quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Pesquisa aponta queda do analfabetismo em todas as regiões e todas as faixas etárias

Dados da Pnad de 2013 mostram que taxa de analfabetismo diminuiu de 11,5%, em 2004, para 8,3%, em 2013

O analfabetismo recuou em todas as regiões do Brasil e em todas as faixas etárias. A taxa de analfabetismo caiu de 8,7% em 2012 para 8,3% em 2013, considerando a população com 15 anos ou mais. Se a comparação for estendida para os últimos 10 anos, verifica-se avanço ainda mais significativo: a taxa diminuiu de 11,5% em 2004 para 8,3% em 2013.

Os dados integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2013, divulgada nesta quinta-feira, 18, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A apresentação contou com a participação dos ministros da Educação, Henrique Paim, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, e do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri.

Conforme o ministro Henrique Paim, é preciso considerar a história da educação brasileira para analisar estes resultados. Em 1950 um em cada dois brasileiros era analfabeto, relação que diminuiu de um para quatro em 1980 e de um analfabeto para cada 12 brasileiros em 2013.

Paim destacou que a taxa de analfabetismo na faixa dos 15 aos 19 anos, que caiu para 1% em 2013, é um resultado a ser comemorado. “Significa que o Brasil não está produzindo mais analfabetos, que fechamos a torneira. Isso demonstra o acerto das políticas públicas do governo federal, articuladas com estados e municípios”, afirmou o ministro.

Escolarização - A taxa de escolarização registrou avanço em todas as faixas etárias, com destaque para a faixa dos quatro aos cinco anos de idade, que passou de 78,1% em 2012 para 81,2% em 2013. De acordo com o ministro da Educação, o desempenho reflete as políticas de expansão da educação infantil. Entretanto, Paim reconhece que há desafios a serem superados em relação às demais faixas etárias. A pesquisa indicou ainda que, no ano passado, 98,4% da população entre os seis e os 14 anos frequentava a escola.

Anos de estudo – O levantamento indicou aumento na média de anos de estudo em todas as regiões brasileiras. A média nacional passou de 7,5 anos em 2012 para 7,7 anos no ano passado, tempo que é ainda maior entre as mulheres, atingindo 7,9 anos. Comparando às estatísticas dos anos 2000, a média saiu de 6,1 anos de estudo em 2001 para 7,7 anos em 2013, o que corresponde a um acréscimo de 26%.

A Pnad, elaborada anualmente, tem como base 362.555 entrevistas realizadas em 1.100 municípios de todos os estados e Distrito Federal em 2013, abordando temas como população, migração, educação, trabalho, rendimento e domicílios.

Fonte: MEC
http://www.todospelaeducacao.org.br

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Brasileiro não reconhece escola como instituição importante na formação da cidadania

Sistema de Educação Básica aparece em penúltimo lugar - atrás apenas do Judiciário - em avaliação da contribuição das instituições

O brasileiro não reconhece a Escola como elemento importante na formação da cidadania. O sistema de Educação básica aparece em penúltimo lugar - atrás apenas do Judiciário - em avaliação da contribuição das instituições para formação e disseminação dos valores cívicos feita em pesquisa da CPM Research com 1.110 entrevistados.

A família aparece em primeiro lugar, seguida da universidade, da mídia, da polícia e do Ministério Público.O estudo será apresentado hoje no Encontro Internacional do Ciclo Educação para o Futuro, na PUC-SP. Segundo o estudo, feito com habitantes das cinco regiões do país no início deste mês, os brasileiros não admitem ter deficiências na formação sobre o assunto.

A maioria se considera cidadão ativo por ter consciência de seus direitos e deveres.- As manifestações de junho de 2013 mostraram a nossa incapacidade no que diz respeito à cidadania ativa. Cada um saiu de casa com o seu cartaz, dizendo o que era importante para si, mas sem estar organizado. Isso vem de uma falta de formação no Ensino básico, que não nos ensina sobre nossos direitos e deveres como cidadãos - avalia Oriana Monarca White, diretora da CPM Research e membro do Núcleo de Estudos de Futuro (NEF) da PUC-SP.Entre as ações consideradas mais importantes para ser um cidadão ativo,

“Ensinar as crianças a serem cidadãos ativos desde os primeiros anos da Escola” aparece quinto lugar e “Acompanhar o trabalho dos representantes públicos” em nono, atrás, por exemplo, de “Ter um CPF”, em sétimo.Oriana desenvolve pesquisa de pós-doutorado sobre o tema. Ela compara a situação do Brasil com a de outros países como Itália e Espanha, onde o Ensino de cidadania ativa é orientado por programas conduzidos pelos ministérios da Educação. Durante um mês, a Professora aplicou métodos usados por esses países em duas Escolas públicas de São Paulo. O projeto envolveu exibição de filme, leitura de contos e fotografia.- A ideia foi fortalecer alguns preceitos e ensiná-las a se articular na hora de reclamar - conta Oriana.

Duas Educadoras italianas, Milva Valentini e Patrizia Bracarda, vão participar do encontro na PUC-SP. Depois de apresentar o projeto de pós-doutorado, em outubro, Oriana pretende enviar propostas sobre o tema para o Ministério da Educação:

- A discussão desse tema nas Escolas, desde muito cedo, precisa ser imposta pelo ministério. É incrível que a sociedade civil - através de ONGs, por exemplo - se organize para trabalhar com isso. Mas precisamos de leis tratando do assunto.



Fonte: O Globo Online

http://www.todospelaeducacao.org.br

Entidade diz que sistema atual de ensino não garante aprendizagem

Diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, defende estratégia inovadora para enfrentar os desafios atuais da Educação

A diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, defendeu hoje (19) uma estratégia inovadora para enfrentar os desafios atuais da educação. “Precisamos ainda de inovação, porque não dá para viver em pleno século 21 com uma educação que é reflexo do século 19 e 20, porque o sistema atual não está garantindo aprendizagem. A porcentagem de alunos que aprendem ao final de cada etapa é pequena e vai caindo no decorrer dos anos”.

Priscila apresentou a análise ao participar do fórum Educação e o Mundo do Trabalho: O Ponto Que O Brasil Precisa Construir, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. Para ela, é preciso criar a possibilidade de ter uma educação que sirva ao país, com todas as crianças na escola, garantia de que todos aprendam e equidade com resultados iguais.

Para a diretora do Todos pela Educação, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) que congrega diversos setores da sociedade civil, o conhecimento diversificado e complementar é o fator que mais explica o desenvolvimento de um país. “É isso que tem explicado que países tenham avançado economicamente de forma justa para seus cidadãos com maior distribuição de renda, qualidade de vida e de forma sustentável”. Segundo ela, isso está intimamente ligado com o tipo de educação que o país oferece.

O ministro da Educação, Henrique Paim, disse durante o evento que o Brasil tem feito um grande esforço para melhorar a educação, mesmo que o país tenha tido um despertar tardio a respeito do assunto e esteja pagando um preço alto por isso. Durante painel do fórum, o ministro ressaltou que há três elementos-chave para esse esforço nos últimos anos: estatísticas da educação, avaliação dos estudantes e financiamento da gestão.

“Constituímos no Brasil um grande sistema de avaliação e estatística dos mais modernos, com um cadastro atualizado todos os anos. O outro elemento é a avaliação que mede o desempenho dos estudantes desde a escola até os sistemas municipais e estaduais, o que tem que ser reconhecido como ferramenta importante para avançar na educação. O financiamento de gestão é o terceiro fator que permitiu que haja um padrão de financiamento para a educação, que faz com que criemos maior equidade entre os estados brasileiros”.

De acordo com Paim, o Plano Nacional de Educação (PNE) é diferenciado e trata de acesso e equidade, sendo uma grande oportunidade para o país, por tratar de todos os elementos fundamentais para o avanço da educação. “O PNE é o grande guia para que possamos, nos próximos dez anos, mudar a educação brasileira de forma estruturante. O programa surgiu de um grande debate e hoje temos uma outra perspectiva em torno da questão educacional”, afirmou.



Fonte: Agência Brasil

http://www.todospelaeducacao.org.br

Bibliotecas públicas podem ser obrigadas a ter pelo menos um exemplar da Bíblia

O autor justificou a proposta destacando a tradição cristã do País

Está pronto para ser votado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) projeto de lei que obriga as bibliotecas públicas do País a terem pelo menos um exemplar da Bíblia. O Projeto de Lei da Câmara (PLC) tem parecer favorável do relator, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

De autoria do deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), o projeto original determina que as bibliotecas públicas de todo o país mantenham em seus acervos pelo menos um exemplar da Bíblia.

O autor justificou a proposta destacando a tradição cristã do país e o fato de que poderá tornar acessível o exame do livro sagrado principalmente para as pessoas com dificuldades financeiras. A proposta foi aprovada por unanimidade em todas as comissões da Câmara dos Deputados.

Crivella apresentou emendas ao projeto para incluir a obrigatoriedade de versão digital da Bíblia nas bibliotecas que disponham de computadores com acesso à internet. Ainda segundo outra emenda do senador haverá apuração em processo administrativo disciplinar caso haja negligência no cumprimento da lei. Na terceira e última emenda, Crivella estabelece o prazo de 360 dias para que a lei gere efeitos.

Para o relator, a laicidade do país, definida na Constituição Federal, não induz à constatação de que o Brasil seja um Estado ateu.

— Eis que ela declara, expressamente, a crença em Deus, como se dessume da leitura do preâmbulo da própria Carta Magna.

Segundo Crivella à expressão em que o constituinte de 1988 invoca a proteção de Deus ao promulgar a Constituição.

O relator argumentou ainda que o projeto não vincula o país a religiões específicas e não dá exclusividade ou tratamento privilegiado às confissões cristãs. Para ele, não se pode dizer que a Bíblia é o símbolo de uma religião em particular.

— O projeto pretende, apenas, propiciar que as bibliotecas públicas disponham de exemplar da Bíblia Sagrada, em razão de seu reconhecido valor histórico e de formação de valores humanos compatíveis com uma sociedade plural, tolerante e voltada para a prática da solidariedade entre as pessoas e de amor ao próximo.

Se for aprovado pela CCJ, o projeto seguirá para a análise da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).


Fonte: Agência Senado

http://www.todospelaeducacao.org.br

Controle escolar pela internet

Através do sistema Educar Web, os pais da rede municipal também poderão acompanhar a vida dos filhos pela rede

Se educar é transferir conhecimento e observar o cotidiano para se adaptar, ficar atento às tecnologias e introduzir o Ensino em novas mídias se tornou uma necessidade. Por isso acompanhar as notas e a frequência Escolar dos estudantes de forma online não será privilégio da rede particular de Ensino de Rio do Sul e outras cidades como Blumenau. Através do sistema Educar Web, os pais da rede municipal também poderão acompanhar a vida Escolar dos filhos pela internet. Os primeiros testes do projeto piloto começaram em fevereiro no Centro Educacional Prefeito Luiz Adelar Soldatelli (Ceplas).

Hoje apenas os 760 Alunos do Ceplas possuem cadastro efetivo no sistema, que segue em fase de desenvolvimento, mas a intenção é que as 10 unidades que oferecem Ensino fundamental sejam contempladas e atinjam um total de 2.523 estudantes a partir do próximo ano letivo em Rio do Sul.

– Vimos que a Educação estava carente neste aspecto tecnológico, daí pensamos primeiro em facilitar a vida do Professor e consequentemente do secretário Escolar na hora de imprimir os boletins e controlar as notas. Por fim possibilitar o controle dos responsáveis sobre a vida Escolar do filhos – explica o técnico em informática da Secretaria de Educação de Rio do Sul Diego da Silva Ossemer, que adaptou o sistema ao lado de Mauricio Berlanda.

O diretor geral do Ceplas, Paulo Wolf, confirma que a experiência na unidade com o maior número de Alunos tem sido bastante positiva e que os Professores ainda estão em fase de adaptação:

– Acredito que além de facilitar no dia a dia, o sistema vai estimular a participação dos pais na vida Escolar dos filhos. Mas é importante ressaltar que mesmo com o diário online, no final de cada bimestre o habitual boletim de papel não será extinto.

O acesso ao sistema poderá ser feito fora da Escola a partir do próximo ano letivo, logo após o período de matrículas.




Escola particular é veterana no método
Na Escola Barão do Rio Branco, em Blumenau, o Diário Online (Dol), com controle de notas e presença de forma virtual, foi implantado há 12 anos. O responsável pelo Núcleo de Tecnologias da Escola, Juliano Brune, ressalta que todos os 1,9 mil Alunos possuem acesso semelhante ao implantado em Rio do Sul. Outra plataforma que a Escola possui é o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Nele os Alunos podem interagir, rever conteúdos, entregar trabalhos Escolares, fazer pesquisas e avaliações complementares.

– O AVA propicia maior interação com conteúdos digitais e melhora o aprendizado de forma lúdica. Não há a necessidade de imprimir trabalhos, boletos e ainda colabora com a organização e gestão sustentável da Escola. A Educação não pode ficar parada no tempo, é preciso ser criativo e estar conectado para poder educar e passar o conhecimento da melhor forma possível. Desta forma, ganham os Alunos e ganham os Professores – salienta.

Sueleti Benner usa o sistema da Barão semanalmente para monitorar a rotina Escolar das duas filhas: Sasha Benner Bauer, 16 anos, e Sarah Benner Bauer, sete anos. Além de acompanhar as notas e a presença das meninas através da Escola, Sueleti faz questão de estar presente no mundo virtual:

– É importante acompanhar a rotina delas e online facilita muito. Apesar de não existir uma cobrança já que a Sasha sempre me conta como foram as provas e como estão as notas, é bom estar por dentro da vida Escolar das meninas – reforça.

Para Sasha o AVA facilitou na hora de estudar o conteúdo e fazer as avaliações pendentes:

– Antes eu precisava buscar mais informações sobre a matéria na internet e agora eu já tenho o material indicado pelo Professor. Consigo reforçar a nota e estudar em casa também – conclui a aluna.


Fonte: Jornal de Santa Catarina (SC)


http://www.todospelaeducacao.org.br

Jogos melhoram comportamento e assimilação do conteúdo

Ensinar habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, cooperação e autocontrole, pode ser mais fácil com a ajuda de jogos


Ensinar habilidades socioemocionais, como disciplina, organização, cooperação e autocontrole, pode ser mais fácil com a ajuda de jogos. Professores ouvidos pelo UOL afirmaram que essa prática melhora o comportamento dos alunos e a assimilação do conteúdo.

"Os que estimulam a violência e a agressividade para resolver problemas não são adequados. Mas aqueles que ajudam a seguir regras, comunicar-se, negociar e resolver problemas são muito bons", diz Alessandra Turini Bolsoni Silva, professora de psicologia clínica e do desenvolvimento da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), de Bauru.

As escolas Cruz de Malta e Padre Moye, em São Paulo, contam com a metodologia da Mind Lab, empresa israelense que utiliza jogos de raciocínio para o desenvolvimento dessas habilidades.

Os professores têm encontros de 45 minutos por semana com os alunos nas chamadas aulas de "Mente Inovadora", onde introduzem os conceitos de jogos de tabuleiro como bloqueio, damas, octi e abalone.

Leila Romero, docente de matemática na Cruz de Malta, afirma que houve um estranhamento quando sua escola aderiu ao programa. "Tudo que é novo assusta um pouco. Os pais perguntavam o que era isso, se seus filhos teriam aula de jogo", diz. "Mas sempre quis implementar jogos em sala porque tem tudo a ver com o desenvolvimento de raciocínio."

Elizabete Márcia, professora de matemática e ciências na escola Padre Moye, ensinou a metodologia com jogos de tabuleiro para seus alunos no 2º ano do ensino fundamental e conseguiu acompanhar o desenvolvimento deles ao longo de sete anos.

"Pude perceber um crescimento emocional e social. Além da melhor assimilação dos conteúdos, eles estão aprendendo a ter atenção antes de tomar qualquer atitude", avalia.

As escolas parceiras do projeto participam de uma Olimpíada Internacional, onde alunos de vários países que utilizam a metodologia com os jogos se reúnem para reforçar os conceitos aprendidos em sala de aula. As duas equipes brasileiras que disputaram a competição foram premiadas.


Conheça alguns métodos de habilidades socioemocionais

Método do semáforo
Ajuda a organizar os pensamentos e agir de forma consciente e com responsabilidade, assim como o semáforo orienta o trânsito. Habilidades envolvidas: Prestar atenção no entorno; distinguir características relevantes das irrelevantes; fazer escolhas a partir dos dados; elaborar um novo plano diante de mudanças no contexto; parar antes de agir (controlar a impulsividade) e atuar de maneira crítica

Método do detetive
Contribui na investigação de uma situação-problema para produzir pistas que possibilitam criar soluções. Habilidades envolvidas: Localizar a situação-problema; compreender que uma situação-problema pode ser decomposta em desafios menores; elaborar questionamentos como recurso para construir hipóteses e estabelecer conexões entre as pistas para encontrar soluções

Método da escada
Permite progredir passo a passo para atingir um objetivo. Cada etapa concluída auxilia a chegar a outra etapa, mais próxima do objetivo final. Habilidades envolvidas: Ter clareza do objetivo a ser alcançado; reconhecer a necessidade de um plano seriado de ações e resolver problemas passo a passo, através de uma sequência correta de ações

Método das aves migratórias
Contribui para atingir os objetivos grupais e individuais por meio do trabalho em equipe, em um clima de cooperação. Habilidades envolvidas: Refletir sobre o trabalho em grupo e o valor de cada membro em uma equipe; construir estratégias que desenvolvam a cooperação e a harmonia entre os componentes de uma equipe e conciliar os objetivos do grupo

Método do espelho
Implica na disponibilidade interna para se olhar e admitir fracassos e êxitos, colaborando para romper esquemas de pensamentos e superar barreiras emocionais para a construção de um esforço consciente que promova mudanças estruturais internas. Habilidades envolvidas: Reconhecer o fracasso, lidar com a frustração, não ter medo de errar; superar barreiras emocionais e reconhecer o êxito


Fonte: UOL Educação

http://www.todospelaeducacao.org.br

Brasil conquista quatro medalhas em olimpíada internacional de matemática

Delegação do País também obteve as primeiras posições na classificação individual

Estudantes brasileiros conquistaram duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze na 25ª Olimpíada de Matemática do Cone Sul, que terminou hoje (21) na cidade de Atlántida, a 47 quilômetros de Montevidéu, Uruguai. A delegação também obteve as primeiras posições na classificação individual.

"O resultado mostra o sólido treinamento que estamos tendo nos último anos. Mesmo nas competições que temos alunos mais novos, estamos tendo um desempenho diferenciado", diz o líder da equipe, professor Régis Prado Barbosa. "O Brasil cada vez mais vai tendo o trabalho reconhecido".

Essa foi a estreia de Barbosa como professor líder. Ele tem 24 anos e desde pequeno participa das competições. Em 2006, conquistou a medalha de prata. Foram as competições que fizeram com que tomasse gosto pelo ensino e passasse a preparar os próximos competidores.

A Olimpíada do Cone Sul é uma competição que ocorre anualmente desde 1988. A edição deste ano teve a participação de 32 estudantes de oito países. Para participar da competição internacional, o estudante precisa se classificar na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), competição que ocorre anualmente em escolas públicas e privadas de todo o país.

Os estudantes premiados passam por um intenso processo de seleção, que considera a colocação conquistada na disputa nacional, além dos resultados obtidos em provas seletivas e de listas de exercícios que são resolvidas ao longo de seis meses. Os quatro estudantes com as melhores colocações, e que satisfazem as exigências do regulamento da olimpíada, conquistam as vagas.

As medalhas de ouro foram trazidas ao país pelos estudantes Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, de 15 anos, de Vinhedo (SP) e Gabriel Toneatti Vercelli, de 16 anos, de Osasco (SP), enquanto João César Campos Vargas, de 16 anos, de Passa Tempo (MG) e Andrey Jhen Shan Chen, de 14 anos, de Campinas (SP), receberam as medalhas de prata e bronze, respectivamente.

Gabriel é um veterano em olimpíadas. Internacionalmente conquistou o ouro também na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Moçambique. Participa de competições desde a 5ª série. "Comecei a participar pela matemática, sempre gostei muito da matemática, achava as aulas da escola muito fáceis, queria saber um pouco mais", diz.

Hoje, ele transmite o que aprende também para outros estudantes, por meio do Projeto Voa! - Vontade Olímpica de Aprender, dá aulas para estudantes de escolas públicas. Recém-chegado do Uruguai, o estudante diz que a experiência foi inesquecível. "Além da matemática, conhecemos cidades novas, pessoas novas. Nosso hotel era em frente do mar. Íamos para a praia todos os dias".


Fonte: Agência Brasil

http://www.todospelaeducacao.org.br

Aulas de tecnologia ganham espaço e importância nas escolas

Ao mesmo tempo, muitos pais se sentem perdidos em meio a tanta informação nova e têm dúvidas sobre a real validade desse tipo de conhecimento

No próximo ano, em nove estados norte-americanos, a ciência da computação deixará de ser uma matéria eletiva e terá o mesmo valor de matemática e ciências. O que significa que 30 distritos escolares dos Estados Unidos terão aulas de codificação de computadores para turmas de ensino médio e fundamental.

No Brasil, a onda tecnológica também está adentrando as escolas com força. É cada vez maior o número de salas de aula com computadores dividindo espaço com cadernos e livros, e crescente a oferta de cursos extracurriculares. Ao mesmo tempo, muitos pais se sentem perdidos em meio a tanta informação nova e têm dúvidas sobre a real validade desse tipo de conhecimento.

Será modismo ou realmente as crianças nascidas nesse início do século 21 precisam aprender a lidar cada vez mais com computadores, não só como usuárias, como também no papel de desenvolvedoras de conteúdo?

As famílias também temem que o mundo high-tech engula as crianças e os jovens a ponto de eles não se interessarem mais por outros assuntos, como esportes. E mais: quem não fica com um pé atrás quando o filho passa horas navegando na internet: será que ele está seguro ou corre o risco de entrar em contato com pessoas más intencionadas?

Atentas às novas tendências e, ao mesmo tempo, alinhadas às questões apresentadas pelos pais, diversas instituições de ensino estão oferecendo cursos que ensinam a garotada a criar aplicativos e games, por exemplo.

"É uma forma de ensinarmos mais uma linguagem para os alunos e também como eles devem se comportar no ambiente digital com segurança e responsabilidade", afirma Renata Pastore, diretora de tecnologia educacional do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo.

Na escola, os alunos têm contato com tecnologia na sala de aula a partir dos dois anos para trabalhar com conteúdos curriculares tradicionais. Depois, do terceiro ano do ensino fundamental em diante, são oferecidos cursos não obrigatórios, como oficinas de games, robótica e de lógica de programação em "Scratch" (uma nova linguagem gráfica que permite criar animações e jogos, dentre outros produtos).

Renata diz que todos são ministrados por professores especialistas da própria escola e que a adesão atualmente é de cerca de 10% dos matriculados totais. "Não tratamos isso como modismo. São oficinas como tantas outras que temos, como as de esportes e artes. O papel da escola é oferecer e dar subsídios para os alunos escolherem a que querem se dedicar, sempre levando em conta que ter tempo livre é fundamental."

Mas, em meio a tantas novidades e boas intenções, muitos educadores alertam que os pais devem ficar atentos a alguns pontos básicos antes de liberarem os filhos para esse tipo de aprendizagem.

Maria Virgínia Gastaldi, mestre em educação e formadora do Instituto Avisa Lá, ONG de São Paulo destinada à formação continuada de educadores, recomenda conhecer o trabalho das escolas para se assegurar de que a tecnologia é uma das possibilidades, entre tantas outras, que as crianças têm direito a conhecer e experimentar. O importante é que ela esteja incorporada ao trabalho de forma a ser mais um recurso disponível para a construção de sentidos e significados sobre o mundo.

Escolas especializadas
Além das escolas regulares investirem no tema, estão surgindo as especializadas no assunto. Na Dragonbyte Escola de Criação Digital, em São Paulo, criada há cerca de cinco meses, crianças de oito a 14 anos aprendem não só a linguagem de programação, mas também a pensar no enredo, cenário e personagens de jogos, entre outras aplicações, que eles mesmos inventam e desenvolvem.

A missão dos professores é fazer com que os alunos usem a tecnologia como viabilizadora de seus projetos. "Temos um curso relacionado à moda, que possibilita criar a própria estampa e, em breve, ofereceremos aulas de animação 3D", diz Gislene Silveira, fundadora e coordenadora da empresa. Para ela, o importante é aprender a dominar a tecnologia para se expressar e intervir no mundo.

"Os cursos também despertam vocações e alavancam o potencial de alguns. As crianças chegam eufóricas porque vão poder mexer em computadores. Então, por que não usar essa energia para ativar a economia criativa, o potencial de trabalho no futuro?", fala. Na opinião de Renata, investir nesse tipo de educação para as crianças desenvolve habilidades empreendedoras como criatividade, criticidade, autonomia e espírito inovador.


Fonte: UOL


http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/31163/eles-crescem-e-se-afastam-das-bibliotecas/

Eles crescem e se afastam das bibliotecas

Na medida em que avançam as séries escolares, crianças passam a frequentar menos as salas de livros

Enquanto mais da metade (57%) dos alunos do 5º ano do ensino fundamental da rede pública utilizaram as bibliotecas e salas de leitura sempre ou quase sempre, apenas menos de um terço (30%) dos alunos do 9º ano o fizeram. A última avaliação nacional Prova Brasil evidenciou que o uso das bibliotecas nas escolas cai conforme os alunos avançam de série.

Para a psicopedagoga Betina Serson muitos são os motivos, e o principal deles é a falta de incentivo dos pais, da escola e dos amigos. “Desde pequena a criança tem que ser acostumada com os livros, principalmente pelo hábito de ouvir histórias. Assim o seu interesse em visitar as bibliotecas, seja para ter contato com os livros ou com as atividades do local, se torna natural”.

A pesquisa apontou também que enquanto 24% dos alunos do 5º ano frequentavam esses espaços de vez em quando, e 18% quase nunca, 35% dos alunos do 9º ano o faziam de vez em quando e 35,1% quase nunca. A pesquisa foi realizada em escolas que ofereciam bibliotecas e salas de leitura em 2011, o equivalente a 38% dos 156.164 estabelecimentos públicos de ensino básico do país.

Principais motivos

“Infelizmente, com esses dados concluímos que o incentivo à leitura vai caindo ao longo dos anos, e sabemos que isso é algo muito ruim”, afirma o gerente de Conteúdo do movimento Todos pela Educação, Ricardo Falzetta. Os motivos para essa redução variam, segundo ele, a começar pela falta de espaços de leitura adequados, carência de acervo diversificado e ausência de profissionais qualificados para atender aos alunos. O grande volume de conteúdo passado aos alunos dos anos finais do ensino fundamental e médio é outro fator relevante, segundo Ricardo.

A diretora de Educação e Cultura da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Ecofuturo, Christine Fontelles, acredita que nas escolas a literatura é pouca e sempre atrelada a tarefas. Para a psicopedagoga Valéria Tiusso, a leitura é “um dos mais importantes recursos que levam as crianças a desenvolverem o senso crítico, a perceberem o mundo a sua volta e a despertarem a sua emoção, o que propicia um crescimento saudável e prazeroso”.


Criando bons hábitos

“Os pais podem e devem frequentar mais as livrarias e bibliotecas. Hoje em dia, a maioria das livrarias tem atividades para as crianças e são de graça, principalmente nas férias e nos finais de semana. Na cidade de São Paulo há bibliotecas públicas muito boas e que também oferecem atividades para as crianças”, indica Betina Serson.

Para a psicopedagoga Fabíola Batista, a televisão, os celulares e a internet fomentam o afastamento entre crianças e livros, apesar de serem itens positivos para o seu desenvolvimento. Portanto, cabe aos pais refletir se a criança é capaz de usufruir deles sem se afastar dos livros. “A criança não tem maturidade para discernir que a leitura é importante para sua vida, portanto a sua interação com as tecnologias e com os livros deve ser monitorada”, diz.


Mais bibliotecas

O Plano Nacional de Educação estabelece a biblioteca como um dos itens de infraestrutura que devem existir em todas as escolas públicas de educação básica até o fim de 2024.

A avaliação Prova Brasil mostrou que 84% das bibliotecas e salas de leitura das escolas consideradas no levantamento, em 2011, tinham acervo diversificado, 76% estavam instaladas em lugares arejados e bem iluminados e 78% disponibilizavam um profissional responsável para atender os alunos.



Fonte: Jornal do Trem

http://www.todospelaeducacao.org.br

ONG capacita para a Educação prática em exatas

Com utilização de experimentos pelos professores, fica possível tornar aulas mais atraentes no Ensino Médio e descobrir talentos


O Brasil tem o mais recente ganhador do “Nobel da Matemática”, o carioca Artur Avila Cordeiro de Melo, de 35 anos, que neste mês foi escolhido pela União Internacional de Matemática para receber a Medalha Fields, maior prêmio da área no mundo. Mas a realidade da Educação básica brasileira está distante da excelência alcançada por Melo.
O País, por exemplo, ocupa a 58.ª posição entre 65 países na prova de Matemática do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Preocupada com o desempenho brasileiro na área de exatas, a ONG americana Worldfund capacita Professores de Escolas públicas da rede estadual de São Paulo para passarem o conteúdo do Ensino médio não só com teoria, mas também com experimentos práticos. Tornando as aulas mais atraentes, o projeto pretende aproximar os estudantes dessas áreas e, com isso, descobrir possíveis talentos que nem sabiam que tinham afinidade com as ciências exatas.

O passo escolhido para melhorar a performance dos Alunos é aperfeiçoar as aulas dos Professores. Para isso, a ONG capacita Docentes das disciplinas de Matemática, Física, Química e Biologia.

Chamado de STEM Brasil (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), a iniciativa da ONG no País começou em 2009 e, depois disso, já formou mais de 1,7 mil Professores em Escolas públicas de Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul. Só neste ano, ela promove a formação continuada de Docentes de 47 Escolas integrais e coordenadores pedagógicos de 72 Escolas integrais da rede estadual paulista. A estimativa de investimentos em 2014, feitos em parceria com empresas, chega a R$ 2 milhões.

As ações já renderam frutos: dentre as 47 primeiras Escolas integrais de São Paulo que aderiram ao projeto no ano passado, as que mais utilizaram as atividades propostas pelo programa mostraram um aumento de até 40% na nota de Matemática na Avaliação da Aprendizagem em Processo, aplicada pelo Estado.

Segundo a diretora executiva da Worldfund Brasil, Kelly Maurice, as atividades propostas para os Professores têm como foco o conteúdo exigido pelo governo para as séries do Ensino médio e também o que é cobrado nos principais vestibulares e no Exame Nacional do Ensino médio (Enem). “O foco são as habilidades necessárias para o século 21, para o mundo do trabalho e usamos muito o ‘link’ com vida real e com o dia a dia.”

Em cada um dos ciclos do projeto são contratados, em média, oito Professores formadores, que vão ensinar aos demais como incluir atividades práticas nas aulas. As primeiras experiências propostas pela ONG aos Professores são feitas com materiais básicos e de fácil execução. Os formadores propõem projetos complexos conforme os Docentes melhoram desempenhos.

Kelly explica que, com o projeto, os Professores formados em suas licenciaturas resgatam o gosto pelas disciplinas que estudaram. “A paixão pela matéria volta e isso acaba sendo contagiante para o Aluno.”

A Professora Mary Inez Galvão, de 56 anos, que dá aula de Física na Escola Estadual de Ensino médio Integrado Reverendo Tercio Moraes Pereira, em São Miguel Paulista, na zona leste, participa do projeto desde o ano passado. Ela tem acrescentado as atividades aprendidas a suas aulas. “Os Alunos conseguem ver conexão com conceitos históricos, teoria da Física e da Química, por exemplo.”

A estudante Marcela Cristina Lages Ribeiro, de 16 anos, aluna do 2.º ano do Ensino médio da Escola, conta que passou a entender mais as aulas das disciplinas de exatas e melhorou suas notas desde que passou a frequentar os laboratórios. “Não achava que tinha facilidade com Matemática. Nos laboratórios é mais divertido porque você vê que não é tão difícil e começa a entender como funciona a teoria na prática.”

Talentos. Segundo especialistas em Educação, quanto antes o Aluno for exposto a boas aulas de exatas ou de biológicas, mais fácil será captar um possível talento. Para a Professora Roseli de Deus Lopes, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), é importante ensinar desde cedo à criança como funciona o método científico. “A criança às vezes tem talento, mas não sabe. Se não tiver uma oportunidade de ter uma iniciação, talvez nunca descubra.”

O ex-reitor da USP Roberto Lobo diz que o estímulo a essas disciplinas deve ser feito ainda mais cedo que o Ensino médio. “Teria de trabalhar a partir do 4.º ano do Ensino fundamental, já fazer de forma lúdica, mas ir passando esse tipo de metodologia. Criatividade é sempre bom em qualquer época”, afirma.

Para Rafael Lucchesi, diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria, o fortalecimento do Ensino nessas áreas garante aos Alunos conhecimentos funcionais, independentemente da área em que passem a atuar. “Vai ser instrumento para construir outros saberes depois.”


Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)

http://www.todospelaeducacao.org.br

Projeto exige graduação em pedagogia para exercício de cargos de direção e supervisão escolar

Atualmente, a LDB permite que profissionais com pós-graduação em Educação, mesmo que tenham graduação em outra área, exerçam a atividade


A Câmara dos Deputados analisa projeto que exige graduação no curso de pedagogia para quem exercer os cargos de profissionais da educação. A proposta (PL 7014/13), do deputado Ademir Camilo (Pros-MG), estabelece que os cargos de administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional em educação básica deverão ser necessariamente ocupados por pedagogo.

Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - Lei 9.394/96) permite o exercício de cargos de direção e supervisão escolar também por profissionais com pós-graduação em educação, mesmo que tenham graduação em outra área.

Para Camilo, um profissional com formação em qualquer outra área de graduação superior, apenas com um título de especialista em educação, não tem uma base integral e humana suficiente para atender os alunos. De acordo com o deputado, “o exercício de determinadas funções requer uma formação consistente, robusta e embasada”.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Fonte: Agência Câmara

http://www.todospelaeducacao.org.br

Professora liga matemática ao cotidiano e é premiada

Docente de Apucarana é a única finalista paranaense a ganhar o Prêmio Educador Nota 10 deste ano. O conteúdo da disciplina foi associado à arquitetura


A iniciativa de aproximar a Matemática do cotidiano de meninos e meninas a partir de traços arquitetônicos rendeu o título de Educador Nota 10 à professora Marlene Garcia Alves, do Colégio Estadual Vale do Saber, em Apucarana, no Norte do estado. Ela está entre os 10 primeiros colocados — a única do Paraná, entre mais de 3,5 mil inscritos em todo o país — do prêmio promovido pela Fundação Victor Civita e continua no páreo para ganhar o posto de Educador do Ano, resultado que será conhecido em 20 de outubro.

Marlene sempre teve a iniciativa de apontar caminhos práticos para o conteúdo dado em sala de aula. Batizado de “Arquiteto por um dia”, o projeto da professora paranaense misturou conteúdos dos planos cartesianos e de Artes. Os alunos do 8.º ano do ensino fundamental foram desafiados a localizar pares ordenados em planos formados pelos eixos X e Y. Ao ligar os pontos, os estudantes se deparavam com fachadas de casas e prédios, como o da própria escola. As cores e os demais elementos que compuseram o cenário do trabalho ficaram a critério da turma.

“A minha ideia foi trazer um pouco do cotidiano para a sala de aula. Deixei que eles criassem seus desenhos também, apresentando sempre a sequência de pares. Alguns fizeram a fachada de suas casas”, conta. Segundo a professora, mesmo os alunos que não têm a Matemática como a disciplina favorita mostraram ter absorvido bem o conteúdo com o trabalho.

O importante, na avaliação de Marlene, foi também a possibilidade criada de apresentar a matéria e despertar nos estudantes vocações na área, como o desejo de seguir a profissão de arquiteto. “O professor tem de dar o pontapé inicial, precisa ser o condutor do ensino”, pontua.

Tributos

Ao longo de 22 anos de magistério, Marlene já desenvolveu outros projetos usando elementos da disciplina e externos para oferecer uma maneira diferente de aprendizado. Em uma dessas iniciativas, premiada em 2006 com o 2.º lugar do Concurso Agrinho, do Serviço Nacional da Agricultura (Senar), ela ensinou tributos a partir da criação de empresas fictícias pelos alunos. “Na Matemática, temos de tentar descontrair, trazer o que está fora para os conteúdos da sala de aula”, defende.

Entre os 20 melhores

Papelão é reaproveitado em aula de Artes e alunos entrevistam catadores

O Paraná também se destacou no Prêmio Educador Nota 10 com o trabalho da professora de Artes Marilza Ferreira da Silva, de Curitiba. Ela atua no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos da Cidade Industrial e ficou entre os 20 finalistas do concurso. A proposta de Marilza abordou o ensino de gravuras com o uso de materiais alternativos, como o papelão, e a importância da reciclagem para os catadores. A iniciativa recebeu o nome de “Gravura: papelogravura e a invisibilidade do catador”.

O papelão, explica Marilza, serviu para que os alunos desenvolvessem a matriz para criação das gravuras. Durante as atividades, ela trabalhou as obras do artista plástico curitibano Orlando da Silva. “Os estudantes ficaram impressionados com o que se poderia fazer com o papelão. Além do conhecimento sobre a técnica da gravura, algo pouco trabalhado em sala de aula, o projeto ajudou a abordar o trabalho dos catadores no dia a dia. Muitas vezes, eles são considerados ‘invisíveis’ pela as pessoas”, define.

A proposta saiu da sala de aula e contou ainda com entrevistas com esses trabalhadores. Marilza sustenta que não fez o projeto com a finalidade de concorrer ao prêmio, mas o fato de ter ficado entre os finalistas a estimula a criar outras ações com potencial humanizador. “Já estou trabalhando em outra proposta”, diz.

O prêmio

O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998 e já reconheceu o trabalho de mais de 180 educadores no país. A premiação é uma das mais importantes da América Latina no reconhecimento de iniciativas voltadas para alunos da educação infantil e do ensino fundamental. Entre os inscritos, os jurados selecionam 50 participantes, passam para 20 e chegam nos 10 vencedores. Cerca de R$ 2 milhões já foram entregues em prêmios.



Fonte: Gazeta do Povo (PR)

http://www.todospelaeducacao.org.br

terça-feira, 22 de julho de 2014

MEC inicia construção de currículo nacional

Ministério recebe hoje documento que será o 'desencadeador' do debate; base comum é cobrada por especialistas

O Ministério da Educação (MEC) dá hoje o pontapé inicial para a construção da Base Nacional Comum da Educação básica, que prevê o que os estudantes brasileiros devem aprender a cada etapa Escolar. Previsto na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), esse dispositivo nunca foi elaborado. É tido por especialistas como fundamental para a garantia da qualidade do Ensino. A Secretaria de Educação básica (SEB) do MEC recebe hoje um documento que será o “desencadeador” do debate.

O texto foi coordenado pela direção de currículos e Educação integral do ministério. “Estamos propondo uma discussão em regime de colaboração com o MEC na condução e uma participação mais ampla possível”, disse a secretária Maria Beatriz Luce. “O MEC está aberto a construir conjuntamente se a Base será menos ou mais detalhada.”

O País tem diretrizes com linhas gerais do que deve ser ensinado, mas cada rede é que define se terá um currículo. Assim, só 17 das 27 unidades da federação tem um currículo e a situação é ainda mais diversa nos municípios.Como novo documento, as redes contariam com uma base mais definida, a partir da qual cada secretaria defina como contemplá-la.

A base ainda permite guiar o processo de avaliação – hoje, são as avaliações que ditam o que as Escolas ensinam. A formação de Professores também será impactada. A articulação conta com o Conselho Nacional de Educação (CNE), de Secretários Estaduais de Educação (Consed) e da União de Dirigentes Municipais (Undime). “O compromisso é que o MEC coloque o documento para a apreciação online, e todo o País envie sugestões. Isso deve ocorrer até agosto”, disse Rosa Soares, do Consed.

Um grupo com mais de 40 especialistas e entidades também conversam há mais de um ano sobre o assunto, reunindo experiências internacionais e agrupando interessados. “Temos nos dedicado muito a levantar evidências, mobilizar e colocar o tema em voga”, disse Alice Ribeiro, integrante do grupo, que se encontra na próxima semana com a titular da SEB.

A ex-secretária de Educação básica do MEC Maria do Pilar Lacerda defende que o debate contemple um processo com etapas. “Quando estive no MEC, vários grupos leram a proposta e sempre havia divergências. Por fim, não conseguimos o formato ideal”, disse. “Se reunirmos dez especialistas, teremos dez definições.”

A criação da base comum tem resistência de alguns setores. O maior temor é por um engessamento da autonomia do Professor. A Professora Unicamp Helena de Freitas diz que a discussão não pode ignorar o que já existe. “É necessário colocar os Professores como protagonistas”, diz ela, presidente da Associação Nacional de Formação de Professores (Anfope).


Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)
http://www.todospelaeducacao.org.br

Educador preparado para derrubar barreiras

Vencer obstáculos como a distância entre a formação teórica e a prática da sala de aula exige atenção na formação inicial e continuada

Toca a campainha e a aula começa: na sala, os alunos, sentados em carteiras individuais, arrumadas em colunas, devem prestar atenção somente à voz do professor e ao conteúdo da disciplina, que ele organiza e esquematiza na lousa. Cada sala, aliás, agrupa geralmente alunos da mesma idade, que cursam o mesmo nível educacional, encerrada por quatro paredes; a porta de cada sala permanece a maior parte do tempo fechada, pois o assunto da aula é adequado apenas àquele grupo de alunos. Livros e cadernos de anotação não são compartilhados e as avaliações também são individuais. Os trabalhos, ainda que feitos em grupo, são entregues diretamente ao professor, que sozinho avalia o conteúdo e o esforço empreendido na pesquisa e na redação destes. Esse é o modelo de educação que os professores e todas as pessoas com 25 anos ou mais estão habituadas, pois foi nele que foram educados. Mas a escola do século XXI abre novos caminhos e propõe outros desafios.

A Gestão Educacional acompanhou o I Fórum de Qualificação Docente, ocorrido durante o GEduc 2014, no qual gestores e educadores se reuniram para debater a qualificação de professores e o preparo para a utilização das novas tecnologias em sala de aula. O desafio da qualificação docente é imenso, ao se levar em conta as dimensões territoriais do País. Com 5.564 municípios e dezenas de milhares de escolas, cada qual com desafios particulares e inseridas em um contexto único, a tarefa de formar educadores para um ensino de melhor qualidade, sem desprezar as particularidades de cada região, cidade e escola, apresenta-se como trabalho interminável. Vencer as barreiras impostas pela distância que se observa entre aluno e professor, bem como entre escola e comunidade onde ela está inserida, também é um enorme desafio, destacam os educadores ouvidos. Já o uso de novas tecnologias em sala de aula suscita diversos questionamentos: Como controlar o uso de tablets e iphones na escola, para que esses dispositivos sirvam como ferramenta didática, e não distração? E que lugar exerce a comunicação digital na alfabetização? Finalmente, qual o papel do professor diante da troca de informações no mundo digital: o de mediador ou o de censor? As respostas e as soluções para essas e outras questões não são óbvias ou definitivas, mas as perspectivas que se abrem nos debates apontam para uma escola mais aberta, cujo conhecimento é compartilhado, seja no mundo virtual ou com a comunidade onde está inserida.

Formação para a prática
Um dos maiores desafios que se impõe à qualificação docente ainda é a conciliação entre a didática aprendida na universidade e a aplicação prática desse conhecimento em sala de aula, o que exige habilidade de relacionamento e capacidade para compreender o ser humano que é o aluno. “As competências do educador têm uma dimensão técnica, pois ele precisa saber o que vai ensinar, além de uma dimensão pedagógica, pois é preciso saber o caminho que se vai percorrer. E o professor precisa conhecer seu aluno, saber que há uma relação entre pessoas, que esse sujeito é outro, o que constitui a dimensão estética do trabalho. A sensibilidade deve estar presente e ele tem que conhecer o contexto de seu trabalho, a comunidade, as políticas [públicas que afetam a comunidade]”, avalia Terezinha Rios, doutora em Educação e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Educadores (Gepefe) da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP). Ela enfatiza que ainda há muita distância entre o aluno e o professor, bem como entre a escola e a comunidade onde está inserida.

Foi pensando em derrubar parte dessas barreiras que a Secretaria de Educação de Belo Horizonte (MG) elaborou um programa de qualificação docente que envolve toda a rede municipal paralelamente a uma política de ensino integral, em que no primeiro turno há as disciplinas do currículo regular, enquanto no segundo turno as escolas promovem o encontro entre os estudantes e a cidade. Sueli Maria Baliza Dias, secretária municipal de Educação de BH, conta como funciona o programa: “O aluno que fica dentro da escola tem a oportunidade de conviver com outras habilidades, e desenvolver competências o torna um sujeito mais completo. Em nosso programa, o aluno passa cerca de nove horas na escola, mas convive com toda a cidade, pois não fica confinado aos muros da instituição. Visita museus, parques, tem aulas de dança, de esportes. Temos 650 parceiros para esse programa da escola integrada”, conta. Outra iniciativa é o programa Férias na Escola, em que os alunos podem passar parte dos meses de férias participando de atividades da instituição, o que também abre as portas da escola para as famílias. “O que queremos na escola não é só que o aluno aprenda os conceitos primeiros de leitura, escrita e matemática. Queremos que se torne um cidadão, que consiga conviver com o mundo e melhorar esse mundo”, diz a secretária.

A qualificação dos professores da rede de Belo Horizonte anda lado a lado com o projeto de abertura da escola, pois segue o mesmo espírito inclusivo. Sueli argumenta que a formação docente, principalmente a continuada, não se dá de forma individualizada. Não é, segundo ela, escolha exclusiva do professor o caminho a trilhar em uma graduação ou pós-graduação, pois essa escolha deve passar pela escola e por suas políticas e pelo trabalho coletivo da rede de ensino. Ou seja, para garantir o sucesso de um programa de formação continuada para os professores, é preciso oferecer boas condições de trabalho, bons salários e um plano de carreira associados ao programa.

Na rede municipal de Belo Horizonte, o programa de qualificação docente inclui formação externa – por meio de convênios com universidades para cursos de pós-graduação stricto e lato sensu – e formação interna, com encontros semanais com professores que discutem temáticas variadas. A formação interna é realizada de acordo com a carga horária do professor, que na rede da capital mineira é de 22 horas e 30 minutos semanais.

Terezinha Rios concorda que a qualificação do professor, bem como o planejamento de aula, devem ser remunerados. “Fiz um trabalho na Secretaria Municipal de São Bernardo do Campo [SP], onde há o projeto de o professor dispor de um terço de sua carga horária para aprimoramento”, conta. Medidas como um regime de dedicação exclusiva a uma única escola são essenciais para o sucesso de um programa abrangente de formação continuada, segundo a pesquisadora. Outra medida importante é diminuir o número de profissionais na área de educação em regime temporário. “A própria denominação 'temporário' já indica a situação precária de trabalho”, lembra Terezinha. “Algo muito importante para qualquer profissional é a segurança, a possibilidade de ter um contrato que assegure a continuidade do trabalho”, completa. Ou seja, é muito mais fácil dedicar-se a uma pós-graduação quando se tem segurança e horários definidos de trabalho.

O governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), tem um programa de formação continuada para professores da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio que inclui cursos curtos, a distância, de graduação (licenciatura) e de pós-graduação. Além dos programas de formação para professores, há também os para gestores. O e-Proinfo, por exemplo, é um ambiente virtual colaborativo de aprendizagem que permite a concepção, a administração e o desenvolvimento de cursos a distância, complemento a cursos presenciais, projetos de pesquisa, projetos colaborativos e diversas outras formas de apoio ao ensino a distância e aos processos de aprendizagem.

A importância do EaD
Segundo a secretária Sueli, hoje há 450 mil alunos cursando licenciatura na modalidade de ensino a distância entre os cerca de 1,4 milhão de estudantes de licenciatura nas universidades do País. E a opção não vale somente para aqueles que lecionam ou vivem em lugares distantes das universidades. Um exemplo é o curso de licenciatura em Ciências da USP, que forma professores de Ciências para o ensino fundamental. A graduação funciona na modalidade semipresencial, com aulas e trabalhos virtuais, além de uma aula presencial por semana, aos sábados. Boa parte dos alunos são professores atuantes da rede de ensino paulistana, que buscam melhor formação e moram na capital paulista. Os modelos semipresencial ou a distância oferecem a vantagem de economizar tempo de deslocamento para quem trabalha 40 horas semanais ou mais, como é o caso de muitos professores e gestores educacionais. Segundo dados da Prova Brasil 2011, 26% dos professores que responderam ao questionário afirmaram ministrar 40 horas-aula semanais e 23% afirmaram ministrar mais de 40 horas-aula semanais.

Terezinha concorda que as principais dificuldades da formação continuada são a própria organização do trabalho do professor, dos horários, e a disponibilidade de tempo para que ele possa participar de eventos ou outras atividades organizadas na escola. “O EaD acaba sendo visto como vilão da história por quem acha que o bom é o ‘olho no olho’, a modalidade presencial. Quando me perguntam o que acho do ensino a distância, respondo perguntando a que distância está do aluno o professor em sala de aula. Acho que temos de nos dispor a usar o que está à nossa disposição, principalmente tendo em vista nossos limites”, afirma ela.

Por que e como avaliar
Além da qualificação docente, a avaliação do professor é outra questão ligada ao desempenho. Leila Rentroia Ianonne é especialista em avaliar o desempenho de professores e alerta para o perigo que oferece uma avaliação enviesada e maliciosa aplicada aos educadores. “A avaliação tem caráter técnico, mas envolve questões éticas e políticas”, afirma. “Quem avalia deve saber que está em uma posição privilegiada, observando o outro, e isso pressupõe uma competência relacional extremamente elaborada. Quem avalia o professor deve sempre saber o que se quer com aquela avaliação e ter em mente que o professor é um intelectual cujo maior desejo é ser respeitado”, afirma Leila. Segundo ela, nunca se deve mascarar a intencionalidade da avaliação.

Leila ainda acredita que somente aplicar a avaliação, sem o empenho de entender o diagnóstico que ela oferece a respeito do trabalho da escola como instituição, não traz muitas vantagens. “A avaliação é importante para que a instituição encontre respostas para muitas das perguntas que a assolam”, afirma. Isso porque toda avaliação é um processo de forte conteúdo técnico, pois indaga sobre valores e significados sociais. “E não pode funcionar no improviso”. Todo processo avaliativo consome recursos, tempo, dinheiro, planejamento e envolve dimensões éticas e políticas do trabalho do professor e dos gestores. “Só vale a pena quando a escola sabe exatamente o quer com a avaliação”, afirma a especialista.


Fonte: Revista Gestão Educacional
http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/30726/educador-preparado-para-derrubar-barreiras/

Confira 10 perguntas e respostas para entender o Plano Nacional de Educação

Lei tramitou no Congresso Nacional durante quatro anos e estabelece 20 metas para serem cumpridas até 2023

O PNE (Plano Nacional de Educação) foi sancionado no último dia 26 de junho. A lei tramitou no Congresso Nacional durante quatro anos e estabelece 20 metas para serem cumpridas até 2023.

Entre os objetivos estão ampliar o acesso desde a educação infantil até o ensino superior, melhorar a qualidade de forma que os estudantes tenham o nível de conhecimento esperado para cada idade, e valorizar os professores com medidas que vão da formação ao salário dos docentes.

Abaixo, listamos 10 perguntas básicas que ajudam a entender melhor o PNE, como ele será colocado em prática e quais serão as suas consequências:

1. O que é o Plano Nacional de Educação?

O PNE (Plano Nacional de Educação) é uma lei ordinária, prevista na Constituição Federal, que entrou em vigência no dia 26 de junho de 2014 e valerá por 10 anos. Ela estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação. A partir do momento em que o PNE começa a valer, todos os planos estaduais e municipais de Educação devem ser criados ou adaptados em consonância com as diretrizes e metas estabelecidas por ele.

2. Quais são as metas do PNE?

O PNE tem 20 metas que abrangem todos os níveis de formação, desde a educação infantil até o ensino superior, com atenção para detalhes como a educação inclusiva, a melhoria da taxa de escolaridade média dos brasileiros, a formação e plano de carreira para professores, bem como a gestão e o financiamento da Educação. O plano também dá grande peso ao financiamento e ampliação dos investimentos. Conheça cada uma das metas.

3. Quanto o Brasil investe em educação atualmente?

A porcentagem do investimento público direto em educação, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) do país, foi de 5,3% em 2012, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A meta do PNE é que o país passe a investir o equivalente a 10% do PIB em educação. Isso deverá significar o montante de R$ 50 bilhões investidos anualmente em educação. Ou seja, o dinheiro destinado à educação deverá ser quase o dobro ao fim da vigência do plano, em 2023. Lembrando que a meta é que o investimento cresça gradualmente: a ampliação deve ser para 7% do PIB nos próximos cinco anos, chegando a 10% no prazo dos cinco anos seguintes.

4. De onde vai sair o dinheiro para aumentar o investimento em educação para 10% do PIB?

A lei de destinação dos royalties do petróleo, sancionada em 2013, estabelece que 75% desses recursos e 50% do Fundo Social do Pré-Sal serão destinados à educação. Esta é uma das principais fontes para se atingir, em 10 anos, a meta equivalente a R$ 50 bilhões anuais para a área. No decorrer da vigência da lei deverá também haver uma redistribuição orçamentária, especialmente do governo federal – que passará a ter maior participação no investimento total em educação, além da criação de novas fontes de recursos que garantam que o objetivo do PNE seja atingido.

5. O que é CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial)?

No prazo de dois anos a partir da vigência do PNE, será implantado o CAQi (Custo Aluno-Qualidade inicial), um valor nacional mínimo que deverá ser investido por estudante para garantir a qualidade do ensino a cada etapa da educação básica. O indicador será referenciado no conjunto de padrões mínimos estabelecidos na legislação educacional, e terá o financiamento calculado com base nos respectivos insumos indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem. O CAQi será progressivamente reajustado até a implementação plena.

6. O dinheiro do PNE poderá ser investido na educação privada?

O PNE prevê investimento na educação privada uma vez que estabelece, como estratégia para o aumento de matrículas no ensino superior, a ampliação de programas como o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) e o Prouni (Programa Universidade para Todos). Para a expansão de matrículas na educação profissional, também há a previsão de aumentar a oferta de financiamento estudantil que é oferecida em instituições privadas de nível superior.

7. O salário dos professores vai aumentar?

Este é um dos grandes desafios do PNE. Algumas das metas do plano envolvem diretamente o professor, a valorização do magistério e o investimento na formação e na carreira de docentes. A meta 17, por exemplo, estabelece o respeito a profissionais de magistério das redes públicas da educação básica, com o objetivo de equiparar seu rendimento médio ao dos profissionais com escolaridade equivalente. Portanto, o salário dos professores deve, sim, aumentar. Isto deve acontecer até o final do sexto ano da vigência da lei.

8. O PNE vai aumentar o número de vagas em creches?

Sim. A primeira meta do PNE trata da educação infantil, e estabelece que até o fim da vigência da lei deve-se ampliar a oferta de vagas em creches para atender pelo menos 50% das crianças de zero a 3 anos. A meta é, também, que esta fase do ensino seja universalizada até 2016 para crianças de 4 a 5 anos de idade. Ou seja: em 2023, metade das crianças de até 3 anos de idade deverão estar matriculadas em creches, e 100% das que têm 4 ou 5 anos de idade devem frequentar a escola.

9. O PNE vai aumentar o número de vagas no ensino superior?

Sim. A meta número 12 do Plano é elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.

10. Quem vai fiscalizar o cumprimento do PNE?

O próprio PNE estabelece que a execução e cumprimento deverão ser monitorados de forma contínua, com avaliações periódicas. São responsáveis por esta fiscalização o MEC (Ministério da Educação), a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, o CNE (Conselho Nacional de Educação) e o Fórum Nacional de Educação. O monitoramento será realizado por meio de documentos, como estudos do Inep, que devem ser publicados a cada dois anos durante a vigência da lei para mostrar a aplicação do Plano, e a realização de atividades como Conferências Nacionais de Educação. Os cidadãos que desejarem acompanhar o cumprimento das metas podem monitorar os índices no Observatório do PNE.


Fonte: Portal EBC
http://www.todospelaeducacao.org.br

Veja 12 tecnologias e tendências que devem estar nas salas de aula até 2019

Estudo internacional mostra como as tecnologias emergentes vão estar presentes na educação básica nos próximos 5 anos

Com o avanço tecnológico, o professor vai precisar mudar cada vez mais a forma como atua em sala de aula. Ele vai precisar perceber que não é mais a primeira fonte de conhecimento dos alunos e, a partir daí, assumir uma postura de mentor, ou seja, de um guia para o aprendizado dos estudantes.

Essa é uma das principais constatações do mais recente relatório do NMC (New Media Consortium), uma organização que conta com representantes de mais de 250 instituições de ensino espalhadas pelo mundo. O NMC produz, periodicamente, relatórios sobre tendências em diferentes níveis da educação.

Para este estudo, mais de 50 especialistas de todo o mundo foram selecionados para analisar as tecnologias emergentes e seu potencial impacto sobre o ensino e aprendizagem nas escolas.

O documento, que traz 12 tendências e tecnologias que devem se difundir na educação básica até 2019, aponta essa mudança na atuação docente como algo que deve acontecer entre um a dois anos.

A justificativa do relatório para que o professor mude sua forma de atuação em tão pouco tempo vem do crescente acesso à internet por parte dos alunos. Com mais informação à disposição, os educadores deixam de ser a primeira fonte de conhecimento e se tornam ainda mais imprescindíveis no papel de orientação e mediação.

Outra tendência apontada pelo relatório é a adoção de abordagens pedagógicas mais profundas. Pelo documento, estarão em alta estratégias que permitam que o aluno aplique, na prática, o que aprendeu. Com isso, é esperado que o estudante desenvolva habilidades para resolver problemas, enfrentar desafios e trabalhar colaborativamente.

Essas tendências, somadas ao avanço das tecnologias intuitivas - aquelas sensíveis ao toque e ao movimento -, vão trazer a necessidade de repensar ainda mais o próprio modelo vigente de escola.

Ainda segundo o relatório, tais práticas e os novos recursos pedagógicos vão demandar também um novo modelo de divisão do tempo que facilite a interação dos alunos com seus pares, com o professor e com as tecnologias.

Veja mais detalhes sobre os recursos e as tendências destacas pelo NMC aqui.


Fonte: Portal Porvir
http://www.todospelaeducacao.org.br

Opinião: Navegar, estudar e aprender

"Temos de migrar da formação de consumidores de leitura para produtores de conhecimento", afirma Beatriz Cardoso

Três verbos complementares entre si, que denotam atividades cognitivas diferentes, cada uma com sua especificidade. Todavia elas tendem a ser tratadas como se fossem a mesma coisa. Embora a relevância dessa afirmação pareça secundária, na prática, o fato de compreendê-las como ações equivalentes tem impactado o Ensino e a aprendizagem da leitura, bem como limitado as possibilidades de apropriação de conteúdos das diferentes áreas do conhecimento.

No Brasil, segundo os resultados do Sistema de Avaliação da Educação básica (Saeb 2011), apenas 40% dos Alunos do 5.º ano do Ensino fundamental atingiram um nível adequado em compreensão leitora. A situação é mais grave considerando as desigualdades regionais. No Norte e no Nordeste outros 40% se encontram num nível considerado crítico na realização das mesmas atividades (Brasil, 2006, 2012).

Tal urgência exige inovação, quase sempre atrelada à tecnologia. O envolvimento dos diferentes setores e a preocupação com o resultado da Escolaridade dos Alunos é um ótimo sinal, mas deve-se evitar o reducionismo, que pode pegar carona num panorama de crise. Com frequência, em diferentes fóruns, explicita ou implicitamente, surge o discurso que culpabiliza a Escola por tudo.

Há uma expectativa geral de se "tirar a Escola da caixa", que precisa mesmo ser revista. O desafio, contudo, é separar o joio do trigo, identificar as fragilidades e encontrar caminhos para tornar o sistema ajustado aos desafios contemporâneos.

A Escola pode cumprir papel relevante, desde que reorientada para isso. "Abandonar" esse equipamento, historicamente tão relevante, em troca da oferta direta ao Aluno, que desconsidera a mediação no aprendizado, transferindo-a para contextos virtuais e individuais com o apoio horizontal de uma rede de acesso à informação, pode incidir apenas na superfície do problema.

Navegar, estudar e aprender não são sinônimos. A oportunidade de acesso à internet e o contato com conteúdos de diversas áreas do conhecimento não promovem, necessariamente, capacidade de compreensão. A sociedade atual exige o domínio de práticas de leitura e apropriação de "chaves" para a análise e compreensão dos textos, bem como a capacidade crítica para lidar com as informações acessadas.

O desafio é aprender a decifrar, interpretar, analisar, parafrasear, reproduzir, citar, comentar e produzir textos escritos. Cada uma dessas dimensões requer aprendizagem específica, oportunidade e experiência com o objeto de conhecimento. Temos de migrar da formação de consumidores de leitura para produtores de conhecimento. Isso se faz não apenas por leitura, mas por meio da configuração de contextos intencionais em que o Aluno tenha a oportunidade de explorar essas diferentes dimensões.

A Escola pode e deve ter protagonismo nesse sentido. Em vez de criar atalhos que corram paralelamente a ela, precisamos encontrar caminhos que potencializem seu papel na sociedade atual. Como dar um lugar inteligente e generativo para a Escola e para o Professor?

Navegar consiste em categorizar, selecionar e identificar informação. Estudar equivale a saber estabelecer uma rede de conexões entre conhecimentos, experiência e informação. É preciso aprender a fazer isso. Mediar para construir categorias de análise, tornar observáveis determinadas dimensões de um texto, interagir e rever o conhecido, processar a experiência, pensar sobre o objeto de conhecimento, etc. Assim, estudar é aprender a trabalhar com textos escritos de maneira a construir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos.

A inclusão de milhares de Alunos nesse outro patamar, que transitem livremente pelas práticas próprias do discurso letrado, depende de um trabalho intencional e planejado. São necessárias estratégias que os auxiliem a se relacionar de um modo epistêmico com os textos, para que aprendam com e sobre eles, e não apenas para que extraiam informações pontuais sobre um tema em questão. E, nesse contexto, o Professor, como um parceiro experiente, tem papel fundamental.

É ao "desconstruir" os textos, estudando-os, segmentando-os, analisando-os e interpretando-os, que se avança. O segredo está em como ajudar os estudantes a entrar na camada interna dos textos, a explorar suas formas e características metalinguísticas. Estudar é, portanto, resultado de um conjunto de processos cognitivos que se manifestam por meio dessas microatividades, que se superpõem.

Uma das funções da Escola é criar condições para que cada Aluno possa experimentar, isoladamente e em conjunto, cada uma delas. É, no entanto, possível passar por uma Escolaridade que não produza esse contexto de aprendizagem. E na urgência de resolver tal problema há o risco de se investir em programas e propostas que, sob as premissas da inovação, da tecnologia da informação e da atenção individualizada ao Aluno, enfraqueçam cada vez mais a atuação do Professor e, em consequência, o tipo de relação que os Alunos têm com o conhecimento.
Quais serão as consequências individuais e coletivas dessa opção daqui a uma década?

Nesse contexto, se quisermos atingir todos os Alunos, e não apenas uma parcela que tem acesso a oportunidades contingenciais, devemos encarar os desafios de valorizar o papel da Escola, de investir na formação dos Professores e no desenvolvimento de conhecimento aplicável e de metodologias que lhes deem suporte. E se quisermos, de fato, garantir igualdade de oportunidades para todos, é mais racional e produtivo capacitar esse quadro, em lugar de criar soluções individualizadas, que vão direto a cada Aluno, como caminho de correção de um problema sistêmico.

*DOUTORA EM Educação PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), É DIRETORA EXECUTIVA DO 'LABORATÓRIO DE Educação' E FELLOW 2013 DO HARVARD AD-VANCED LEADERSHIP INITIATIVE


Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)
http://www.todospelaeducacao.org.br

No Brasil, diretores têm 7 anos de experiência; média da OCDE são 9

Segundo pesquisa, a experiência do diretor é construída com base na experiência como professor

Em média, os diretores de escola no Brasil têm 7 anos de experiência no cargo e já passaram cerca de seis anos em outra função administrativa e 14 anos como professores.

As informações são da edição 2013 da Talis, Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem coordenada mundialmente pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O levantamento foi divulgado no dia 25 de junho.

Segundo o histórico da pesquisa, a experiência do diretor é construída com base na experiência como professor. Na média, os profissionais dos 34 países e territórios que participam do levantamento têm 21 anos de experiência. Os países com profissionais com mais experiência de docência são Austrália (27 anos), Coréia (29 anos) e Japão (30).

Na lista de países com menos de 15 anos de experiência docente, estão Brasil, França, Islândia, Sérvia, Cingapura, Suécia e Abu Dhabi.

Tanto liderar uma escola quanto dar aula são responsabilidades que demandam, segundo o relatório. Em um dos extremos há profissionais cuja única função é a direção -- em nove países, mais de 90% dos diretores exercem a função por 90% do seu tempo, sem responsabilidades como professores. Na outra ponta, há países em que os diretores dividem seu tempo com a função docente (Bulgária, República Tcheca, Malásia e Eslováquia).

Se por um lado, há uma sobrecarga dos profissionais ao acumular funções, por outro, segundo o relatório, manter algumas responsabilidades como professor ajuda o gestor a manter proximidade com a atividade principal da escola, ensinar. Também costuma melhorar o relacionamento entre o diretor e os alunos e os colegas de sala de aula.

O que é a Talis
Talis é a sigla para Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning International Survey em inglês), coordenada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No Brasil, a coordenação da pesquisa fica por conta do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

A edição de 2013 é a segunda desde a criação do estudo, em 2008. Seu objetivo é levantar as condições de trabalho dos professores e o ambiente de aprendizagem nas escolas para amparar decisões de políticas públicas no setor.

Participaram desta edição 34 países (24 países da OCDE e outros 10 países parceiros, como o Brasil). Cerca de 106 mil professores responderam à pesquisa. No Brasil, foram questionados 14.291 professores do fundamental 2 e 1057 diretores de 1070 escolas. 


Fonte: UOL Educação
http://www.todospelaeducacao.org.br


Apenas 22% dos jovens mais pobres completaram o ensino médio aos 19 anos

Etapa final da Educação Básica deveria ser concluída aos 17 anos; entre mais ricos, índice de conclusão sobe para 84,1%. Para especialista, escola precisa se reinventar para atrair jovem

Permanecer na escola, quando se é pobre, é um grande desafio. Dados compilados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que, aos 19 anos de idade, jovens que já deveriam estar na universidade ainda estão longe de concluir a educação básica. Especialmente os mais pobres. Apenas 22,4% deles concluem o ensino médio nessa idade.

Entre o quinto (20%) mais rico da população, a realidade é bastante diferente, apesar de ainda não ser a ideal: 84,1% dos jovens de 19 anos já concluíram o ensino médio. O ideal é os alunos terminassem a educação básica com 17 anos. As desigualdades são ainda maiores quando a comparação é feita entre as regiões brasileiras.

Na região Norte, o percentual de concluintes do ensino médio com 19 anos assusta: é de apenas 14,3% entre os mais pobres e de 67,9% entre os mais ricos. A região Sudeste possui os números mais altos de conclusão entre os grupos – que são distantes entre si também: 87,2% dos jovens de 19 anos mais ricos terminaram a etapa, contra 34,2% dos mais pobres.

“Ao analisar o direito à educação, é preciso avaliar qualidade e equidade, sobretudo num país com a diversidade e as assimetrias sociais do Brasil”, ressalta Carlos Eduardo Moreno Sampaio, mestre em estatística e diretor de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em artigo publicado no livro O Enfrentamento da Exclusão Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O texto ressalta que entre 60% e 80% das crianças e dos adolescentes de 4 a 17 anos que não frequentam a escola são de famílias pertencentes aos dois primeiros quintis de renda familiar per capita: os 40% mais pobres. “Quanto menor a renda, maior a chance de uma criança nessa faixa etária não frequentar a escola”, diz.

Moreno acredita que programas sociais, como o Bolsa Família, e de ampliação da permanência na escola, como Mais Educação, têm contribuído para melhorar o cenário. “A escola tem papel central na superação desses desafios”, define. Ele reconhece que, mesmo entre a população de maior renda, a taxa de sucesso na progressão escolar não é adequada. “A chance de um jovem de 19 anos da região Sul ter o ensino médio concluído é pouco maior que 53%, número muito abaixo do ideal”, comenta.

Permanência e aprendizagem
Para especialistas, os dados mostram que, para além de colocar as crianças na escola, as redes precisam mantê-las na dentro, aprendendo na idade correta, para que a exclusão escolar não seja tão comum entre os jovens. De acordo com a Pnad 2012, havia 887.382 jovens de 17 anos que não frequentavam a escola, mais 495.660 de 16 anos e 271.162 de 15 anos.

Na opinião de Moreno, os dados mostram um problema “estrutural” da educação brasileira: “a baixa produtividade dos sistemas em produzir concluintes na idade própria”. Aos 6 anos, a frequência escolar das crianças é de 95,8%. Mas só 76% das crianças de 12 anos concluíram o ensino fundamental e, aos 16 anos, apenas 65,5% terminaram essa etapa (o que deveria ter ocorrido aos 14) e, aos 19 anos, menos da metade (49,7%) concluiu o ensino médio.

Júlia Ribeiro, oficial do programa de Educação do Unicef, ressalta que é importante ampliar o enfrentamento da exclusão escolar. “As áreas de educação precisam estar articuladas à saúde e à assistência social, por exemplo, para enfrentar o problema”, afirma. Para ela, o maior desafio é a escola “dialogar com esse adolescente para que ele permaneça na escola”.

A secretária municipal de Educação de Saloá (PE), Josevalda Cavalcante de Albuquerque, também defende um “ensino com significado para os jovens do ensino médio”. Ela critica a falta de prática no apoio aos professores que lidam com essa faixa etária. “Existem muitas formações, mas não para eles. O apoio fica no discurso”, diz.

Atendimento noturno
As matrículas no ensino regular noturno – que poderiam auxiliar os jovens trabalhadores, por exemplo – vêm caindo nos últimos cinco anos. Por um lado, os especialistas dizem que esse é um bom sinal, já que não é desejável manter adolescentes estudando no período da noite. Por outro, eles reconhecem que o atendimento em horário alternativo ainda é necessário.

Entre 2008 e 2013, o número de matrículas no ensino médio noturno caiu 25%. De 3.181.151 alunos em 2008, passou para 2.394.488 em 2013. “O desejo é acabar com o ensino noturno. Os bons resultados do ensino regular refletem no noturno. O que precisamos é trabalhar para que a educação no Brasil seja integral”, comenta Eduardo Dechamps, secretário de Educação de Santa Catarina.

“Quem dera que a gente não precisasse do ensino noturno, mas ele ainda é a porta de entrada ou o retorno das pessoas que não tiveram oportunidade no tempo ideal. Acho que a queda das matrículas do ensino regular à noite tem mais a ver com a Educação de Jovens e Adultos”, comenta Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

A Educação de Jovens e Adultos, o antigo supletivo, tem sido alvo de estudantes cada vez mais jovens. Mas não tem conseguido atrair todos que precisaria. Tanto no turno diurno quanto noturno, as matrículas caíram nos últimos anos. Entre 2008 e 2013, a modalidade perdeu mais de 1,1 milhão de matrículas. Só à noite, a queda foi de 22%.

“É preciso repensar o EJA em muitos municípios. Em outros lugares, pode ser que as matrículas estejam caindo porque a taxa de analfabetismo e a defasagem idade-série vêm diminuindo. É desejável que, ao longo do tempo, essas matrículas diminuam, mas é preciso analisar caso a caso. Os gestores precisam fazer busca ativa para resolver isso”, diz.


Fonte: iG
http://www.todospelaeducacao.org.br