que o governo não admitiu a incompetência. Em vez de dizer que o projeto não existe mais, tucanou a desgraça: disse que repassou as compras e o programa aos municípios e estados que o quiserem. E lá se foram oito anos jogados fora.
Agora, o ministro Mercadante jura que a coisa vai. No início do ano passado, prometeu 600 mil tablets para o Ensino médio, que seriam entregues ainda em 2012. Aquele mesmo Aluno deve ter ficado empolgado. Mas teria motivos para manter um pé atrás: até agora, o ministro entregou apenas algumas centenas de peças para Professores. Para Alunos, absolutamente nada.
A licitação foi feita: são R$ 117 milhões para a aquisição de 382 mil. Mercadante jura ainda que dessa vez os Professores terão treinamento para saber como usar o equipamento. Mas não veio a público ainda um único documento que mostre como se pretende que os tablets sejam usados. A única notícia é de que o governo estaria fechando com a Khan Academy para ter direito a usar os vídeos da instituição.
Quando contestado sobre a compra, Mercadante se saiu com a velha discussão sobre ideologia, dizendo que havia um pensamento conservador que seria contra o uso da tecnologia na sala de aula. “Qual é a profissão hoje importante que não usa tecnologia da informação?”, perguntou o ministro.
Lógico que não se trata disso. Ninguém é contra a inclusão digital. Pelo contrário. O que se cobra é que o governo tenha um plano consistente e que saia do papel. Se houver o benefício, arca-se com o custo. Mas por enquanto o Aluno que está esperando desde 2005 não tem motivos para se empolgar com o discurso de Mercadante. O governo, no fundo, incentivou toda uma geração de brasileiros a permanecer no Analfabetismo digital. Pela conta do próprio Mercadante, que chance terão no mundo atual?
PS: Os 513 deputados federais que voltam do merecido descanso em breve, para eleger Henrique Eduardo Alves, encontrarão sobre suas bancadas laptops novos. Esses sim foram comprados e entregues no tempo.

Fonte: Gazeta do Povo (PR)
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ESCOLA PODE GANHAR INCENTIVO FINANCEIRO PARA LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS

Proposta aumenta as verbas repassadas para as escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio que decidirem investir nessas instalações

A Comissão de Finanças da Câmara analisa projeto (PL 1777/11) que destina verba adicional para a escola que construir ou reformar laboratório de ciências. A proposta aumenta as verbas repassadas para as escolas públicas de ensino fundamental e médio que decidirem investir nessas instalações.

Pelo texto em discussão na Câmara, as instituições que destinarem parcela dos recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola para a instalação e a melhoria de laboratórios de ciências receberão assistência financeira adicional. O valor desse adicional será divulgado anualmente pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, juntamente com as normas e os critérios a serem respeitados pelas escolas que queiram o benefício.

A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende, do DEM do Tocantins, foi relatora do projeto na Comissão de Educação, onde a matéria já foi aprovada. Ela acredita que a medida será um incentivo para a instalação de laboratórios nas escolas.

"Para que as escolas pudessem direcionar o dinheiro para a instalação de laboratórios porque quando nós olhamos o censo escolar, o número de laboratórios disponíveis nas escolas, tanto para educação profissional, como para ciências, laboratórios específicos, o número é muito pequeno, principalmente no período de autoria do projeto de lei"

Hamilton Paes das Neves, diretor do Centro de Ensino Médio da Asa Norte, em Brasília, elogiou o projeto. Ele informou que os laboratórios da escola estão desativados há mais de cinco anos. O diretor destaca que com verbas para reativá-los, os alunos serão os mais beneficiados.

"O aluno vai ver o que ele estuda na teoria de ciências, ele vai ver acontecer no laboratório. Viu na teoria, então, ele tem condição de colocar em prática uma reação de componentes químicos; estudar a fisiologia de determinados animais; estudar os campos magnéticos na física. Isso, no laboratório, você pode fazer acontecer, enquanto na sala de aula, ele só vai ver no quadro, só na teoria"

O projeto que destina verba adicional para a escola que instalar laboratórios deve ser votado por duas comissões na Câmara, antes de seguir para o Senado.

Fonte: Agência Câmara

ESTUDANTES SECUNDARISTAS COBRAM REFORMA ESTRUTURAL DO ENSINO MÉDIO

Para eles, o período escolar é deixado de lado pelas políticas públicas e deixa a desejar na formação dos alunos

O novo ensino médio foi uma das bandeiras aprovadas pelos estudantes para serem defendidas pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), em votação feita no 2º Encontro Nacional de Grêmios, encerrado hoje (21), no Recife. Segundo os estudantes, o período escolar é deixado de lado pelas políticas públicas e deixa a desejar na formação dos alunos.

“Qual é o papel do ensino médio? Ele não te prepara para o mercado nem para a universidade, porque você sai do ensino médio e tem que fazer cursinho. Muito menos prepara para a vida. Muitos deixam a escola sem saber ler e escrever direito”, reclama Manuela Braga, presidenta da Ubes.

Ainda segundo a dirigente estudantil, o país avançou em políticas de inclusão para o ensino superior e deu ênfase aos primeiros anos da educação, “e esqueceu-se do ensino médio”.

O novo ensino médio é definido pela Resolução 2 de 30 de janeiro de 2012, do Conselho Nacional de Educação. Ela estabelece diretrizes curriculares nacionais, mas as escolas não são obrigadas a aderir porque trata-se de uma orientação às redes de ensino. Pela resolução, o ensino é dividido em áreas de conhecimento e há uma maior flexibilização do currículo.

Em 2012, foram 7,1 milhões matrículas no ensino médio, entre escolas públicas estaduais e municipais, e 971 mil matrículas no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), de acordo com o Censo Escolar de 2012, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Além do novo ensino médio, os estudantes defendem o passe-livre estudantil e a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) com a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para a educação. Para a última semana de março, está agendada a Jornada Nacional de Lutas da Ubes, quando estudantes de todo o país realizarão passeatas pela melhoria da educação.

O 2º Encontro Nacional de Grêmios da Ubes foi realizado de 18 a 21 de janeiro na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e reuniu 1,5 mil secundaristas de todas as regiões do país. O tema do encontro foi Mais Mulher, Mais Desenvolvimento, Mais Educação. O evento foi paralelo ao 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE). 

Fonte: Agência Brasil
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OPINIÃO: A GESTÃO ESCOLAR E A MEDIAÇÃO DOS CONFLITOS NA ESCOLA

"Cerca de 15% da comunidade de alunos, pais, professores e funcionários é capaz de comprometer a administração escolar e o precioso tempo dos gestores. É onde está o ninho da serpente", afirma Jacir J. Venturi

Minha experiência de 41 anos dentro de Escolas públicas e privadas, em todos os níveis, indica que cerca de 15% da comunidade de Alunos, pais, Professores e funcionários é capaz de comprometer a administração Escolar e o precioso tempo dos gestores. É onde está o ninho da serpente, fonte precípua dos conflitos e aborrecimentos.

No entanto, são adultos, adolescentes ou crianças que necessitam da orientação dos Educadores. É óbvio que os outros 85% têm demandas, cobranças e pontualmente geram desavenças, mas se enquadram dentro da normalidade. Como reduzir os conflitos? Elenco alguns motes ou regrinhas de ouro.

A primeira recomendação é difundir a cultura de que a diversidade é uma riqueza. Isso torna o ambiente Escolar mais amistoso e menos conflituoso. Somos diversos, porém não adversos.

É preciso também combater diuturnamente o bullying, uma das principais fontes de desavenças entre Alunos. A intensidade do bullying indica o quanto moralmente a Escola está comprometida. É responsabilidade dos gestores e Professores criar duas frentes de combate: prevenção e ação. É preventiva a implementação de uma cultura de respeito, tolerância e aceitação de que somos diferentes, sem esquecer da ação vigilante, proativa e punitiva sobre os agressores.

É preciso atacar o problema no nascedouro, antes que a marola vire uma tsunami. No início de uma contenda, o mediador deve aliviar a tensão com um toque de humor ou com uma frase de efeito, como a clássica de Shakespeare: “A tragédia começa quando os dois lados acham que têm razão”.

Encarar o problema de frente e não apenas tangenciar é uma necessidade. Mergulhar fundo. Muitas vezes, temos de contar com o decurso dos dias. O travesseiro é um bom conselheiro.

Também é necessário minimizar as posturas antagonistas de alguns pais – como se família e Escola em trincheiras opostas estivessem. A Escola erra sim e a família também. A tolerância ao erro, dentro de certos limites, é uma virtude e um aprendizado para a vida adulta. Sigmund Freud bem assevera: “Educar é uma daquelas atividades em que errar é inevitável”.

Ser bom ouvinte é qualidade indispensável. A natureza nos concedeu uma boca e dois ouvidos. A mensagem anatômica é explícita: ouça os dois lados e fale menos. É comum, nos arranca-rabos entre Alunos, haver duas versões antagônicas. E, quando a versão contraria os fatos, a primeira vítima é o fato.

A hierarquia e a disciplina, requisitos indispensáveis para uma boa organização, precisam ser mantidas. Ao não punir convenientemente os Alunos, os gestores e Professores pensam que estão sendo liberais. No entanto, então sendo concessivos, bonzinhos, e a futura vida profissional cobrará de nossos Alunos respeito às normas e à hierarquia. A Escola é um laboratório para a vida adulta.

A normatização tem papel importante na Escola, que necessita de uma boa rotina e, para tanto, de regras bem estabelecidas e bem cumpridas. Fazem parte de uma boa rotina Professores pontuais e com boa didática, funcionários solícitos, suporte tecnológico que funciona, banheiros e corredores asseados.

E, por fim, é preciso transmitir valores. O educando precisa de um projeto de vida. Desde pequeno, é importante que desenvolva valores inter e intrapessoais, como ética, cidadania, respeito ao próximo, responsabilidade socioambiental e autonomia, o que enseja adultos flexíveis e versáteis, que sabem trabalhar em grupo, abertos ao diálogo, às mudanças e às novas tecnologias. De todas as virtudes, a mais importante é a solidariedade: base das relações sociais e a partir da qual se fundamenta uma convivência pacífica.

Jacir J. Venturi, diretor de Escola, Professor, palestrante e autor de livros, é presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR).

Fonte: Gazeta do Povo (PR)
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Opinião: O novo piso dos professores

"O índice nacional de reajuste salarial dos professores frustra as expectativas do magistério, mas cria condições ao governo do Estado para aprofundar negociações numa nova política", afirma Moacir Pereira

Fixado em 7,9% para 2013, o índice nacional de reajuste salarial dos Professores frustra as expectativas do magistério, mas cria condições ao governo do Estado para aprofundar negociações numa nova política. Com o índice de 21% anunciado pelo MEC no início de 2012, governo estadual e prefeituras municipais avisaram a impossibilidade de aplicação. Agora, com os 7,9%, o cenário muda completamente.

A diretoria do Sinte/SC e o sindicato estão de férias até o final de janeiro. A presidente Alvete Bedin anunciou a retomada das atividades, com reunião do Conselho Estadual de Educação, em 28 de janeiro. A pauta está definida: descompressão da tabela salarial e pagamento da dívida de 13,17%, pendente do reajuste de 2012, e mais os 7,9% deste ano. No ano passado, o reajuste foi de 22,22%. O governo concedeu reposição linear de 8% para todos os servidores, em duas parcelas.

O secretário de Educação, Eduardo Deschamps (PSDB), esteve ontem em Brasília, tratando exatamente do novo piso salarial. Vem mantendo entendimentos constantes com o novo secretário da Fazenda, Antônio Gavazzoni (PSD), e com o coordenador de Relações Governamentais, Décio Vargas. Objetivo comum: estudos para descompressão da tabela salarial do magistério.

Segundo Vargas, a tabela que vem sendo trabalhada será mais enxuta, com redução dos níveis, para viabilizar a descompactação salarial, uma das maiores aspirações dos Professores.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação estava reivindicando aumento com base no INPC mais 50% do Fundeb, o que daria um reajuste de 9%. Os secretários estaduais e municipais de Educação defendiam apenas o INPC, que resultaria em cerca de 4%. O MEC optou pelos 7,9%. A entidade marcou greve nacional para os dias 23, 24 e 25 de abril.

Fonte: Jornal de Santa Catarina (SC)
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Professores e gestores querem mudar índice que define piso nacional

Piso aumentou 22,2% entre 2010 e 2011 e só 7,97% entre 2011 e 2012. Reajuste de 7,97% foi quase um terço do aumento obtido no ano passado

O reajuste de 7,97% no piso salarial nacional dos professores da educação básica anunciado pelo Ministério da Educação nesta quinta-feira (10) já era esperado pelos especialistas e entidades, sindicatos e confederação de professores e gestores da educação no país. Segundo eles, a expectativa era a de que o governo seguiria ao pé da letra a lei que define o piso e, portanto, o reajuste seria bem menor do que o estimado no início do ano. Mesmo assim, muitos criticaram o indicador vinculado ao cálculo do reajuste anual, que atualmente leva em conta apenas a variação do valor anual por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
Com o aumento, o piso salarial para os professores passa de R$ 1.451 para R$ 1.567 a partir de janeiro de 2013. No ano passado, o reajuste do piso salarial dos professores de educação básica e que cumprem 40 horas semanais foi de 22,22%. Portanto, o reajuste deste ano representa quase um terço do aumento ocorrido em 2012.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) divulgou nota em seu site oficial afirmando que, pelos cálculos da entidade, "o piso não deveria ficar abaixo de R$ 1.817,35, valor este que compreende a diferença efetiva entre o per capita do Fundeb de 2008 a 2013".
A confederação, defendeu, no comunicado, que a União cubra "eventuais rebaixamentos do valor mínimo do Fundeb ao longo dos anos – pois a educação não deve sofrer retração de investimentos e cabe aos órgãos públicos federais zelar pela estimativa do Fundeb e seu cumprimento integral".
Já Cleuza Rodrigues Repulho, presidente da União dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime), classificou o aumento como "bom".
Ela afirmou ao G1 que "algumas pessoas estavam esperando um desastre maior", mas que, apesar de o ganho real do aumento ter ficado acima da inflação, o reajuste, "por outro lado, mostra que faltou recursos para a educação", disse ela.
Para Cleuza, que também ocupa o cargo de secretária municipal de Educação de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, apesar de o piso ainda estar abaixo do desejado, muitas prefeituras terão dificuldades de cumpri-lo. "Em mais de 80% das prefeituras, a principal fonte de recursos da educação são os repasses do Fundeb."
Política econômica e direitos sociais
Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, explica que o reajuste menor neste ano, em comparação com o ano anterior, se deve à queda na arrecadação de impostos pelo governo federal. Isso aconteceu, segundo ele, porque o governo, na tentativa de estimular o crescimento econômico, decidiu reduzir impostos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
"O governo tem feito a desoneração, mas ela não tem gerado crescimento econômico na medida do que é necessário, e ainda diminui o patamar de investimento em direitos sociais", disse Cara.
Segundo ele, "quem perde com a menor arrecadação de impostos é a população de baixa renda que precisa de serviços públicos como a educação e a saúde", já que o Tesouro não reduz a defasagem de recursos destinados às áreas sociais. "Está prejudicando quem é sempre prejudicado. Esse é o ponto que a gente tem que frisar e se preocupar."
Para a CNTE, o governo não está agindo "com prodência" ao prever que, no ano que vem, o reajuste será de 20,16%, segundo portaria divulgada no fim de dezembro. "Em 2012, mesmo ciente dos efeitos da crise mundial, a STN/Fazenda [Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda] estimou o crescimento do Fundeb em 21,24%, porém no dia 31 de dezembro, através de simples portaria, o órgão rebaixou a estimativa para 7,97%. E tudo indica que em 2013 o mesmo acontecerá", disse a entidade, em nota.
Valorização do professor
Cleuza, da Undime, afirma que, embora o reajuste tenha sido maior que a inflação, o salário-base do professor de educação do ensino básico com carga horária de 40 horas semanais ainda é muito baixo.
De acordo com ela, se o piso girasse em torno de R$ 2.500 mensais, não seria tão difícil contratar novos profissionais. Cleuza diz que o salário tem peso significativo para os jovens fugirem da carreira docente. "Mesmo nos grandes centros temos problema para conseguir professores, imagina em regiões mais afastadas como na região Norte do país. Temos de aliar o reajuste real, o ganho real ao plano de carreira para atrair os jovens. O professor tem de ganhar bem não só no fim da carreira, perto da aposentadoria, mas também no início. Temos melhorado, porém não avançamos como deveríamos."
Mudança do índice
A vinculação do reajuste automático anual do piso de professores à variação do valor por aluno do Fundeb sofre críticas de todas as entidades por sua instabilidade. De acordo com Eduardo Deschamps, secretário de Educação de Santa Catarina e um dos vice-presidentes do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), além de depender da arrecadação de impostos, que é variável, principalmente em tempos de crise, o reajuste é calculado com base nos resultados até dezembro do ano anterior, e o reajuste é aplicado a partir de 1º de janeiro. Porém, em abril, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) divulga o balanço consolidado do Fundeb do ano anterior.
Em 2011, o balanço final incluiu um ajuste de R$ 2,7 bilhões e elevou o valor por aluno de R$ 1.729,28 (valor usado no cálculo do piso) para R$ 1.846,56.
"Tem uma variação muito brusca de ano para ano, o reajuste foi de 22% no ano passado e quase 8% nesse ano. É um índice não muito estável, gera problemas na aplicação da lei", afirmou Deschamps.
O vice-presidente do Consed ainda criticou o fato de o índice usar duas variáveis do Fundeb: o valor da arrecadação e o valor anual por aluno. Como a cada ano o Censo Escolar se torna mais preciso e elimina matrículas duplicadas, o valor por aluno tende a aumentar também pela divisão do valor global pelo número de matrículas, que é cada ano menor. Pelos cálculos do Consed, o valor global do Fundeb cresceu menos de 7%, mas, com a divisão, o valor por aluno aumentou quase 8%, e foi essa a porcentagem considerada no reajuste de 2013.
Porém, as entidades ainda não entraram em consenso sobre uma alternativa ao regime atual de reajustes do piso. A proposta defendida pela CNTE calcularia a variação a partir de dois índices: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somado a 50% da variação global do Fundeb nos dois anos anteriores, considerando o valor consolidado de abril de cada ano vigente. Por esses cálculos, defendidos em um projeto de lei atualmente em tramitação no Congresso, o reajuste de 2013 seria de 9,05%.
Essa proposta, porém, não encontra respaldo no Consed --os secretários de Educação afirmam que esse indicador levaria em conta duas vezes a inflação (no INPC e na variação do Fundeb). Uma contraproposta descontando a inflação da variação do Fundeb também não tem unanimidade, pois alguns secretários dizem, segundo Deschamps, que "qualquer reajuste automático só poderia levar em consideração indicadores de inflação, não de ganho real".
O ministro Aloizio Mercadante afirmou, na quinta-feira, que o MEC pretende aproveitar o ano de 2013 para tentar chegar a um consenso entre todas as partes interessadas para que um novo índice seja definido e aplicado já em 2014.

Fonte: G1

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