quarta-feira, 17 de maio de 2017

Iniciativas mostram o impacto da educação no desenvolvimento da sociedade

Frente a um cenário complexo que marca o período atual da sociedade, com múltiplas crises que geram embates e polarizam as opiniões e os ideais, parece urgente que algumas causas possam ser tomadas como centrais e novos avanços possam ser dados. A educação desponta como uma delas.

Não é para menos, afinal, que diversas pesquisas têm destacado o impacto da educação em todos os demais setores da sociedade. Estudos mostram, por exemplo, que a cada três anos a mais de escolaridade média, um país pode ter um crescimento de mais de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e que cada ano a mais de escolaridade pode fazer com que um trabalhador ganhe 10% mais. Já na saúde, a alfabetização das mães pode reduzir pela metade o risco de crianças morrerem nos primeiros anos de vida.

No campo da segurança, o IPEA acaba de lançar uma nota técnica que aponta que a educação é o passo inicial para a redução dos homicídios. Para cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos nas escolas, há uma diminuição de 2% na taxa de assassinatos nos municípios.

Ou seja, fazer essa conexão com a vida das pessoas e mostrar a relevância que a educação tem em todo o desenvolvimento da sociedade é a estratégia, cada vez mais forte, que as organizações que atuam na área têm apostado para conseguir atrair mais pessoas para o debate e enfatizar a importância de se investir na educação.

Esse é o mote, inclusive, da nova campanha lançada pelo Todos Pela Educação (TPE): “Se você quer menos violência, menos corrupção, mais saúde, oportunidades iguais, mais emprego, mais sustentabilidade, você quer educação de qualidade para todos”.

Camilla Salmazi, gerente de Mobilização e Comunicação do TPE, destaca que a educação precisa ser entendida, de uma vez por todas, como a política mais estratégica para o desenvolvimento de cada um, da sociedade, do país. “Todo mundo diz que a educação é importante para o seu desenvolvimento pessoal, para conseguir bom emprego, mas acaba não tendo essa visão ampla do impacto da educação no todo. Se o país tivesse investido há muito mais tempo, com mais recursos e melhor em educação, hoje estaríamos em outro patamar. As pessoas precisam perceber que a educação afeta todas as áreas, não são coisas isoladas. Ela é fundamental para a transformação do mundo. Neste momento de país, então, a discussão se torna ainda mais relevante, pois precisamos pensar que nação queremos construir e deixar para os nossos filhos”, destaca.

Segundo a gerente, esse mote não ficará restrito à campanha – que conta com vários materiais disponíveis gratuitos para download, como banners, folders, cards para Facebook e vídeo – mas se tornará ainda mais forte nas ações do TPE até 2022, ano que marca a data para o atingimento das 5 Metas da educação. A ideia é conseguir envolver mais a sociedade e estabelecer ações conjuntas pela educação no período de 2018 a 2022, momento em que novos gestores públicos devem assumir, a fim de que tenham como prioridade a educação.

“Por isso o esforço de mostrar a relação da educação com todas as áreas. Não podemos mais ficar falando apenas para os educadores ou para aqueles que já se convenceram da importância da educação. Precisamos mobilizar toda a sociedade. A educação tem esse poder de transformação muito grande”, ressalta Camilla.

Educação e agendas globais

Estabelecer essa conexão direta entre a educação e o desenvolvimento justo, igualitário e sustentável também será uma das estratégias da próxima SAM, a Semana de Ação Mundial, uma iniciativa realizada simultaneamente em mais de 100 países, desde 2003, com o objetivo de envolver a sociedade civil em ações de incidência política em prol do direito à educação. Lançada pela CGE (Campanha Global pela Educação), a Semana exerce pressão sobre os governos para que cumpram os acordos internacionais da área, anteriormente o Programa Educação para Todos (Unesco, 2000) e, agora, os compromissos do Marco Ação Educação 2030 (Unesco, 2015).

De 2003 a 2016, a Semana já mobilizou mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Apenas no Brasil, já são 1,2 milhão de pessoas mobilizadas. Só no ano passado, mais de 210 mil pessoas participaram em todo o Brasil.

Coordenada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação há 13 anos, a SAM brasileira acontecerá neste ano entre os dias 4 e 11 de junho. Ela precede a data de aniversário do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (Lei n° 13.005/2014), sancionado dia 25 de junho de 2014, quando foi sancionado. Neste ano, o tema da SAM será “Pelo Plano Nacional de Educação rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, marcando um balanço da implementação da Lei do PNE, contextualizado com o monitoramento dos ODS no Brasil, com ênfase em educação, igualdade de gênero e fortalecimento das instâncias democráticas de participação.

Segundo Maria Rehder, coordenadora de projetos da Campanha Nacional, a proposta é mostrar que a educação é o caminho para o atingimento de todos os ODS. E, para tornar essa relação mais palpável, a Campanha decidiu enfatizar no PNE, para mostrar à sociedade de que o país já tem um caminho traçado e que os ODS poderão ser alcançados se houver um cumprimento pleno das leis vigentes tocante ao direito à educação e à necessidade de um chamamento nacional por nenhum retrocesso em termos de direitos humanos. Por isso, inclusive, que o mote deste ano da SAM será “Não vamos inventar a roda!”.

“Sabemos que o local no qual a política pública ganha vida no Brasil são os municípios. Por isso a nossa preocupação em mostrar o entendimento internacional dos ODS, mas valorizando o PNE a fim de trazer a discussão para os planos municipais de educação, que serão fundamentais para o cumprimento das metas. Além disso, queremos enfatizar a importância da intersetorialidade, aposta dos ODS, para essa roda girar”, comenta a coordenadora.

O ano 2017 é o terceiro de vigência do Plano e suas metas e estratégias com prazo previsto para 2015, 2016 e 2017 não foram integralmente cumpridas. Entre elas, é possível destacar por exemplo, o fato de que não foi elevada a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5%, conforme preconiza a meta 9 e não foi implementado o Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi) (estratégia 20.6) e o Custo Aluno-Qualidade (CAQ) ainda não foi definido (estratégia 20.8), o que quer dizer que não estamos financiando adequadamente nossa educação pública para que tenha um padrão de qualidade adequado, impactando, inclusive, no cumprimento de todas as demais metas e estratégias do Plano.

Por isso, uma das questões que serão trazidas na Semana de Ação Mundial 2017 e que impacta decisivamente na implementação do PNE é a Emenda à Constituição 95 (oriunda da PEC 241-55/2016), aprovada de forma acelerada no final de 2016, que estabelece um novo regime tributário e determina que nenhum investimento em áreas sociais poderá exceder o reajuste inflacionário por 20 anos. “Por isso, uma das pautas prioritárias da Campanha agora é a nova Lei do Fundeb, para que possamos prever recursos que garantam o PNE, incluindo o mecanismo do CAQi para pensar essa escola justa e com qualidade prevista na nossa Constituição”, completa Maria.

A Campanha convoca todos os grupos e organizações a se envolverem com a SAM, discutindo o tema e realizando atividades. “Fazemos, inclusive, um chamamento para o setor privado para que, além de priorizar a pauta da educação, garanta uma abordagem qualificada do tema com a contextualização das questões locais, valorizando as leis e as políticas públicas do setor em suas ações. É importante que o engajamento não seja só durante a SAM, mas o ano inteiro, para que possamos de fato fortalecer as iniciativas”, ressalta a coordenadora.

As inscrições para o recebimento dos materiais da Semana de Ação Mundial pelos Correios já estão abertas. No portal da SAM, também é possível acessar folders, cartilhas, vídeos e conferir dicas de iniciativas que podem ser realizadas, como, por exemplo, um passo a passo para promover uma Audiência Pública.

Ampliando o conhecimento

Conhecer os impactos da educação é um dos pontos fundamentais para poder fortalecer ainda mais o campo e envolver a sociedade no tema, garantem os especialistas. Essa é a aposta, por exemplo, do Observatório de Educação – iniciativa do Instituto Unibanco –, uma plataforma de análise de dados, referências documentais e acervo audiovisual com foco em Ensino Médio e Gestão em Educação.

O espaço virtual ainda está na versão beta, mas já pode ser acessada gratuitamente. O lançamento oficial da plataforma será em agosto. A ideia é disponibilizar informações de maneira a facilitar o acesso e a interpretação dos dados educacionais não somente aos pesquisadores e profissionais da educação, mas também a qualquer cidadão que se interesse pelo tema.

“Nossa expectativa é que o Portal dê mais transparência aos dados disponíveis para estimular estudos e pesquisas e para apoiar a tomada de decisão de gestores e profissionais da educação, com base em dados e evidências científicas”, ressalta Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco.

Até o momento, a plataforma reúne mais de 5 mil documentos, entre estudos, relatórios, dados, análises de indicadores, dissertações, artigos, periódicos, entre outros, e permite ao usuário pesquisar e cruzar informações sobre temas relacionados à Gestão em Educação e Ensino Médio como: avaliação, clima e ambiente escolar, currículo, diversidade, equidade, estrutura organizacional, fatores extraescolares, finanças, formação, juventudes, modalidades e níveis de ensino, práticas educativas e recursos humanos – entre outros.

A seção “Educação em Números”, por exemplo, reúne um conjunto de sistemas de indicadores educacionais, sociais e demográficos, os quais podem ampliar a compreensão dos fatores que ajudam a melhorar resultados no campo da educação. Os sistemas permitem que sejam elaborados diagnósticos que qualificam os desafios das redes de ensino no que se refere ao desempenho dos estudantes, a desigualdade de raça, desigualdade de gênero e ao abandono e evasão no Ensino Médio. Os dados podem ser visualizados em formato de gráfico, tabelas e mapas.

Já a seção “Luz, Câmera, Gestão”, apresenta vídeos e entrevistas com gestores escolares e estudantes sobre iniciativas na área que, aliando criatividade e bom uso dos recursos públicos, apontam soluções para superar problemas cotidianos.

É possível ainda acompanhar as notícias, reportagens e artigos sobre educação publicados nos 31 principais veículos de comunicação do Brasil, além de ter acesso a uma agenda de eventos com foco em Ensino Médio e Gestão em Educação em um calendário anual.
 

FONTE:http://gife.org.br/iniciativas-mostram-o-impacto-da-educacao-no-desenvolvimento-da-sociedade/

Em qualidade de vida, negros estão 10 anos atrás de brancos

Apesar de avanço maior do grupo, diferença persiste, afirma ONU

Taxa. Morro da Mangueira, no Rio: no estado, índice de qualidade de vida de brancos é 13,4% maior que o de negros - Pablo Jacob / Pablo Jacob/2-8-2016

RIO - Mesmo crescendo em um ritmo maior, o nível da qualidade de vida da população negra no Brasil está uma década atrasado em relação ao dos brancos. É o que mostra o mais recente estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) — órgão da ONU — em parceria com a Fundação João Pinheiro e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o documento “Desenvolvimento humano para além das médias”, divulgado ontem, entre 2000 e 2010 o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) da população negra cresceu, em média, 2,5% ao ano, acumulando alta de 28% no período, frente ao 1,4% anual dos brancos, ou 15% em dez anos. Mas, apesar do ritmo mais acelerado, só em 2010 o IDHM dos negros alcançou a pontuação (0,679) que já havia sido atingida pelos brancos uma década antes (0,675).

EDUCAÇÃO: MAIOR CONTRIBUIÇÃO

Em 2010, o desenvolvimento humano dos brancos já estava em 0,777. Era 14,42% maior que o dos negros, ainda que essa diferença tenha diminuído em relação a 2000, quando o IDHM dos brancos era 27,1% superior. O indicador varia de zero a um — quanto mais próximo de um, melhor o índice — e mede a qualidade de vida para além da renda, ao levar em conta critérios de saúde e educação.

Todas as três dimensões que compõem o índice avançaram nessa década. No caso da população negra, a maior contribuição para o crescimento do IDHM veio da educação, com uma alta média anual de 4,9%. A educação também foi a dimensão que mais avançou no IDHM da população branca, mas com taxa anual média de crescimento inferior, de 2,7%.

Com relação à renda, o estudo mostra um abismo entre os dois grupos. Em 2010, a renda domiciliar per capita média da população branca era mais que o dobro daquela da população negra: R$ 1.097, ante R$ 508,90.

Quanto à escolaridade da população adulta, 62% dos brancos com mais de 18 anos tinham o fundamental completo, ante 47% dos negros. A diferença na esperança de vida ao nascer entre brancos e negros era de dois anos, ficando, respectivamente, em 75,3 anos e 73,2 anos.
*Quanto mais perto de 1, melhor **Pessoas com mais de 18 anos

A ONU classifica o IDHM numa escala que vai de muito baixo (zero a 0,499) a muito alto (a partir de 0,800). Em 2010, brancos e negros estavam em um mesmo patamar de desenvolvimento humano em apenas seis estados — em Roraima, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Espírito Santo era alto e, em Alagoas, baixo para ambos os grupos.

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RJ: ENTRE OS MAIS DESIGUAIS

Em sete estados mais o Distrito Federal, os negros tinham desenvolvimento humano considerado alto. Nas 19 unidades da federação restantes, era médio. Para a população branca, dois estados mais o DF estavam na faixa de muito alto desenvolvimento humano, 23, em alto, e dois, na faixa de médio desenvolvimento humano.

As maiores diferenças percentuais entre o IDHM da população branca e negra, em 2010, foram observadas em Rio Grande do Sul (13,9%), Maranhão (13,9%) e Rio de Janeiro (13,4%).

Já as menores diferenças percentuais estavam no Amapá (8,2%), em Rondônia (8,5%) e em Sergipe (8,6%).

A maior redução na diferença entre o IDHM dos brancos e negros, de 2000 a 2010, foi observada em Santa Catarina (-0,047). Em contrapartida, Roraima apresentou aumento de 0,033 na diferença entre o IDHM dessas duas populações no período.

PORTO ALEGRE: A MAIS DESIGUAL

Também foram analisados indicadores de qualidade de vida por cidade, em 111 municípios brasileiros. A população branca possuía IDHM muito alto em 50 deles, enquanto a negra não havia alcançado esse grau de desempenho em nenhum deles. A desigualdade entre brancos e negros, em relação à qualidade de vida, é maior em Porto Alegre (RS), onde o IDHM da população negra foi 18,2% inferior ao dos brancos.

Em contrapartida, a menor diferença foi observada em Ribeirão das Neves (MG), onde o IDHM dos negros era 3,1% inferior ao índice da população branca.

Assim, o IDHM dos brancos variou entre 0,701 (Ribeirão das Neves-MG) e 0,904 (Vitória-ES), e o da população negra, entre 0,654 (Caruaru-PE) e 0,790 (Vitória-ES).

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Na dimensão esperança de vida ao nascer, os dados variam de 73,1 anos (Maceió) a 79 anos (Uberlândia), para a população branca, ao passo que, para a população negra, foi de 71,8 anos (Marabá) a 77,8 anos (Blumenau).

No quesito educação, oscilou entre 0,614 (Viamão-RS) e 0,890 (Vitória-ES), para a população branca, e entre 0,505 (Pelotas-RS) e 0,745 (Vitória-ES), para a população negra.

Por fim, com relação à renda, o ganho domiciliar per capita médio variou de R$ 469 (Caucaia-CE) a R$ 2.700 (Vitória-ES), para a população branca, e de R$ 345 (Caucaia-CE) a R$ 1.174 (Brasília-DF), para a população negra.

por Daiane Costa 

O que os jovens esperam do Ensino Médio?

A escola ideal garante segurança, infraestrutura, a inclusão de pessoas com deficiência e a presença constante dos professores. Estes itens não foram selecionados por idealizadores da educação, mas por quem mais precisa ser ouvido: os próprios alunos.

A pesquisa Repensar o Ensino Médio, iniciativa do Todos Pela Educação, que contou com apoio do Itaú BBA e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e realização da Multifocus, ouviu a opinião de 1551 jovens brasileiros entre 15 e 19 anos de escolas públicas e privadas sobre os professores, a participação social e a Educação Técnica. Os resultados podem servir de norte para a elaboração de políticas públicas educacionais.

Os quatro componentes destacados pelos estudantes como mais importantes são, ao mesmo tempo, os alvos de maior insatisfação em relação a suas escolas. Se para 85,2% dos estudantes a segurança é a maior prioridade, para 29,6%, ela é motivo de insatisfação, o segundo maior índice – em primeiro lugar, aparecem as aulas de informática.

A preocupação com a segurança é priorizada em todas as regiões do Brasil, mas outras categorias variam de acordo com a área. No Sudeste, Norte e Sul, prevalece a atenção às pessoas com deficiência. No Nordeste, professores assíduos são o ponto mais valorizado pelos estudantes e no Centro-oeste, a cordialidade dos funcionários.
 
Os jovens têm uma expectativa especial: que os professores sejam apaixonados por dar aula

O comprometimento dos alunos também aparece como destaque dos aspectos menos satisfatórios, em quarto lugar, ainda que represente o sexto item mais importante para a qualidade do ensino, também segundo eles. Estes dados podem demonstrar que os estudantes têm ciência de que a educação não depende somente de professores e da escola, mas deles mesmos.

Os entrevistados também apontam a necessidade de que os professores façam mais uso de tecnologia em sala de aula (52,9%), promovam visitas culturais (41,3%) e projetos interdisciplinares (34,2%). Especificamente sobre os docentes, os jovens têm uma expectativa especial: que eles sejam apaixonados por dar aula, e 80,9% deles estão satisfeitos com este item sobre seus professores. Em seguida, se destaca a relação que se estabelece em sala de aula: 79,5% dos estudantes espera que o professor não desista do aluno e 79,3% quer que eles cobrem e exijam comprometimento dos estudantes.

Para estes jovens, cursar uma faculdade é a principal motivação para obter o diploma do Ensino Médio. 71,4% deles afirmam que essa etapa da educação serve para prepará-los para o ingresso no Ensino Superior.

Destes estudantes, contudo, 86% alegam ter dificuldades para continuar os estudos. Entre as principais, aparecem obstáculos financeiros (42%) e problemas para conciliar trabalho e estudo (19%).
O que é a educação técnica para os jovens?

A maioria dos estudantes afirmou acreditar que uma formação básica, que os prepare para a vida profissional, é importante. 77,6% dos estudantes atribuem grau de importância 9 ou 10 para matérias dirigidas à formação profissional, técnica e aconselhamento.

Apesar disso, do expressivo assentimento, metade dos alunos do Ensino Médio regular ou da Educação de Jovens e Adultos (EJA) diz não conhecer nenhuma modalidade de Educação Técnica. A classe DE é a que mais desconhece a modalidade: 95% dos estudantes gostariam de saber mais sobre essa opção de ensino.

A substituição de um terço das matérias do Ensino Médio por disciplinas técnicas a escolha do estudante, caso a carga horária diária da etapa fosse de 5 horas, é aprovada por 76,% dos estudantes. A aceitação é maior na região Nordeste (85,5%), e menor na região Sul (44,6%).

Dentre os estudantes do Ensino Médio regular ou EJA, há ainda alta concordância de que o desestímulo para cursar o ensino técnico se deve ao processo seletivo ser muito concorrido (42,2%) e à falta de acessibilidade geográfica (39,6%).
Quem quer ser professor?

Embora 38% dos jovens já tenham pensado em ser professor, 23,5% disseram ter desistido da ideia. O grupo que pretende seguir a carreira é relativamente maior na classe DE (16,6%), justamente o grupo que requer mais apoio à permanência na universidade.

Os principais motivos associados à rejeição da profissão refletem aspectos relacionados à baixa valorização que a sociedade brasileira atribui aos professores. De acordo com os entrevistados, o pouco respeito dos alunos (20,9%), o baixo salário inicial (17,7%) e o pouco reconhecimento da sociedade (14,2%) fazem com que a carreira não seja uma opção.
 
Participação social

A pesquisa do Todos Pela Educação também procurou compreender de que forma a juventude tem se engajado: 43% dos entrevistados afirmaram ter participado de algum movimento social no último ano, sendo que 8% deles participaram de três ou mais tipos de articulação. Entre as opções relatadas estavam: manifestação pública (35,5%), abaixo-assinado (27,3%), greve (27,3%), debates (22,9%), atividades em grupos religiosos (19,9%) e voluntariado (14,3%).

Os criadores do estudo afirmam que investigaram a participação social para fortalecer as “instituições democráticas da escola e para que novos mecanismos de participação sejam criados, tema, por exemplo, das estratégias 19.4 e 19.6 do Plano Nacional de Educação (PNE)”.

por Ingrid Matuoka

FONTE: http://educacaointegral.org.br/reportagens/o-que-os-jovens-esperam-do-ensino-medio/

DESENVOLVIMENTO DA LEITURA

7 indicações para fortalecer a prática de leitura


A internet tem um vasto acervo que pode apoiar o processo de desenvolvimento da leitura. O especial "Vem que eu te conto", por exemplo, pode ser usado em sala de aula. Crédito: reprodução

Como já conversamos aqui, no Blog de Alfabetização, a construção de uma biblioteca digital pode contribuir para a organização e desenvolvimento do trabalho do alfabetizador. Esse acervo deve ser alimentado continuamente para ampliar nosso repertório e nos mantermos sempre atualizados. Por isso, no post dessa semana, sugiro materiais de acesso gratuito que exploram a leitura em vários de seus aspectos e que não podem ficar de fora da sua lista. São materiais que nos levam ao estudo e à reflexão sobre a importância da leitura no desenvolvimento das crianças e, consequentemente, na alfabetização dos nossos alunos. Compartilho algumas sugestões para que vocês possam se inspirar e fortalecer a leitura como uma prática constante em sua sala de aula:

Para compartilhar com os pais de seus alunos
Duas publicações que trazem dicas de como envolver e encantar as crianças com a leitura desde muito cedo, ainda na barriga da mãe, são o Passaporte da Leitura e o Passaporte Brincar de Ler. Partindo do princípio que nunca é cedo demais para desenvolver interesse pela leitura e que as atitudes dos pais são modelos nesse processo, ambas indicações trazem informações e dicas sobre como incentivar as crianças pelo mundo das letras de modo que ela também tenha uma participação ativa nesse caminhar.

Para além da escola, uma “prescrição médica”
A campanha Prescreva um livro: Fortalecendo o desenvolvimento e o vínculo é uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundação Itaú Social e Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e é baseada em evidências científicas sobre o impacto da leitura na infância. Esta recomendação é da Academia Americana de Pediatria e é inovadora, pois leva a importância da leitura também para dentro dos consultórios pediátricos como uma orientação às famílias.

Para habitar os livros
Confiar no texto, habitar os livros: boas práticas de leitura em bibliotecas comunitárias é uma boa indicação para se inspirar com experiências de leitura em diferentes espaços, além da sala de aula. Essa publicação – como indica o título – é um guia com sugestões de práticas para a promoção da leitura baseado na experiência das bibliotecas comunitárias do Programa Ler é Preciso. Apesar de ser voltado para esses profissionais, ela pode inspirar o desenvolvimento da leitura em nossas escolas.

Para aprofundar o entendimento sobre a leitura
Em Pra que serve a literatura?, nove educadores e pesquisadores conceituados, como Ana Maria Machado, Betty Mindlin e Yves de La Taille propõe reflexões sobre o gênero de forma atraente, por meio de narrativas ao responder o questionamento: “Por que é importante ler literatura desde a primeira infância?”.

Para formar leitores
Uma boa sugestão são as revistas Na Ponta do Lápis. A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, responsável pelo produto, disponibiliza um acervo de mais de 10 anos com possibilidade de acesso online ou download. A revista é destinada a educadores para contribuir com ações de ensino da língua. Entre as edições, selecionei a nº 22 (acesse aqui), que tem como tema formação de leitores. Vale dizer que todos os números trazem estudos, reflexões e práticas sobre leitura e escrita.

Para explorar no digital
O Espaço de Leitura é uma plataforma digital, vinculada ao Laboratório de Educação, que proporciona uma experiência muito interessante com materiais de qualidade para crianças, pais e educadores. Nela você encontra livros digitais e orientações de como explorá-los com as crianças. Tem até jogos educativos sobre as leituras propostas. Tudo com a coordenação de Ana Tebesrosky, da Universidade de Barcelona, conhecida aqui no Brasil pelos seus estudos e pesquisas na alfabetização. Entre esses conteúdos disponíveis, recomendo as orientações de Teberosky sobre o conto “A receita de Mandrágora”. Tudo muito bem explicado e só entrar e explorar esse rico acervo sobre leitura!

Para assistir com a turma
Ainda falando de gêneros literários, o especial “Vem que eu te conto!”, da NOVA ESCOLA, traz vídeos de leituras de contos, canções, poemas, crônicas e outros formatos textuais sendo lidos por seus autores ou um contador de histórias. Além de trabalhar os vídeos, os textos estão disponíveis para impressão. Além disso, o site traz vários materiais para auxiliar os professores nesse processo de construção de leitores. Vale dar uma busca no site!

Espero que tenham gostado das minhas sugestões e aproveitem esses materiais gratuitos disponíveis para download para turbinar a leitura de seus alunos e pensar sobre novas abordagens em sala de aula. E vocês? Quais materiais de leitura digitais compõe seu acervo digital e apoiam o dia a dia na sala de aula? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço e até a próxima segunda-feira!
Mara Mansani 
Blog de Alfabetização  
 
FONTE:https://novaescola.org.br

quinta-feira, 23 de março de 2017

Com apoio de Fundação Lemann e Google, NOVA ESCOLA publicará milhares de planos de aula gratuitos e alinhados à Base Nacional Comum

O projeto, anunciado nesta quarta (22), vai oferecer recursos pedagógicos de alta qualidade para ajudar os professores a garantir o aprendizado dos seus alunos


Jorge Paulo Lemann, criador da Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola, e Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, anunciam parceria das empresas para projeto que visa melhorar a Educação no Brasil (Foto: Laís Semis)

Ensinar bem é sinônimo de planejar bem. Uma boa aula, na qual o professor chega preparado para construir situações didáticas ricas e realizar intervenções que façam a turma avançar, gera uma aprendizagem efetiva e reflete no desempenho dos alunos. Foi com isso na cabeça que a Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola, e o Google anunciaram, nesta quarta-feira (22/3), uma parceira que dará muito subsídio para o trabalho docente antes, durante e depois da aula: a produção de milhares de planos de aula estruturados e alinhados à Base Nacional Comum Curricular, documento que determinará os conhecimentos essenciais para todos os estudantes brasileiros. Tudo será disponibilizado gratuitamente.

"O mundo será muito melhor com a conectividade que o Google traz para ele. É uma honra estar associado a essa empresa em um projeto para melhorar a Educação no Brasil", disse Jorge Paulo Lemann, criador da Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola. "Com esse parceria, poderemos contribuir para preparar os professores, de forma que eles tenham mais sucesso na sala de aula", complementou Fábio Coelho, presidente do Google Brasil.

O projeto será realizado por NOVA ESCOLA e, até 2019, qualquer professora ou professor brasileiro terá acesso a 6 mil planos de aula multimídia, de todas as disciplinas, da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental. O material trará estratégias claras de como ensinar os conteúdos previstos no currículo para estudantes em diferentes níveis de aprendizagem, dicas e orientações para o professor aplicar as atividades em sala de aula, além de vídeos e sugestões de exercícios e avaliação. A expectativa é de que, em dois anos e meio, o projeto colabore com o trabalho de milhões de educadores brasileiros.

Tudo será desenvolvido por professores experientes e conectados à realidade da sala de aula e revisado por especialistas nas disciplinas. Os educadores interessados em colaborar com o projeto poderão se inscrever nas chamadas públicas que acontecerão nos próximos meses. O trabalho será remunerado.

E quem não tem acesso fácil à internet na escola durante o planejamento pode ficar despreocupado. A plataforma que abrigará o material está sendo projetada para funcionar mesmo com baixa conectividade, tanto no computador quanto no celular.

O projeto será financiado por uma doação do Google. A ação é parte de um compromisso de dois anos da empresa para apoiar organizações sem fins lucrativos na qualificação da Educação no planeta. Além de NOVA ESCOLA, outras nove instituições ao redor do mundo foram selecionadas para o programa. “Nosso objetivo é garantir que todo professor brasileiro tenha recursos excelentes para engajar seus alunos e garantir a aprendizagem deles”, afirma Leandro Beguoci, diretor editorial de NOVA ESCOLA. “Ao oferecer esses recursos, queremos contribuir para que cada educador tenha prazer em ensinar. E, ao ter essa satisfação, espero que ele desperte em cada aluno o prazer em aprender”.
Laís Semis
  
Fonte:https://novaescola.org.br

5 passos para os dados tabulados no diagnóstico fazerem a diferença na escola

Os diretores precisam participar do processo atentamente para dar sentido ao que foi apurado e garantir que o trabalho não acabe simplesmente como mais uma avaliação escolar.

Crédito: Rafael Araújo
Para conhecermos melhor o que nossos alunos sabem e garantir as condições didáticas, nossa escola planejou aplicar um diagnóstico na volta às aulas. Desse modo, poderíamos retomar os conteúdos necessários e desenvolver práticas levando em conta os pontos fortes e fracos dos estudantes. Após a aplicação da avalição, planejamos um tempo para correção e tabulação destes dados junto à coordenação pedagógica.

A tabulação é um dos passos mais importantes desse processo porque é nela que teremos indicativos para conduzir um bom trabalho, principalmente no primeiro semestre. A colega Eduarda Mayrink já escreveu sobre isso do ponto de vista da coordenação no Blog das Coordenadoras aqui em GESTÃO ESCOLAR. Mas os diretores também precisam participar do processo atentamente para dar sentido ao que foi apurado e garantir que o trabalho não acabe simplesmente como mais uma avaliação escolar. Por isso, compartilho aqui cinco passos essenciais para se ter em vista nesse processo:

1) Mapeie todas as situações observadas a partir dos dados
A tabulação de dados indica os erros e acertos da turma sobre determinadas questões. Mas, para que as informações ganhem sentido e se transformem em ações, vale organizá-las de forma que se consiga identificar, por exemplo, alunos com mais ou menos problemas e conteúdos, disciplinas e turmas que necessitam de maior atenção.

2) Socialize as descobertas
De nada adianta guardar os resultados só para a gestão. É preciso que eles circulem entre direção, coordenação e corpo docente. Assim, além de se tornar objeto de conhecimento da escola, gera-se corresponsabilidade da equipe pelos resultados e mais pessoas podem sugerir soluções para os problemas identificados.

3) Planeje os próximos passos para reverter ou melhorar a situação
Ao identificarmos um problema, de qualquer instância, precisamos desenvolver um plano de ação. De acordo com a natureza do que foi identificado, essa ação pode ser elaborada de diversas formas: um grupo de estudo, atividades paralelas, conversa com a família, foco de acompanhamento pedagógico ou mesmo trabalhos voltados para formação continuada dos professores.

4) Acompanhe o desenvolvimento das ações definidas
Cada tarefa pode ser gerenciada por um membro da equipe gestora. Dentro disso, cabe acompanhar o processo para garantir não apenas que as ações sejam desenvolvidas, mas que sejam feitas corretamente e que tenham seus resultados medidos para saber quais ações funcionam melhor em cada circunstância.

5) Não tome os direcionamentos iniciais como definitivos
A cada etapa vencida é muito importante rever, retomar e replanejar ações para garantir que as necessidades dos estudantes estejam sendo atendidas. Vale fazer um novo levantamento e traçar comparações para ver as assertivas, aquelas já minimizadas e outras que ainda necessitam de atenção ao longo do ano letivo.

Essas cinco práticas enumeradas funcionam para outras análises que envolvam dados ou mesmo constatações feitas a partir do portfólio das crianças ou de observações em sala de aula. Elas contribuem para uma rotina que favoreça a aprendizagem significativa a partir das condições e problemas observados dentro das ações escolares, visando um trabalho consistente e que auxilie, de fato, a prática do professor em sala de aula.

Neste momento, nossa escola, está realizando essas ações dentro de um contexto mais amplo, pois, em 2017, há uma perspectiva de um levantamento em rede em nosso município. Temos um número considerável de alunos e estamos aprendendo e contribuindo para uma atuação coletiva que deve ajudar no amadurecimento de todos os profissionais.

E você, querido diretor, como tem visto e planejado esta prática na sua instituição? Compartilhe conosco para, juntos, aprendermos sempre mais e, assim, alcançarmos o tão sonhado ensino de qualidade. Sua contribuição é valiosa! Aguardo seu comentário.

Joelma Souza(Blog Na Direção Certa)
 
Fonte: https://gestaoescolar.org.br

 

PISO SALARIAL

Dê sua opinião: governo federal pode se tornar responsável pelo piso salarial dos professores

Agência senado
Proposições legislativas

PLS 155/2013

Diante das dificuldades financeiras de estados e municípios, o piso salarial nacional dos professores da educação básica da rede pública poderá passar ser pago pelo governo federal. É o que determina o projeto de lei do Senado (PLS) 155/2013, do senador Cristovam Buarque (PPS-DF).

O projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde teve como relator o senador José Maranhão (PMDB-PB). Agora aguarda votação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e, posteriormente, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Segundo o texto, o piso salarial deverá ser pago diretamente pela União a todos os professores que atuam na educação básica pública do país. O projeto estabelece como pré-requisito a seleção prévia dos docentes segundo critérios a serem definidos pelo Ministério da Educação 60 dias após o início da vigência da lei.

Qual a sua opinião sobre o projeto? Vote: http://bit.ly/PLS155-2013

Todas as propostas que tramitam no Senado estão abertas a consulta pública por meio do portal e-Cidadania. Confira: http://www12.senado.leg.br/ecidadania.

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Fonte: http://www12.senado.leg.br
 

Apenas 1% dos gestores brasileiros nunca deu aula

O dado é do questionário da Prova Brasil 2015, respondido por 52.341 diretores. Conheça o perfil desses profissionais

Manter a escola funcionando bem, com contas pagas, ambientes limpos, professores bem formados com materiais para trabalhar, comunidade participando e, sobretudo, alunos aprendendo são responsabilidades do diretor. É bastante coisa para dar conta, mas boa parte dos gestores brasileiros já tem experiência no assunto. 51% deles trabalham na área da Educação há mais de 20 anos e apenas 1% nunca trabalhou como docente antes de assumir a gestão. Os dados, divulgados pela plataforma QEdu nesta segunda-feira (20/3), são resultado dos questionários da Prova Brasil 2015, respondidos por 52.341 diretores sobre diversos temas, como problemas que afetam a escola, recursos humanos e financeiros, acessibilidade, formação e experiência.

Com base nos dados, GESTÃO ESCOLAR investigou o perfil de quem encara a direção das escolas brasileiras e descobriu que a gestão é dominada por mulheres (apenas 20% dos diretores são homens) e que maioria dos profissionais que atuam nesse cargo (43%) tem entre 40 e 49 anos. Quase metade deles (47%) se declara branco. Apenas 8% são negros.

O tempo de permanência no posto varia bastante: 32% dos nossos diretores estão no cargo de três a cinco anos, 21% de seis a dez e 7% estão há mais de 16 anos. Dos 52.341 profissionais que responderam ao questionário, 26% exerce outra atividade para complementar a renda – 6% deles trabalham com uma atividade que não tem relação com a Educação.

No que diz respeito à formação, 44% das diretoras e diretores cursaram Pedagogia e 43% fizeram licenciaturas. As faculdades privadas são responsáveis pela formação de 60% dessa população, as públicas, por 38%. Os outros 2% não concluíram o Ensino Superior. A modalidade presencial foi a mais cursada por esses profissionais (81%).

A continuação dos estudos no cargo é realidade para boa parte dos que assumem a função – 75% fizeram cursos de especialização e 3% têm mestrado. No entanto, para 7% dos diretores, as atividades de desenvolvimento profissional não tiveram impacto real na prática e, para 14%, tiveram impacto pequeno. Os preços dos cursos, os conflitos com horários de trabalho, a falta de tempo e de oferta na área de interessante aparecem como principais barreiras para o aumento do investimento em formação.
 

Laís Semis
Fonte:https://gestaoescolar.org.br

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Plataforma ajuda a trabalhar literatura em sala

Os planos de aula trazem uma abordagem interdisciplinar e podem ser usados por professores de diferentes áreas


Pixabay


Aliar o prazer da leitura à formação de leitores e ao aprendizado interdisciplinar. É com esse propósito que nasce o novo especial multimídia da Plataforma do Letramento, o Literatura na Escola.


Relacionando conteúdos de Literatura e Língua Portuguesa a diversos outros campos do conhecimento, a ferramenta traz planos de aula baseados em 30 livros como O bicho alfabeto, de Paulo Leminski, e Sagarana, de Guimarães Rosa.

Desta maneira, coloca em diálogo a tradição literária brasileira com outras linguagens e formas de expressão como teatro, cinema, ilustração, sarau, cordel e animação e envolve professores de diferentes disciplinas, proporcionando a adaptação dos conteúdos à realidade dos estudantes.

Um dos temas de aula, por exemplo, é o “Região amazônica: Literatura, História, Geografia e Biologia”, pautado na obra Dois irmãos (2000), de Milton Hatoum, e que estimula a produção de fanfictions. Além dos temas de aula, a plataforma reúne testes, jogos, uma midiateca e projetos de leitura desenvolvidos por educadores de várias regiões do país.

As atividades se baseiam no Mapa da literatura brasileira, outro especial elaborado pelo site que mostra autores e obras representativos da nossa cultura a partir de sua distribuição geográfica.
 
FONTE: http://www.cartaeducacao.com.br

Educação: Estagnados no fundo do poço

O bom resultado no Pisa de Vietnã e Estônia, países mais pobres e vulneráveis que o Brasil, mostra que não há justificativa para estarmos na lanterna em Educação


Os novos resultados do Pisa, divulgados na terça-feira (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostraram que, mais uma vez, o Brasil saiu mal na foto. O país está literalmente estagnado e, o que é ainda mais grave, num patamar muito baixo em termos de aprendizagem escolar. Ficamos bem atrás da média global, estacionados na rabeira de um ranking que inclui 70 países. Em ciências, área que em 2015 recebeu a maior atenção da OCDE, estamos entre os dez piores colocados, na 63ª posição. Marcamos 401 pontos, enquanto a média dos países desenvolvidos e emergentes foi de 493 pontos. São mais de 90 pontos de diferença, o que equivale a aproximadamente três anos letivos. É uma situação grave e que piora ainda mais se, em vez de considerarmos a média global, compararmos o Brasil aos países que estão no topo da educação mundial.
PROVA DE QUE NÃO HÁ DESCULPAS
Escola em Hanói, capital do Vietnã. O país, que há 40 anos era agrário e analfabeto, está entre os primeiros colocados em ciências (Foto: Nguyen Huy Kham/Reuters)

Em leitura e em matemática, que são as outras duas áreas avaliadas pelo Pisa, o quadro também é desalentador: seguimos no grupo dos lanternas, com a 59ª e 66ª colocações, respectivamente. Somente 40% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 da escala, considerado o básico da proficiência. Esse é o patamar de conhecimento minimamente necessário para que o aluno tenha uma participação plena na vida social, econômica e cívica das sociedades modernas em um mundo globalizado. Entre os países da OCDE, esse percentual equivale ao dobro e chega a quase 80%. Todo esse cenário mostra o fundo do poço a que chegamos, algo que as próprias avaliações brasileiras já vinham, ano a ano, indicando.

É absolutamente frustrante ver que continuamos patinando a cada nova edição de avaliação. Nem sequer temos boas perspectivas para, num futuro próximo, dar o salto de qualidade de que o Brasil tanto necessita. O país não pode se acomodar a esta situação grave e já velha conhecida, ou continuaremos colocando em risco o futuro de nossos jovens. Não existe país sustentável, tanto do ponto de vista social, como econômico, sem ter jovens bem preparados, capazes de responder às novas demandas do século XXI, com uma formação alinhada com as necessidades dos novos tempos de mudanças exponenciais, que sejam criativos, empreendedores e conscientes de seus papéis como cidadãos e profissionais.

Não podemos, simplesmente, assistir ao Brasil se distanciar a cada ano de países que lideram a educação mundial, como Cingapura e Japão. Por que não nos espelhamos nos saltos tão significativos que Estônia e Vietnã alcançaram, apesar de suas histórias tão difíceis? O Vietnã, é importante lembrar, viveu quase toda a metade do século XX envolvido em conflitos e guerras. Isso fez com que o país fosse, até 40 anos atrás, uma nação pobre, agrária e analfabeta. Mas, no Pisa 2015, galgou à 8ª posição em ciências, à frente de países como Reino Unido e Coreia do Sul, porque elegeu a educação como projeto de nação. Também não precisamos ir tão longe para nos inspirar. Basta olharmos para nossos vizinhos latino-americanos, como a Colômbia, o México e o Uruguai, que alcançaram em 2015 resultados maiores que o do Brasil, mesmo apresentando um investimento médio por aluno menor que o nosso.

Enquanto a educação não for tratada como a prioridade máxima do Brasil em todas as instâncias, como projeto de governo, nação e sociedade, será difícil assistirmos a uma real mudança, na velocidade de que necessitamos. O fato de o Ministério da Educação (MEC) lançar mão de uma medida provisória para fazer a necessária reforma do ensino médio é o retrato de que esta mudança não teria a prioridade que deveria no Congresso Nacional, que há cinco anos discute um projeto de lei para essa etapa da educação básica – a chamada escola do jovem. E, enquanto isso, só vemos crescer o número de jovens de 15 a 17 anos que estão sem estudar e sem exercer nenhuma atividade remunerada – um exército de 1 milhão de jovens, que representa um a cada dez adolescentes nessa faixa etária.

O que fazer para sair dessa situação? A forma mais eficaz de mudar o curso assombroso que percorremos hoje é o investimento no professor. Basta ver o que ocorre nos países que lideram o ranking do Pisa. Em nações como Cingapura, Coreia do Sul, Finlândia, Canadá e Japão, ser professor é sinônimo de prestígio social. Aqui, no Brasil, deveríamos começar pela atratividade, tornando a carreira do magistério objeto do desejo de nossa juventude. Hoje, em nosso país, apenas 2% dos estudantes que saem do ensino médio escolhem esse caminho.

Não é só a questão dos baixos salários que explica a baixa atratividade, como muitos costumam pensar, pois a diferença inicial diante de outras profissões do mercado é apenas 11% menor. O problema acontece no percurso da profissão, quando essa diferença salta para 43%. Portanto, a criação de um plano de carreira atrelado à formação continuada do professor e a seu desempenho docente deveria ser a maior de nossas prioridades. Não me canso de repetir que sem bons professores não há futuro. Precisamos atrair os melhores alunos para a carreira do magistério e aprender a formar bem nossos professores para o chão de escola.

Outro ponto fundamental é que o país estabeleça os direitos de aprendizagem para seus alunos, ao menos para cada uma das etapas da educação básica. É preciso explicitar o que cada aluno deve saber ao final de cada ano letivo. A Base Nacional Comum Curricular, cuja terceira versão ainda deverá ser encaminhada pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação, é uma esperança nesse sentido. O cuidado que devemos ter com a Base é assegurar que ela traga como direito de aprendizagem as demandas que os alunos têm no século XXI, que valorize o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e de colaboração tanto quanto o conhecimento teórico. Está nas mãos de nossos governantes não deixar que questões políticas e partidárias se coloquem à frente dos interesses da nação. O Brasil precisa dar o que é de direito a suas crianças e jovens, segundo sua própria Constituição: uma educação de qualidade e com equidade.
 
FONTE: http://epoca.globo.com/educacao/noticia/2016/12/estagnados-no-fundo-do-poco.html

Educação - Pisa: o diagnóstico de um apagão

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes mostra que 70% dos brasileiros não dominam o básico em matemática. Nossa educação está entre as oito piores do mundo

FLÁVIA YURI OSHIMA 
FONTE: http://epoca.globo.com
LIÇÃO DE INEFICÁCIA
Sala de aula no Brasil. Metade dos alunos não sabe interpretar textos (Foto: LEO DRUMOND/NITRO)
 
Treze milhões de adultos analfabetos, 33 milhões de adultos analfabetos funcionais – que reconhecem números e letras, mas não as interpretam – e 2,8 milhões de crianças entre 4 e 17 anos fora da escola. São tantos os dados alarmantes na educação brasileira que o país parece ter se acostumado ao espanto. Desperdício de potenciais, geração perdida e uma série de outros diagnósticos que deveriam ser encarados com seriedade tornaram-se, por tanta repetição, chavões da área. E, como ocorre com todos os chavões, deixaram de ser encarados com perplexidade.

Na última terça-feira, dia 6, a divulgação do ranking educacional Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) pode ter rompido esse estado de torpor. Pela primeira vez na história desse levantamento, o Brasil regrediu. Nossa nota em matemática recuou a níveis similares ao do ano 2006, período em que investíamos quase um terço do que aplicamos hoje na educação. Em ciências e leitura, as outras duas áreas avaliadas pelo Pisa, ficamos estagnados nos mesmos resultados de 2012, distantes cerca de 90 pontos da nota média do levantamento. “É a prova do fracasso retumbante e inaceitável de nossa Educação”, disse o ministro da Educação, Mendonça Filho, a ÉPOCA.

O Pisa é uma avaliação trienal feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre dezenas de países de todo o mundo. Nesta edição, foram 70 nações. Desde 2000, quando seu primeiro estudo veio a público, o ranking consolidou-se como o mais importante termômetro dos níveis educacionais de seus países. O Pisa avalia o conhecimento de crianças entre 15 e 16 anos sobre matemática, leitura e ciências. No ano passado, 23.141 estudantes brasileiros de 841 escolas (públicas e particulares) encararam dois dias de provas em todos os estados do país para a formulação do diagnóstico revelado agora.

A avaliação divide os resultados em seis níveis de proficiência. Cada um desses níveis indica as habilidades alcançadas pela criança. Mais de 80% dos estudantes brasileiros chegam, no máximo, ao nível dois dessa escala em ciências e matemática. Isso significa que dominam apenas a lógica básica dessas áreas. Em matemática, esse desempenho pífio tem um agravante. Mais de 70% dos alunos brasileiros não dominam os rudimentos da lógica. Em leitura, o Pisa indica que metade dos alunos brasileiros de 15 e 16 anos não interpreta o que lê. Na comparação com estudantes da mesma idade de outros países, os brasileiros têm um desempenho equivalente ao de alunos com dois ou três anos a menos de estudos.

A partir da observação do tipo de questão que os estudantes mais acertaram e mais erraram, um padrão emerge das três avaliações. Os brasileiros demonstraram dificuldade em interpretar dados e em explicar como aplicar os conhecimentos teóricos a situações práticas em questões dissertativas. O maior número de acertos ficou com as questões relativas a conteúdos teóricos de múltipla escolha. Na prática, isso significa que a maior lacuna no aprendizado dos brasileiros está na capacidade de análise e de estabelecer relações tanto entre fatos do cotidiano e teoria quanto em enxergar como as diferentes áreas do conhecimento se relacionam.

O Brasil está entre os cinco países que investem a maior parcela do PIB no mundo em educação. Em 2014 (último dado atualizado) foram 6% do PIB para a área, R$ 135 bilhões. Esse montante costuma impressionar. Porém, o investimento que faz diferença na qualidade da educação é o valor aplicado por aluno. Nesse quesito, o Brasil investe apenas 43% do valor gasto, em média, pelos países da OCDE. Os Estados Unidos gastam quatro vezes mais do que o Brasil por estudante do ensino médio. A Rússia, o dobro. Essa disparidade sempre serviu como escudo para justificar a má posição do Brasil no ranking do Pisa. Neste ano, perdemos o direito de usar essa desculpa. Albânia, Líbano, Colômbia e México, nações com investimento por aluno menor do que o brasileiro, nos ultrapassaram. “O modelo está esgotado. Não avançaremos mais sem preparar nossos professores”, diz Claudia Costin, professora da Universidade Harvard e ex-secretária de Educação do Rio de Janeiro.
 
Esses números terão um impacto negativo direto nos adultos que essas crianças virarão. Traduzir notas de testes educacionais em dados econômicos é uma maneira eficiente de mostrar qual pode ser essa consequência. Uma pesquisa recente, feita em parceria entre a OCDE e a Fundação ElDiálogo, projeta que o ritmo de crescimento do PIB do Brasil se acelerará 16% ao ano a partir de 2030 se cada jovem de 15 anos atingir a pontuação média da OCDE (420 pontos) na escala do Pisa. Por outro lado, se, no mesmo período, tivermos todos os alunos de 15 anos no ensino médio com o baixo desempenho de hoje, esse ritmo de crescimento se acelerará 3,5% ao ano. O estudo foi concluído antes da divulgação dos últimos resultados do Pisa. Até então, no ritmo de crescimento de 3 a 5 pontos a cada avaliação trienal, o Brasil levaria 27 anos para alcançar a média da OCDE em matemática. Com a regressão de 12 pontos, revelada agora, essa estimativa aumentou para 33 anos. “Não há possibilidade de desenvolvimento econômico sustentável sem o aumento da qualidade da educação”, diz Ariel Fiszbein, diretor da ElDiálogo e um dos responsáveis pelo estudo.

Outro estudo que atesta a falta de qualidade da educação brasileira foi encabeçado pelo economista Ricardo Paes de Barros, da Cátedra do Instituto Ayrton Senna no Insper, escola de negócios de São Paulo. A análise mostra que cada ano a mais de escolaridade no Chile, entre 1980 e 2010, proporcionou um ganho extra de US$ 3 mil por trabalhador. No Brasil, esse aumento foi de apenas US$ 200. Os brasileiros têm capacidade produtiva bem inferior à de chilenos com o mesmo número de anos de escola. A qualidade da educação desses países é a raiz dessa diferença.

Os dados são claros. Não há pacote de ajuste fiscal ou teto de gastos capaz de colocar o Brasil nos eixos do desenvolvimento sem uma educação de qualidade.
Pisa (Foto: epoca)