terça-feira, 8 de agosto de 2017

PROFESSOR

Condição social do professor no Brasil

Fala-se muito no Brasil, atualmente, na educação, na escola, na violência escolar e, finalmente no professor. Essa figura lendária que se tornou o professor, cada dia mais necessária ao mundo e a viver em situação social humilhante, degradante, tendo que correr de um lado para o outro e dar, assim, conta da formação de todos os brasileiros, de todas as profissões do mundo.

Dentre as numerosas questões a tratar, a resolver no Brasil, com urgência urgentíssima, tem-se o problema da formação continuada dos professores e até mesmo da formação inicial, além da baixa remuneração. Tudo isso junto compõe um cenário “preocupante”, de acordo com o consultor em educação da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha.

Ao comentar o estudo “Professores do Brasil: Impasses e Desafios”, lançado pela UNESCO, um educador lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás, apenas, dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%). A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil (4%).

Essa condição vergonhosa em ser professor, no Brasil, arrasta-se há séculos. E a imprensa tem chamado a devida atenção para o caos da profissão. Talvez deva ser mais incisiva e cobrar ações enérgicas por parte do Governo. A Revista Veja, já no ano de 2007, mês de março, publicou uma reportagem intitulada “Os quatro mitos da escola brasileira”: São eles: “o professor brasileiro é mal remunerado; a educação só vai melhorar no dia em que os professores receberem salário mais alto; o Brasil investe pouco dinheiro em educação; e a escola particular é excelente”.

O especialista destaca, entretanto, que é preciso “elevar o status” do professor no Brasil. A própria UNESCO, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de “uma verdadeira revolução” nas estruturas institucionais e de formação. Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado “de impacto”, segundo especialistas, trata dos salários pagos à categoria –50% dos docentes recebem menos de R$ 720 por mês. Uma vergonha para um país que deseja ser grande.

Também, o estudo alerta para um grande “descompasso” entre a formação teórica e a prática do ensino. Para estudiosos, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de “aliança” entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula e executar, dignamente seu magistério.

Como recomendações a UNESCO defende a real implementação de novo piso salarial – que dê dignidade aos educadores — e a política de formação docente, lançada, recentemente. Somente assim, acredita-se, esses podem ser “pontos de partida” para uma “ampla recuperação” da profissão no Brasil.

Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual. Pois sem professores bem formados e sem uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada.

Nesse cenário, o professor, principalmente aquele profissional da educação básica pública, ainda está longe de alcançar seu merecido reconhecimento social. Os salários, as condições de trabalho e a carreira, os critérios de formação e o acesso na rede pública – muitas vezes sem concurso público – revelam o descaso que muitos gestores insistem em manter na área educacional, embora os discursos dos palanques sejam diametralmente opostos. O país precisa introduzir a educação em seu projeto de desenvolvimento, sem o qual tanto o professor quanto a educação pública continuarão relegados frente a obras públicas, por exemplo, que servem melhor como marketing eleitoral.


Luísa Galvão Lessa – É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Presidente da Academia Acreana de Letra; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Pesquisadora do CNPq.

http://agazetadoacre.com

Enem 2017: Os três Temas de redação mais prováveis

E, para chegarmos a algum tema realmente provável, atenção aos seguintes assuntos!





Assunto 1: A Educação no Brasil

Por que falamos tanto sobre educação? Além da razão mais evidente, que é a de que sempre precisaremos refletir sobre educação em um país que almeja seu crescimento social, cultural e econômico, temos ainda outro motivo para os vestibulandos de plantão. Dá uma olhada nos temas anteriores do ENEM e vê se você não concorda com a gente: está pra cair um tema sobre educação, né? Um detalhe importante sobre esse assunto é que, se estiver lá na prova de Redação do ENEM de 2017, ele será apresentado como uma problemática, ou seja, ele vai constatar algo a ser repensado pela comunidade de estudantes. Um bom tema, nesse sentido, poderia ser: os caminhos para se conquistar uma educação de qualidade para todos os brasileiros.

• Consulte esses sites abaixo e tira suas próprias conclusões! Essas informações vão ajudar você na escrita – sem dúvida!

“Fundado em 2006, o Todos Pela Educação é um movimento da sociedade brasileira que tem como missão engajar o poder público e a sociedade brasileira no compromisso pela efetivação do direito das crianças e jovens a uma Educação Básica de qualidade” (Fonte: https://www.todospelaeducacao.org.br/quem-somos/o-tpe/).

“A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Aplica-se à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996)6, e indica conhecimentos e competências que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade”

“A reforma do ensino médio é uma mudança na estrutura do sistema atual do ensino médio. […] Ao propor a flexibilização da grade curricular, o novo modelo permitirá que o estudante escolha a área de conhecimento para aprofundar seus estudos. […] Com isso, o ensino médio aproximará ainda mais a escola da realidade dos estudantes à luz das novas demandas profissionais do mercado de trabalho.

Assunto 2: Trabalho X Trabalhador

A prova de redação do ENEM já repetiu temas ou assuntos! O trabalho (escravo e infantil) já apareceu nas provas de redação, e com as reviravoltas das reformas trabalhistas ele pode voltar! Com que cara? Quem sabe nos fazendo pensar sobre os direitos do(a) trabalhador(a), o trabalho no século XXI, a população idosa e o mercado de trabalho, a busca pelo (primeiro) emprego e etc. Um dica valiosa para um tema que trate desse assunto: interdisciplinaridade. Lembre-se de que você tem à disposição a História – com suas manifestações de trabalhadores ao longo dos anos; a Literatura – com narrativas que revelam as nuances entre empregados e empregadores; a Filosofia – com a noção de trabalho que joga com valor econômico e simbólico; e assim por diante. Não se prenda às relações mais óbvias, extrapole os textos de apoio.

• Fundamental estar por dentro da seguinte lei:

LEI Nº 13.467, DE 13 DE JULHO DE 2017 – Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis nos 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho.

• Ficou confuso? O Jornal El País vai ajudar você! Acessa aqui:


Assunto 3: Homofobia no Brasil

A discussão é de longa data! Não era pra menos! O ENEM prova que está sempre interessado em uma educação que também pensa a diversidade nos mais diversos campos. Quem sabe chegou a hora de tocarmos nesse assunto em uma prova tão importante como a que vocês vão fazer! É preciso estar preparado e, sobretudo, lembrar que o papo na redação deve respeitar todo e qualquer indivíduo! Não poderia ser diferente em qualquer outra situação, não é mesmo?

E você ainda pode estar se perguntando, será mesmo? Um assunto tão complexo? Os últimos temas da prova de redação do ENEM são tão densos quanto a alarmante constatação de que vivemos em um país que não respeita os direitos, as subjetividades e as vidas dos LGBTTTQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e queer). O desafio de conviver com as diferenças já foi tema em 2007 e poderia aparecer com outra cara: Como valorizar as diversidades garantindo o respeito às diferenças? ou ainda Direitos Humanos, o Direito de Todos?

E quer um companheiro incrível nesse estudo? O Dicionário de Gênero! Só acessar aqui: http://dicionariodegeneros.com.br/

Ou ainda Laerte-se, aqui:


*Camila Alexandrini é professora no Me Salva!, plataforma de ensino que já alcançou 28 milhões de estudantes, responsáveis por assistir 142 milhões de aulas. Acesse aqui: https://mesalva.com/

FONTE: http://sociologia.uol.com.br

Há laboratórios de informática em 81% das escolas públicas, mas somente 59% são usados

O número de professores que utilizam a internet em atividades com os alunos cresceu de 39% para 49%, mas a baixa velocidade da conexão ainda é um desafio para as públicas

O uso da tecnologia e o acesso à internet nas escolas avançam no Brasil. A maioria das instituições já possui ao menos um computador e 91% das escolas públicas afirmam ter uma rede sem fio. A conclusão, conforme contamos no Experiências Digitais, é da TIC Educação 2016, pesquisa feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). O levantamento, além de mostrar a necessidade de melhorar o acesso nas escolas públicas, também mapeou as barreiras que escolas e conjunto pedagógico enfrentam para melhorar o acesso.
Nas escolas públicas, antes de desenvolver novas práticas de ensino, ainda há 
o desafio de aumentar o número de computadores por aluno 
(Foto: Adam Berry/Getty Images)

As escolas privadas estão um passo à frente. Apesar de somente 47% delas terem laboratório, os alunos dessas escolas aproveitam a estrutura em sua totalidade. O porcentual baixo de escolas particulares com laboratórios deve-se ao fato de o uso de tecnologia nesses locais estar disseminado por vários locais da instituição, principalmente na sala de aula. Nas escolas públicas, ocorre o oposto. O acesso à internet e o uso de tecnologia se dá quase exclusivamente dentro dos laboratórios. Do total de escolas públicas brasileiras, 81% delas têm laboratórios de informática, mas somente 59% deles são usados. 

Dados do Censo Escolar computados pelo Todos pela Educação indicam que em muitas escolas públicas com laboratório os problemas de baixa conexão e equipamentos ultrapassados inviabilizam o uso da internet e de computadores. Esse problema é evidenciado pelos dados que a pesquisa TIC traz em relação aos diretores das escolas. Enquanto nas escolas privadas, os gestores (36%) querem desenvolver novas práticas de ensino nas escolas com o uso da internet, nas públicas, o desafio ainda está relacionado com a infraestrutura: 32% dos diretores querem aumentar o número de computadores por aluno antes de se preocuparem com a aplicação.

Em geral, a percepção sobre o uso da tecnologia nas atividades pedagógicas é percebida de maneira positiva pelos professores. Na avaliação, 77% concordam que passaram a se comunicar com alunos com maior facilidade, 85% a adotar novos métodos de ensino e 94% passaram a ter acesso a materiais mais diversificados ou de melhor qualidade. 

As ferramentas de tecnologia se fazem presentes pela ação dos professores. Houve um aumento geral de educadores que utilizam a internet do celular em atividades com os alunos (tanto em escolas municipais, como em estaduais e privadas), de 39% em 2015 para 49% em 2016, principalmente no 5º ano do ensino fundamental, que saltou de 35% para 61%. Entre os alunos, a utilização da rede para os estudos é mais intensa fora do que dentro da escola. Uma das explicações para isso é que, além da infraestrutura, há uma questão cultural nesses espaços: 61% dos alunos não acessam o Wi-Fi por causa do uso restrito de senha.

A pesquisa TIC Educação busca mapear, desde 2010, o uso e o acesso das ferramentas tecnológicas em escolas. O levantamento é feito com alunos, professores e coordenadores pedagógicos.

GABRIELA VARELLA

FONTE: http://epoca.globo.com

Uso das tecnologias ainda desafia escolas brasileiras

Além de superar questões de velocidade e acesso a internet, escolas precisam se adaptar à cultura digital


Se a presença de ao menos um computador é uma realidade para a quase totalidade de escolas urbanas no País, ainda sobram desafios quando se pensa o uso qualificado dessas tecnologias pela educação.

Dados da Pesquisa TIC Educação 2016 divulgados na quinta 3 mostram que a velocidade da conexão é um deles. 45% das escolas públicas ainda não ultrapassaram 4Mbps de velocidade de conexão à Internet, e 33% delas possuem velocidades de até 2Mbps.

Outro ponto que chama atenção na pesquisa são os locais em que a internet se encontra disponível nas escolas. Tanto na esfera pública como na privada, ainda é maior a predominância do acesso nas salas de coordenadores pedagógicos ou diretores ou nas salas dos professores ou de reunião, o que pode inviabilizar a criação de práticas pedagógicas em diálogo com a tecnologia.

O uso das redes WiFi poderia suprir esta questão, já que os celulares vêm sendo amplamente utilizados por professores e alunos como ferramenta de acesso a internet – segundo a pesquisa, 49% dos professores usuários de Internet declararam utilizar o celular em atividades com os alunos, um crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao ano anterior (39%).

O ponto é que as escolas ainda restringem o acesso aos estudantes, enquanto 92% das escolas possuíam rede WiFi, 61% dos diretores afirmaram que o uso dessa conexão não é permitido aos alunos, o que explica o baixo uso do equipamento nas unidades escolares.

Para Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, a tecnologia em si não muda a escola e sim o seu uso. “A escola precisa se adaptar à cultura digital, o que passa por repensar sua organização, currículo, toda a sua cultura”, comenta.

Ela ainda entende que a conectividade pode não só aprimorar o trabalho do professor, como apoiar a autonomia dos estudantes e lançar as escolas a repensarem suas dinâmicas para além de seus muros, integrando as disciplinas aos conhecimentos que permeiam a vida da comunidade.

ANA LUIZA BASILIO 4 de agosto de 2017

http://www.cartaeducacao.com.br

Celular avança nas escolas, mas conectividade ainda limita novas práticas

TIC Educação 2016 traz tendência de queda no uso dos laboratórios de informática e mostra difusão dos dispositivos móveis em atividades pedagógicas

No ano em que o ProInfo (Programa Nacional de Informática na Educação) completa 20 anos, apesar do acesso a pelo menos um tipo de computador estar quase universalizado nas escolas urbanas brasileiras, a falta de conectividade continua a limitar a adoção de novas práticas pedagógicas que geram impacto na aprendizagem. De acordo com os dados da sétima edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta quinta-feira (3), pelo Cetic.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), o celular se tornou o equipamento mais utilizado pelos alunos para acessar a internet, mas apenas 31% deles trabalham com esse dispositivo conectado dentro da escola.

Realizada entre agosto e dezembro de 2016, a pesquisa traz dados sobre o uso e apropriação das tecnologias da informação e da comunicação em 1.106 escolas brasileiras de ensino fundamental e médio, localizadas em áreas urbanas. A partir da escuta de 935 diretores, 922 coordenadores pedagógicos, 1.854 professores e 11.069 alunos, a TIC Educação 2016 mostra que o uso dos dispositivos móveis está em ascensão. Entre os educadores usuários de internet, 49% declararam utilizar o celular em atividades com os alunos, representando um crescimento de dez pontos percentuais em relação ao ano anterior.

“O fenômeno do uso dos novos dispositivos móveis já está presente na nossa vida. Eu diria que, independente da classe social, os alunos já chegam na escola com esses dispositivos e uma certa cultura digital”, avalia Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. No entanto, o uso do celular em sala de aula ainda esbarra na baixa conexão, considerando que 45% das escolas públicas ainda não ultrapassaram 4 Mega de velocidade. “É um grande desafio liberar a rede Wi-Fi por uma questão de capacidade. Abrir uma banda de 2 Mega para 500 ou 600 alunos é impraticável, porque não há infraestrutura que dê vazão a toda essa demanda. Mas, por outro lado, ainda tem uma questão de cultura escolar”, observa.

Mobilidade para o uso de tecnologia
No Instituto Monsenhor Hipólito, em Picos (PI), o uso do celular trouxe maior mobilidade para as práticas pedagógicas. Com dois links de conexão, um de 50 Mega e outro de 5 Mega, educadores passaram a trabalhar com os dispositivos móveis de forma integrada ao currículo. Em uma atividade de língua portuguesa, por exemplo, a professora Andréia Vitorino Marcos espalhou QR Codes pela escola para os alunos analisarem gêneros textuais com ajuda do celular. “Quando você coloca limites e propõe uma atividade interessante, eles não fazem outra coisa a não ser utilizar de forma bem responsável. Para mim, o celular é o melhor recurso educacional que temos hoje”, conta.

Apesar de contar com uma velocidade alta, quando comparada com a média das escolas brasileiras, a professora conta que o desenvolvimento de atividades desse tipo exige um bom planejamento, que vai além da estratégia pedagógica. “Nós temos que pensar no recurso tecnológico disponível. Se a atividade é para uma sala, liberamos a conexão apenas para ela”, menciona, ao ponderar a quantidade de dispositivos conectados simultaneamente que são suportados pela escola.

Já em uma realidade com menor velocidade de banda, presente na maior parte das escolas públicas, a restrição de acesso à rede sem fio dificulta o desenvolvimento de atividades pedagógicas em espaços diversificados. Enquanto 91% das escolas públicas e 94% das escolas privadas possuem Wi-Fi, apenas 10% delas deixam o uso liberado para os alunos. “Quando analisamos as faixas de banda e conexão à internet, compreendemos um pouco porque o uso das tecnologias nas escolas ainda precisa avançar e superar obstáculos. A conectividade impacta na disponibilidade de espaços para o desenvolvimento de atividades de ensino e aprendizagem”, diz Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação.

Entre os principais pontos de acesso à internet dentro das escolas públicas brasileiras, a sala do coordenador pedagógico ou do diretor ainda é o local que mais garante conectividade, com 92% das respostas. Em seguida, aparecem opções como a sala dos professores ou sala de reunião (78%), laboratório de informática (73%), sala de aula (55%) e biblioteca ou sala de estudo para os alunos (47%). Já nas escolas privadas, o acesso à internet tende a ser menor nos laboratórios de informática (45%) e maior no espaço da sala de aula (82%) ou da biblioteca e sala de estudos (69%).

Mudança no uso dos laboratórios de informática
A tendência de começar a espalhar o acesso à internet por espaços diversificados, observada em principalmente nas escolas particulares, também reflete em uma mudança no uso dos laboratórios de informática. Apenas 47% das instituições privadas afirmaram possuir um laboratório e 46% delas disseram usar esse espaço. Nas públicas, esse número ainda contrasta com um descompasso entre a existência (81%) e o uso da sala de informática (59%). “Embora os laboratórios de informática estejam muito presentes nas escolas públicas, mas com um baixo uso, nas escolas particulares esse local de uso vai sendo deslocado para ambientes ou locais de ensino aprendizagem mais apropriados ao dia a dia, como por exemplo na sala de aula, na biblioteca ou em outros espaços pedagógicos”, destaca gerente do Cetic.br.

Há dois anos, o Colégio Elvira Brandão, em São Paulo (SP), decidiu transformar o laboratório de informática em um espaço maker e distribuir os computadores pela escola. “Os dispositivos presos em uma sala não atendem mais a necessidade da escola. O deslocamento dos estudantes até um local para usar Wi-Fi não combina com a dinâmica de uma escola que trabalha com metodologias ativas, cultura maker e projetos. Com esses três pilares, precisamos que a conectividade esteja espalhada pela escola inteira, e o laboratório passa a não ter mais sentido”, aponta a diretora Andrezza Amorelli.

Para atender a essa proposta pedagógica, a escola teve que investir em mais conectividade. Hoje, a instituição trabalha com dois links de internet, um de 35 Mega e outro de 10 Mega. “O nosso investimento mais pesado foi na construção de um espaço maker e na ampliação da conexão. Comprar computador, notebook e tablet não é mais uma demanda da escola, cada estudante usa o seu próprio dispositivo”, explica.

Na avaliação da pesquisadora e especialista em novas tecnologias para a educação Leila Iannone, do Cetic.br, a mudança no uso dos laboratórios de informática pode traduzir um avanço nas questões curriculares. “As práticas diversificadas, com uso de outros ambientes e dispositivos, estão impactando e influenciado uma nova visão de currículo. É uma nova forma de aprender e ensinar. Uma nova nova maneira de acessar, produzir e se apropriar do conhecimento, trazendo para o dia a dia uma coisa muito importante que o processo de autoria.”

Avanço nas redes públicas
Pensando na nova lógica de apropriação do conhecimento, o departamento de Tecnologias para a Aprendizagem da Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo começou a trabalhar com os laboratórios de informática em uma nova perspectiva educacional, que passou da inclusão e do letramento digital para uma abordagem maker. Desde 2015, esses espaços estão sendo pensados e usados para trabalhar projetos de robótica, programação e múltiplas linguagens.

“O aluno deixa de ser um consumidor de conteúdo para se tornar um produtor de conteúdos”, afirma Tania Tadeu, coordenadora pedagógica na secretaria municipal. De acordo com ela, o uso do laboratório dentro de uma perspectiva de autoria traz muitos ganhos para a aprendizagem dos adolescentes. “Os alunos se tornam muito mais protagonistas e autores. O protagonismo está intrínseco em todos os eixos do nosso currículo.”

No Paraná, um projeto que começa este ano, combinando a formação profissional e a possibilidade de compra personalizada por parte das escolas, também mostra que a política de deixar a conectividade restrita a um laboratório começa a ser superada. Orçado em R$ 15 milhões por ano, o programa chegará a 500 das 2.100 escolas da rede estadual (que contempla anos finais do fundamental e o ensino médio) em troca da elaboração de um plano pedagógico para o uso de tecnologia e do cumprimento de metas.

Na lista oferecida para as escolas estão equipamentos que podem ser adquiridos no formato de combo, como acontece com os serviços de internet e TV para o consumidor doméstico. Eziquiel Menta, diretor de políticas e tecnologias educacionais da secretaria, cita como exemplos a infraestrutura de Wi-Fi por toda a escola, a instalação de projetor multimídia, laboratório móvel com laptop para uso em sala de aula, roteador com opção de acesso off-line, além de estúdio de produção com câmera, microfone e impressora 3D. Caso a escola deseje um equipamento que não condiz com a avaliação de suas competências, um alarme soa na equipe de TI da secretaria, que passa a exigir o cumprimento dos cursos por parte da equipe pedagógica e gestora.

“Com isso, estamos mudando algumas concepções sobre aquisição de conectividade para a educação. A secretaria deixa de entregar uma única solução para todas as escolas, que por outro lado ficam obrigadas a estabelecer um plano coletivo para uso de tecnologia”, afirma Menta.

Percepção dos professores
Além de investigar a apropriação e o uso das tecnologias nas escolas, a nova edição da TIC Educação também apresentou dados sobre a percepção dos professores. Entre os educadores ouvidos, 94% deles concordam com a afirmação de que com o uso de tecnologia passaram a ter acesso a materiais mais diversificados ou de melhor qualidade. Eles também concordam que passaram a adotar novos métodos de ensino (85%) e passaram a cumprir suas tarefas administrativas com maior facilidade (82%).

Quando o assunto é forma de aprendizado e atualização no uso do computador e da internet, a pesquisa também mostra que 91% dos educadores estão buscando capacitação sozinhos e 83% contam com a ajuda de outras pessoas. “Os cursos formais acabam sendo muito técnicos. Quando você aprende com um olhar do colega ou do professor que trabalha nessa área, o contato com a tecnologia é diferenciado”, observa a professora Fernanda Tardin, Instituto de Educação Eber Teixeira de Figueiredo, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ).

Para compartilhar experiências do uso de tecnologia com outros educadores, em 2009 ela criou o blog “Utilizando as Mídias na Educação”, que publica textos, vídeos, dicas de sites e blogs, entrevistas e jogos educacionais que podem ajudar a diversificar o processo de ensino e aprendizagem. “Cada vez mais os alunos estão tecnológicos e inseridos nesse meio digital. De uma certa forma, o professor que não busca acaba ficando para trás e não consegue interagir com os alunos.”

por Marina Lopes / Vinícius de Oliveira  3 de agosto de 2017

FONTE: http://porvir.org

Educação 360: no painel jovem, adolescentes discutem como usar a tecnologia a favor da educação

'A educação tradicional é assim: uma pessoa falando e os alunos escutando, normalmente entediados', disse o educador americano Marc Prensky, que participou do debate

Educação 360 Tecnologia: adolescentes de 13 a 17 anos participam do Painel Jovem - Fernando Lemos / Agência O Globo


RIO - As realidades são diferentes, mas o desafio é o mesmo: como usar a tecnologia a favor da educação. Um grupo distinto de estudantes se reuniu na manhã desta segunda-feira para contar as suas experiências no Educação 360 Tecnologia. Eles foram reunidos pelo jornalista Caio Dib, autor do livro “Caindo no Brasil”, que mostra diversas iniciativas de educação pelo Brasil depois de cinco meses de viagem de ônibus do escritor. A conversa contou ainda com a presença de Gustavo Empinotti, do Mapa Educação, e o educador Marc Prensky, professor e educador, criador do termo “nativos digitais”.

- A educação tradicional é assim. Uma pessoa falando e os alunos escutando, normalmente entediados. Eu não quero isso. Quero saber o que vocês pensam, o que desejam e o que sonham – afirmou Prensky, responsável pela aula magna do evento.

Entre os estudantes, estavam alunos da Escola municipal André Urani, a Escola Gente, da Rocinha, que usa tecnologia de diferentes formas com os alunos; adolescentes que participam da Web TV do Degase, com jovens infratores; estudantes de escolas particulares, como o pH; e alunos de Cabo Frio que fazem exibições de filmes em escolas públicas para debater temas polêmicos na cidade.

- A educação muda o mundo. Para a geração de vocês, educar é fazer coisas que tornem o mundo melhor. E é difícil para as pessoas da minha geração entenderem isso. Mas insistam porque vocês são o futuro – aconselhou Prensky.

POR BRUNO ALFANO

Educação 360: como preparar as escolas para o uso da tecnologia

No debate sobre infraestrutura, especialistas afirmam que gestores e professores têm que estar engajados

A mesa sobre infraestrutura no evento Educaçao 360 Tecnologia - Fernando Lemos / Agência O Globo

RIO - Mais do que infraestrutura, é preciso um ecossistema para a conectividade das escolas. Três aspectos são necessários para tirar nossas escolas públicas da era analógica: a tecnologia em si, um ambiente escolar favorável e receptivo à ideia e protagonismo dos jovens. Essa é a avaliação de Marcio Guerra Amorim, do Instituto Educação Livre, em debate realizado sobre infraestrutura na manhã desta segunda-feira no Educação 360 Tecnologia.

- Existe tecnologia que viabilize a conectividade das escolas. A solução, então, existe. O desafio maior não é por qual meios vamos conectar os colégios, mas quais estratégias vamos usar para isso funcionar com a educação - diz Amorim, que defende a preparação de gestores e professores antes da chegada dos equipamentos. - A questão da conectividade depende de estratégia e da vontade política. Ou até mesmo de patrocínio do setor privado. Mas tem que preparar os gestores e os professores. Se não tratar isso, fica mais difícil. E o professor acabando vendo a tecnologia mais como um vilão do que como um apoio.

A mesa de Amorim ainda era composta pelo diretor de Tecnologia da secretaria estadual de Educação do Paraná, Eziquiel Menta. O gestor explicou que há três modelos para conectar as escolas: contratação das operadoras como serviço, a criação de uma infraestrutura própria estatal de internet voltada para as escolas ou fazer com que as operadoras ofereçam o serviço às escolas públicas de forma gratuita, já que elas só prestam serviços mediante concessão do poder público:

- Mas, para além disso, é fundamental pensar qual tecnologia queremos utilizar. Há três tipos: uma para ensinar, uma para explorar e outra para incluir. A primeira remete à substituição do professor por um vídeo. A segunda já serve para ampliar o potencial do professor. É essa que amplia o conhecimento dos nossos alunos. E a última é aquela para incluir estudantes com deficiência. O investimento de política pública é para todos.

O gestor do Paraná também mostrou que cada escola pensa em tecnologia de forma diferente. Menta fez uma consulta a 500 instituições de ensino para saber que tipo de equipamento elas gostariam de utilizar. Em troca, elas precisavam se comprometer que pelo menos 25% dos funcionários fizessem um tipo de formação para a área oferecido pela secretaria, desenvolvessem um plano de uso coletivo da tecnologia e a inclusão no projeto político pedagógico da escola como uma estratégia.

- Tem que escutar o que a escola quer e garantir isso para depois avaliar e cobrar os resultados – diz.

Sergio Branco, do Instituto 
Brasileiro de Tecnologia
- Fernando Lemos / Agência 
O Globo

A mesa também era composta pelo advogado Sérgio Branco, do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Na avaliação dele, o uso da tecnologia é inevitável. No entanto, ele afirma que não pensa nesse recurso para todos os momentos da aula.

- O professor não tem mais que ser a figura que sabe tudo, o que informa uma bibliografia específica. Mas aquele que expande a capacidade de fazer conexão de ideias a partir de elementos que antes não estavam presentes. Conteúdo não é escasso. O que é escasso, sobretudo para alunos mais jovens, é o conhecimento de separar o que é um bom conteúdo daquele não tão bom. E esse é o principal papel para os professores daqui para frente – avalia.

O Educação 360 Tecnologia é uma realização O GLOBO e Extra, com patrocínio da Petrobras, do Colégio PH e Fundação Telefônica, apoio da Unesco e Unicef, parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo e colaboração do Instituto Inspirare e Porvir.

POR BRUNO ALFANO

Educação 360: tecnologia é importante para incluir estudante no processo de aprendizagem

Em debate sobre práticas pedagógicas especialistas afirmam que, no entanto, ela não é a solução para todos os problemas da educação

Tatiana Klix, do Portal Porvir, faz sua apresentação no primeiro debate do Educação 360 Tecnologia - Fernando Lemos / Agência O Globo

Uma escola que respeite individualidades, que leve os alunos a colocarem a "mão na massa" e que ensine de maneira criativa. Esse foi o modelo encontrado pelo Portal Porvir - dedicado a mapear práticas inovadoras na educação - ao realizar uma pesquisa com 132 mil jovens para saber qual seria a "escola dos sonhos". Diante desses anseios, um dos resultados do estudo chamou atenção: 75% dos entrevistados afirmaram que gostariam de utilizar recursos tecnológicos em sua educação.

Para Tatiana Klix, editora do Porvir, a mensagem é clara: os alunos não querem mais ser coadjuvantes na escola. Os estudantes estão mais engajados em promover mudanças em seus colégios e sua participação pode ser potencializada pela tecnologia.

- Assim como a tecnologia conseguiu revolucionar a maneira como a gente se relaciona, a saúde, o modo como as pessoas se locomovem, ela também muda a maneira como se ensina e se aprende, de forma que a escola converse mais com os anseios dos jovens e faça mais sentido para eles. Que ajude a enfrentar os desafios deste século - diz Tatiana. - O jovem vê muito mais sentido no que ele faz do que apenas em algo que leu. Quando alguém transmite um conteúdo e ele tem uma atividade passiva. O aluno tem a necessidade de participar da atividade e existem novas ferramentas que possibilitam novas formas de colocar a mão na massa.
Regina Gavassa, da Secretaria de Educação 
de São Paulo, na mesa sobre práticas 
pedagógicas, no evento Educação 360 
Tecnologia /Fernando Lemos / Agência 
O Globo

A promoção de aulas mais práticas e com foco em uma participação ativa dos alunos foi a escolha da prefeitura de São Paulo para aproximar as escolas do modelo demandado pelos estudantes do século XXI. Foi em uma aula de robótica que um aluno cego desenvolveu, junto com seus colegas, um sensor para que não esbarrasse em outros estudantes durante o recreio. Também nessas aulas, uma estudante com deficiência física programou sua cadeira de rodas para funcionar de maneira mais adaptada às suas atividades cotidianas. Histórias como essas se tornaram frequentes a partir de 2015, quando o Núcleo de Tecnologias para Aprendizagem da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo começou a oferecer cursos que formassem os professores para atuarem com robótica.

A partir das oficinas, professores e alunos ganharam kits de robótica para levar às suas escolas. A iniciativa impulsionou o trabalho de professores da rede que já atuavam desenvolvendo modelos pautados nas novas mídias e hoje já são mais de 600 profissionais levando a nova linguagem para dentro das salas de aula. Atualmente, de 570 escolas municipais, 452 desenvolvem trabalhos relacionados a novas tecnologias.

- A motivação e o engajamento são o maior resultado que temos. A relação horizontal que se estabelece entre professores e alunos é nítida. Essa forma de ensinar e aprender os uniu. A robótica e a linguagem de programação abriu espaço para o potencial dos alunos com deficiência - contou Regina Celia Gavassa, coordenadora do Núcleo de Tecnologias para Aprendizagem da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
Educação 360 Tecnologia: 
Mila Gonçalves, da Fundação Telefônica
 - Fernando Lemos / Agência O Globo




Mapear iniciativas inovadoras em escolas espalhadas pelo país é o trabalho desenvolvido pelo projeto Inova Escola, da Fundação Telefônica Vivo. A iniciativa acompanha de perto e presta consultoria para seis escolas públicas brasileiras para ajudá-las a encontrar sua vocação para a inovação. Uma das unidades atendidas é a Escola Municipal André Urani - Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais (Gente), localizada na Rocinha, no Rio. Os monitores do projeto se reúnem com a equipe da escola e debatem o foco daquela instituição. A partir disso, são feitos cursos de formação, entre outras práticas que ajudam a escola a colocar seus projetos em prática.

- Não tem uma receita. Cada escola tem seu processo de inovação, não há um igual ao outro. Esses processos são únicos. É a escola que diz o que quer fazer, por onde quer inovar e o que quer mudar- explica Mila Gonçalves, gerente de projetos da Fundação Telefônica Vivo, acrescentando ainda que eles também levam formação a qualquer escola interessada, a partir de cursos on-line:

- Com isso, conseguimos levar inspiração a muito mais escolas. Talvez assim consigamos ajudar as comunidades a fazerem as transformações que os jovens estão pedindo.

O Educação 360 Tecnologia é uma realização O GLOBO e Extra, com patrocínio da Petrobras, do Colégio PH e Fundação Telefônica, apoio da Unesco e Unicef, parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo e colaboração do Instituto Inspirare e Porvir.

POR PAULA FERREIRA


Educação 360: tecnologia sozinha não promove educação inovadora

Especialistas alertam que é preciso mediação adequada para melhor tirar proveito de ferramentas

O colunista do GLOBO Antonio Gois media a mesa ‘Recursos Digitais de Aprendizagem’, que teve a participação de André Bello, Maria Slemenson e Rodrigo Pimentel - Barbara Lopes

RIO - Embora para muitos gestores e professores o uso de tecnologias em sala possa parecer uma realidade inalcançável em determinados contextos, sobretudo na educação pública brasileira, a cada dia há um número maior de ferramentas e conteúdos digitais disponíveis para livre acesso. No entanto, a simples disponibilidade dessas tecnologias não é capaz de promover uma educação inovadora caso não haja mediação adequada. As observações foram apresentadas ao longo do debate “Recursos digitais de aprendizagem” , durante o Educação 360 - Tecnologia, nesta segunda-feira, no Museu do Amanhã.

Uma das empresas mais famosas do mundo, o Google disponibiliza ferramentas digitais que podem ser utilizadas gratuitamente por gestores, professores e estudantes. Uma delas, a Google Classroom, possibilita que professores disponibilizem na rede lições de casa para os estudantes, que também podem se comunicar com os mestres. Atualmente, 20 milhões de pessoas utilizam a plataforma. Há ainda a Google Expeditions, que proporciona experiências de realidade virtual em sala de aula. Mas, mesmo com todas essas tecnologias disponíveis, a inovação não está estritamente condicionada a elas.

- A escola precisa ser inovadora para falar a língua da molecada, mas não tem a menor ideia como fazer isso, então compra tablet para dar para o aluno, coloca lousa digital e diz que é inovadora. Não é isso que vai trazer a essência da inovação e o impacto que precisamos. A cultura da inovação tem que privilegiar o erro, gostar do erro. É preciso iniciar a aprendizagem em qualquer lugar e a qualquer momento, não pode ser restrita ao laboratório de informática, tem que ser livre - disse Rodrigo Pimentel, responsável pela área de Educação do Google para a América Latina.

Experimentar, criar novos recursos digitais e disponibilizá-los em rede são algumas das possibilidades da plataforma Escola Digital. Além de ter um banco de mais de 18 mil recursos digitais de aprendizagem - como jogos, videoaulas, entre outros produtos para serem utilizados em sala de aula -, a plataforma permite que professores e alunos customizem sua própria ferramenta criando listas com conteúdos que mais interessarem ao seu contexto. Assim, escolas do Acre, por exemplo, estão disponibilizando na rede mapas indígenas locais que podem ser acessados por escolas de todo Brasil gratuitamente, formando uma diversidade cultural de conteúdos. Mesmo escolas com infraestrutura precária podem utilizar os conteúdos, uma vez que cerca de 8 mil objetos são recursos que podem ser trabalhados offline, basta serem baixados uma única vez e salvos em um pendrive.

- Nosso maior objetivo é apoiar professores para que possam incorporar tecnologia não reproduzindo a sala de aula tradicional, mas criando situações mais engajadoras para os alunos.- explicou Maria Slemenson, gestora de projetos educacionais no Instituto Natura, uma das organizações que promove o Escola Digital.

A necessidade de facilitar a interação entre indivíduos e tecnologia, de forma que haja um uso mais proveitoso delas é o que motiva o trabalho de André Bello, especialista em Design Thinking e metodologias colaborativas. Bello é o criador da ferramenta “Round”, um programa de empreendedorismo que impulsiona grupos conectados on-line na resolução de problemas. Na plataforma, as estratégias devem ser desenvolvidas colaborativamente de maneira remota. De acordo com ele, a ferramenta desenvolve, entre outras características, proatividade, comunicação eficaz, capacidade de análise de informação, além de criatividade, ou seja, aspectos desejáveis em uma educação para o século XXI.

- Para inovar dentro de suas próprias empresas ou escolas e organizações, despertamos o espírito empreendedor. Não importa a dificuldade, vamos ter que achar a resolução para o problema. Independente de toda tecnologia que tivermos pela frente, no âmbito educacional ou social e político, o que importa são os seres humanos. É muito importante que a gente se desenvolva como ser humano para pilotar essas ferramentas com mais sabedoria e proporcionar uma melhor sociedade para todos - defendeu Bello.

O Educação 360 Tecnologia é uma realização O GLOBO e Extra, com patrocínio do Colégio PH e Fundação Telefônica, apoio da Unesco e Unicef, parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo e colaboração do Instituto Inspirare e Porvir.

POR PAULA FERREIRA

Educação 360: como preparar as escolas para o uso da tecnologia

No debate sobre infraestrutura, especialistas afirmam que gestores e professores têm que estar engajados

A mesa sobre infraestrutura no evento Educaçao 360 Tecnologia - Fernando Lemos / Agência O Globo

RIO - Mais do que infraestrutura, é preciso um ecossistema para a conectividade das escolas. Três aspectos são necessários para tirar nossas escolas públicas da era analógica: a tecnologia em si, um ambiente escolar favorável e receptivo à ideia e protagonismo dos jovens. Essa é a avaliação de Marcio Guerra Amorim, do Instituto Educação Livre, em debate realizado sobre infraestrutura na manhã desta segunda-feira no Educação 360 Tecnologia.

- Existe tecnologia que viabilize a conectividade das escolas. A solução, então, existe. O desafio maior não é por qual meios vamos conectar os colégios, mas quais estratégias vamos usar para isso funcionar com a educação - diz Amorim, que defende a preparação de gestores e professores antes da chegada dos equipamentos. - A questão da conectividade depende de estratégia e da vontade política. Ou até mesmo de patrocínio do setor privado. Mas tem que preparar os gestores e os professores. Se não tratar isso, fica mais difícil. E o professor acabando vendo a tecnologia mais como um vilão do que como um apoio.

A mesa de Amorim ainda era composta pelo diretor de Tecnologia da secretaria estadual de Educação do Paraná, Eziquiel Menta. O gestor explicou que há três modelos para conectar as escolas: contratação das operadoras como serviço, a criação de uma infraestrutura própria estatal de internet voltada para as escolas ou fazer com que as operadoras ofereçam o serviço às escolas públicas de forma gratuita, já que elas só prestam serviços mediante concessão do poder público:

- Mas, para além disso, é fundamental pensar qual tecnologia queremos utilizar. Há três tipos: uma para ensinar, uma para explorar e outra para incluir. A primeira remete à substituição do professor por um vídeo. A segunda já serve para ampliar o potencial do professor. É essa que amplia o conhecimento dos nossos alunos. E a última é aquela para incluir estudantes com deficiência. O investimento de política pública é para todos.

O gestor do Paraná também mostrou que cada escola pensa em tecnologia de forma diferente. Menta fez uma consulta a 500 instituições de ensino para saber que tipo de equipamento elas gostariam de utilizar. Em troca, elas precisavam se comprometer que pelo menos 25% dos funcionários fizessem um tipo de formação para a área oferecido pela secretaria, desenvolvessem um plano de uso coletivo da tecnologia e a inclusão no projeto político pedagógico da escola como uma estratégia.

- Tem que escutar o que a escola quer e garantir isso para depois avaliar e cobrar os resultados – diz.
Sergio Branco, do Instituto Brasileiro de Tecnologia
Fernando Lemos / Agência O Globo

A mesa também era composta pelo advogado Sérgio Branco, do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Na avaliação dele, o uso da tecnologia é inevitável. No entanto, ele afirma que não pensa nesse recurso para todos os momentos da aula.

- O professor não tem mais que ser a figura que sabe tudo, o que informa uma bibliografia específica. Mas aquele que expande a capacidade de fazer conexão de ideias a partir de elementos que antes não estavam presentes. Conteúdo não é escasso. O que é escasso, sobretudo para alunos mais jovens, é o conhecimento de separar o que é um bom conteúdo daquele não tão bom. E esse é o principal papel para os professores daqui para frente – avalia.

O Educação 360 Tecnologia é uma realização O GLOBO e Extra, com patrocínio da Petrobras, do Colégio PH e Fundação Telefônica, apoio da Unesco e Unicef, parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo e colaboração do Instituto Inspirare e Porvir.

POR BRUNO ALFANO

stest

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Comissão aprova regulamentação da profissão de pedagogo


Morais: O pedagogo tem como principal função melhorar 
a qualidade da educação

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou o Projeto de Lei 6847/17, do deputado Goulart (PSD-SP), que regulamenta a profissão de pedagogo.

Pelo texto, a profissão será privativa de portadores de diploma de curso de graduação em Pedagogia, para exercerem a docência, bem como atividades nas quais sejam exigidos conhecimentos pedagógicos.

De acordo com a proposta, são atribuições do pedagogo:
- planejar, implementar e avaliar programas e projetos educativos em diferentes espaços organizacionais; 
- gerir o trabalho pedagógico e a prática educativa em espaços escolares e não escolares; - avaliar e implementar nas instituições de ensino as políticas públicas criadas pelo Poder Executivo; 
- elaborar, planejar, administrar, coordenar, acompanhar, inspecionar, supervisionar e orientar os processos educacionais; 
- ministrar as disciplinas pedagógicas e afins nos cursos de formação de professores; 
- realizar o recrutamento e a seleção nos programas de treinamento em instituições de natureza educacional e não educacional; 
- desenvolver tecnologias educacionais nas diversas áreas do conhecimento.

Critérios
O parecer da relatora, deputada Flávia Morais (PDT-GO), foi favorável à proposta. “Diferentemente de outros projetos de regulamentação profissional, esta proposta não visa a criar uma reserva de mercado para os profissionais”, disse. “O objetivo da proposição é estabelecer critérios para o âmbito de atuação desses profissionais relativamente à sua formação e às suas atribuições”, completou.

Para a parlamentar, justifica-se a regulamentação “porque a atividade exige conhecimentos teóricos e técnicos, é exercida por profissionais de curso reconhecido pelo Ministério da Educação e o mau exercício da profissão pode trazer riscos de dano social no tocante à educação”.

Conselho
O projeto determina que o Poder Executivo deverá criar o Conselho Federal de Pedagogia para fiscalizar a profissão. Esse órgão, bem como os conselhos regionais, será responsável por regular sobre jornada, piso salarial, atribuições, direitos e deveres dos profissionais.

“Sendo aprovado este projeto, o presidente da República deverá enviar ao Congresso Nacional projeto de lei criando os conselhos, como exige a Constituição Federal, na medida em que tais entidades são consideradas autarquias especiais integrantes da administração pública”, destacou Flávia Morais.” Essa providência é fundamental para que o exercício da profissão do pedagogo seja devidamente regulamentado e fiscalizado”, completou.

Tramitação
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
Reportagem – Lara Haje
Edição - Marcia Becker

FONTE: http://www2.camara.leg.br

O brasileiro e a falta de gosto pela leitura: mito ou verdade?

Pesquisa recente aponta que a maior parte da população brasileira se considera leitora, no entanto, o tabu de que o Brasil não é um País leitor continua firme e forte. Por que isso acontece?

Pensar que existem um milhão de outras atividades mais legais que ler um livro não é algo que acontece com poucas pessoas. Para Tatiana Cersosimo, o grande leque de coisas para fazer nos dias de hoje é o principal competidor na corrida do desinteresse pela leitura . Antigamente, para a estudante de comunicação, não eram tantas as opções para ocupar o tempo e por isso o ato de ler era realizado por mais pessoas, com mais frequência.

Edu Cesar/iG
Literatura no metrô: Mauricio Lima, 32, farmacêutico, lê 'O Cavaleiro dos Sete Reinos', de George R. R. Martin: 'É uma história fantástica, que se passa na época medieval'

No Brasil , não é só Tatiana que pensa assim. Muitas das pessoas dessas terras tropicais reproduzem, reiteram e reafirmam aquela velha história de que o brasileiro não tem gosto pela leitura . Por ser do tipo de coisa que só se fala e não se comprova, é que o iG Gente resolveu olhar com um pouco mais de profundidade para essa questão e refletir: será que o brasileiro não se interessa mesmo por leitura?

De acordo com a 4ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, desenvolvida em março de 2016 pelo Instituto Pró-Livro, leitor é aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses. Entrando para o grupo que compõe o time dos que estão sempre com um livro ao alcance da mão, Gabriela Colicigno concluiu 73 leituras em 2016 e, agora em 2017 já está na sua 24ª. “Eu sempre gostei de ler. Aprendi a ler com quase 4 anos. Lia muito gibi e quando eu fiz 8 anos ganhei os primeiros livros do Harry Potter”, conta. “Descobri que tinha livros maiores e comecei a comprar tudo que eu achava”, completa.

O mito do brasileiro não leitor

Ainda segundo a 4ª e mais recente edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, de 2016, a estimativa de público leitor no Brasil levantada no ano de 2015 bateu os 104,7 milhões de cidadãos. Em porcentagem, isso representa 56% dos 188 milhões de respondentes da pesquisa, deixando sobrar outros 44% que se autodenominam não leitores. Como costuma-se ouvir por aí, dados não mentem e dessa vez não é diferente.


De acordo com esse levantamento de apenas dois anos atrás, essa história de que o brasileiro não gosta de ler é um mito, já que a principal motivação para leitura registrada pelo estudo foi o gosto pessoal. No entanto, ainda assim existe uma boa parcela da população que não sente o mínimo de entusiasmo quando o assunto é mergulhar nas páginas de um bom (ou ruim, nunca se sabe, né?) conteúdo.


Nesse sentido e em um bate-papo com a professora de língua portuguesa e linguista Roberta Roque Baradel, não foi difícil perceber que quando falamos na recusa às capas duras e páginas acumuladas, as justificativas vão bem além dos limites de mero desinteresse. De acordo com a professora, a afirmação de que o brasileiro não gosta de ler é uma parte que não pode falar pelo todo. “Eu acho que não é completamente verdadeiro. A questão é que ler é um hábito que a gente não cultiva desde cedo”, diz a docente.

Edu Cesar/iG
Literatura no metrô: A professora de inglês Kim Lucas, 42 anos, lê 'Madame Bovary', de Gustave Flaubert: 'Mudei meu estilo de leitura no Brasil'

Segundo Roberta, muitas vezes a indiferença com a leitura pode ser resultado da obrigatoriedade de ler livros específicos numa certa fase da vida escolar. “A escola às vezes pede coisas fora da contexto para ler. Isso é um pouco enfadonho, dá preguiça nos alunos porque é aparentemente chato”, explica. “A escola não ativa isso e, nem sempre, a família também. Além disso, o mercado editorial não é tão atrativo assim”, complementa.

Entrando em acordo com o raciocínio da professora Roberta, Tatiana Cersosimo, que se considera uma pessoa sem muita simpatia com livros , pontuou que a fase escolar teve um peso considerável para que esse afastamento com a prática de leitura acontecesse. “Tive problemas com leitura quando era mais nova na escola. Eu não lia, não gostava e sempre ia mal nas provas por problema de interpretação de perguntas”, conta a estudante.

De acordo com Tatiana, o problema não são os livros em si, e sim a falta de O brasileiro e a falta de gosto pela leitura: mito ou verdade?
Fonte: Gente - iG @ http://gente.ig.com.br/cultura/2017-07-20/mito-brasileiro-leitura.htmlliberdade para poder escolher leituras de interesse pessoal além das que os colégios colocam como obrigatórias. “Eles sempre passam livros pra gente ler, mas acho que eles podiam deixar mais aberta nossa escolha de leitura”, completa.

Evitando perder a oportunidade de tornar o ato de ler algo natural e desmistificado, a professora Roberta contou como é que faz em sala de aula para icentivar a prática para os próprios alunos. “Nas aulas, quando são de literatura, eu fujo da ideia do clássico. Procuro não adotar o livro em si, mas uma versão adaptada pra que o interesse do aluno venha”, conta.

“No primeiro ano do ensino médio a gente tem que trabalhar lusíadas. Eu não vou fazer meu aluno ler o original e todas as páginas e versos. Já aconteceu de pais de alunos que não leem ou que não gostam de ler me dizerem ‘nossa, não sei o que aconteceu com esse livro, professora, no final de semana ele nem quis sair direito e terminou todinho’”, conta a linguista. “Ninguém vai querer ler o clássico de "Iracema" com 15 anos, vivendo uma situação completamente diferente. Por isso eu procuro trabalhar com adaptações que podem interessar o aluno e que permitem que a partir delas possam ser feitos jornais, debates, análises...”, complementa.

Agravantes do desinteresse

Olhando o raciocínio da professora e da estudante como dois limões para fazer uma limonada, a falta de uma visão simpática para a leitura, que deveria ter sido incentivada desde o início da vida intelectual, é o que afasta o brasileiro dos livros , mas não é por aí que os motivos para o desinteresse terminam.

Edu Cesar/iG
Literatura no metrô: O estudante Paulo, 16 anos, lê 'Os Jovens Perguntam - Respostas Práticas': 'Fala do jovem, de quando ele vai evoluindo, crescendo'

De acordo com os brasileiros entrevistados na última edição da pesquisa do Instituto Pró-Livro, existem algumas condições desfavoráveis que não contribuem para a formação do interesse pela prática da leitura. Entre elas, estão a falta de tempo, a carência de bibliotecas em mais lugares do Brasil e um fator crucial: os limites do poder aquisitivo de cada cidadão e cidadã.

“Acho a questão do dinheiro relevante porque às vezes um livro custa muito mais do que você tem naquela semana. O dinheiro é um fator importante porque é uma relação direta”, explica Roberta. “Um exemplo que é bem comum de algo que costuma acontecer muito em escola pública é você adotar um livro e ter que pensar na acessibilidade dele. Se ele for muito caro, alguns alunos podem não ter acesso essa leitura”, diz. “Se as pessoas tem um poder aquisitivo maior, pode ser que elas entendam melhor o poder da leitura e adquiram o hábito de ir sempre à uma livraria escolher um livro pra ler”, conclui a docente.

Para a amante de leitura e youtuber Gabriela Colicigno, o gosto por livros e por expandir ainda mais o horizonte não só de conhecimento, mas também de entretenimento , é também uma questão de influência. “As pessoas influenciam você a ler. Algumas pessoas que não tem a influencia desde crianças têm uma certa trava. Alguma coisa vai agradar”, diz. Em relação a desmistificação da ideia de “chatice” que sempre acompanha a prática de ler na cabeça de muitas pessoas, Gabriela concorda com Tatiana e Roberta no sentido de que isso se resolveria na fase escolar. “Nas escolas, por sermos obrigados a ler livros específicos, ficamos com esse ranço da leitura. Precisamos ler autores importantes, mas isso precisa ser abordado de uma forma diferente. Quando vira uma obrigação, as pessoas pegam birra mesmo”, opina.

Por Bruna Cambraia , iG São Paulo | 20/07/2017 05:00

Turbinando a máquina da aprendizagem

Juntos, tecnologia e professores podem renovar as escolas – mas ela precisa estar a serviço do ensino, e não o contrário

Em 1953, B. F. Skinner foi assistir a uma aula de Matemática na escola da filha. O psicólogo da Universidade de Harvard verificou que os alunos eram obrigados a aprender cada novo tópico da matéria da mesma forma e no mesmo ritmo. Dias depois, inventou sua primeira “máquina de ensinar”, que permitia às crianças lidar com os problemas cada qual em seu ritmo. Em meados da década seguinte, engenhocas semelhantes eram vendidas de porta em porta de uma ponta a outra dos EUA. Dali a alguns anos, porém, o entusiasmo se esvaíra.

Tecnologia pode beneficiar centenas de milhões de crianças Foto: REUTERS/Michael Kooren

Desde então, a tecnologia educacional volta e meia percorre o mesmo ciclo de euforia e desânimo, a despeito de os computadores terem transformado quase todas as outras dimensões da vida. O conservadorismo dos professores e de seus sindicatos é um dos fatores. Mas o fato de a tecnologia educacional ainda não ter comprovado seu potencial supostamente maravilhoso é outro.


Agora, porém, os herdeiros de Skinner estão obrigando os céticos a reavaliar seus conceitos. Com o apoio de bilionários da tecnologia, como Mark Zuckerberg e Bill Gates, escolas do mundo inteiro usam softwares para “personalizar” a aprendizagem. Centenas de milhões de crianças que não conseguem avançar nos estudos podem ser beneficiadas por isso — mas só se os entusiastas da tecnologia educacional resistirem à tentação de resgatar teses equivocadas e perniciosas sobre a maneira como as crianças aprendem. Para ser bem-sucedida, a tecnologia educacional precisa estar a serviço do ensino, e não o contrário.

ASSINAR

Lápis na carteira. O modelo convencional de educação surgiu no século 18, na Prússia. Até o momento, nenhuma alternativa a ele se mostrou capaz de ensinar tantas crianças com tanta eficiência. Salas de aula, classes agrupadas por idade, currículos padronizados e horários fixos ainda são a norma para o contingente de quase 1,5 bilhão de crianças matriculadas na educação básica em todo o mundo.

Muitas delas jamais chegam a desenvolver seu potencial. Em países pobres, apenas 25% dos alunos do ensino médio concluem os estudos com conhecimentos básicos em Matemática, Leitura e Ciência. Mesmo entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em sua maioria desenvolvidos, cerca de 30% dos jovens apresentam dificuldades em pelo menos uma dessas áreas.

Esse índice permaneceu praticamente inalterado nos últimos 15 anos — durante os quais as escolas receberam bilhões em investimento em tecnologia. Em 2012, já havia um computador para cada dois alunos em diversos países ricos. Na Austrália, seu número superava o de alunos. Utilizados de maneira incorreta, eles podem levar à distração. Estudo realizado em Portugal, em 2010, verificou que as escolas onde não havia acesso de banda larga à internet e onde sites como YouTube eram interditados apresentavam melhores resultados do que as que se encontravam na crista da onda da tecnologia.

O que realmente importa é a forma como a tecnologia é utilizada. Educação “sob medida” é uma das coisas em que ela pode auxiliar. Desde que o Rei Felipe II da Macedônia contratou Aristóteles para preparar seu filho Alexandre e ensiná-lo a ser Grande, pais ricos pagam professores particulares para seus filhos. De São Paulo a Estocolmo, os reformadores acreditam que a tecnologia educacional é capaz de pôr a atenção individual ao alcance de todos. Nos EUA, a adoção do modelo é acelerada. Um terço dos alunos do país estão em distritos escolares que assumiram o compromisso de implementar “uma aprendizagem personalizada e digital”. 

De olho no pessoal do fundão. Esse tipo de inovação é bem-vindo. Mas o aproveitamento de todo o potencial da tecnologia da educação depende da compreensão de vários elementos. Em primeiro lugar, a “aprendizagem personalizada” precisa acompanhar as descobertas sobre o modo como as crianças aprendem. Não pode servir como desculpa para a recuperação de ideias pseudocientíficas, como a dos “estilos de aprendizagem”, isto é, a tese de que cada criança tem uma maneira particular de absorver informações. 

Uma falácia de consequências menos graves é a de que, com a tecnologia, as crianças não precisam acumular conhecimentos nem assistir a aulas ministradas por um professor — afinal, o Google está aí para quê? Alguns entusiastas da tecnologia vão ainda mais longe, argumentando que os conhecimentos atrapalham o desenvolvimento de habilidades como criatividade e pensamento crítico. A verdade é o oposto disso. Uma memória abastecida de conhecimentos impulsiona essas habilidades. Na infância, William Shakespeare teve que decorar frases e regras gramaticais latinas, e mesmo assim conseguiu escreveu algumas peças de qualidade bastante razoável.

Em segundo lugar, é fundamental fazer com que a tecnologia educacional contribua para reduzir, e não aumentar, as desigualdades na educação. Nesse ponto, há razões para otimismo. Algumas das primeiras escolas a adotar a tecnologia são instituições particulares do Vale do Silício, mas há inúmeras escolas públicas seguindo o mesmo caminho.

Em terceiro lugar, a tecnologia da educação só realizará seu potencial se contar com a boa vontade dos professores. Eles têm razão em exigir provas de que a tecnologia funciona, mas o ceticismo não deve se tornar aversão despropositada. Nesse ponto, a rede pública do Estado de São Paulo é um exemplo a seguir: seus professores acolheram a contribuição da desenvolvedora de softwares adaptativos Geekie.

Em 1984, Skinner disse que a oposição à tecnologia era uma “vergonha” para a educação. Tendo em vista as promessas que a tecnologia educacional oferece hoje, não há lugar para cabeças tecnologicamente bitoladas em sala de aula.

TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER

FONTE: http://educacao.estadao.com.br

Educação e tecnologia lado a lado

Saber usar as plataformas digitais é o novo caminho para avançar na educação


(ThinkStock/ThinkStock)

O universo digital está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Enquanto os mais velhos aprendem gradativamente como lidar com as novas tecnologias, as novas nascem navegando nas redes. Diante desse novo cenário, a educação também tem se adaptado para aliar as novidades ao aprendizado.

No dia a dia da sala de aula, professores têm que usar a criatividade e atualizar seus conhecimentos para conquistar a atenção dos nativos digitais, que encontram nas telas a principal fonte para suas curiosidades e entretenimento.

De olho nessa tendência, a empresária Danielle Brants, por exemplo, criou a Guten Educação e Tecnologia, que fornece a escolas uma plataforma digital de leitura e compreensão de textos jornalísticos. Graças ao negócio, ela concorre ao Prêmio CLAUDIA.

Conversamos com a mestre em linguística Leticia Reina, que é também gestora pedagógica da Guten sobre os desafios e evoluções da educação no mundo digital.

DESAFIO

Para os nativos digitais, navegar, buscar, prestar atenção no áudio, no texto escrito, nas imagens (tudo ao mesmo tempo) são movimentos muito naturais. O desafio está na interpretação dos textos, ou seja, em captar a mensagem real do conteúdo e ser capaz de estabelecer relações com outras fontes e com seu próprio conhecimento.

“Dessa forma, os recursos digitais devem ser instrumentos de mediação para se desenvolver as competências leitoras e a criticidade”, diz Leticia Reina. 

TECNOLOGIA COMO CAMINHO

As ferramentas digitais não substituem o professor em sala de aula ou a troca de conhecimentos entre colegas. O papel delas na educação é o de instrumento de mediação entre professor e aluno, entre aluno e texto, entre alunos e colegas.

“Elas devem estar a serviço da construção e transformação do conhecimento”, afirma a pedagoga. Cada recurso deve ser escolhido com um objetivo em sala de aula e não pode ter um fim em si mesmo. Deve ser um caminho para ampliação de repertório, de acordo com os conteúdos previstos no planejamento.

Ela contribui com o professor e com o crescimento do aluno, desde que bem escolhida e bem trabalhada.

ENTENDER É SABER

O educador deve sempre deixar claro para o aluno quais os objetivos de cada leitura. Seja um texto impresso ou em meio digital, o professor deve incentivar a leitura de modo que o estudante compreenda os usos reais e sociais do que foi lido.

Para isso, é preciso promover uma discussão que envolva a razão da escolha do gênero lido, os autores, as esferas sociais de circulação. Sempre conduzindo a uma leitura crítica, estabelecendo relações entre os textos, e entre os conteúdos aprendidos. 

LIMITES

Quanto mais se conversa em casa sobre as preferências da criança ou adolescente, mais se entende o mundo em que esse jovem está inserido, um mundo de múltiplos estímulos, visuais e auditivos, imagéticos e escritos. Tal conhecimento é essencial para saber impor limites.

O jovem pode ficar certo tempo conectado à internet, é claro. Mas isso deve ser limitado e monitorado pelos pais. É preciso ainda garantir momentos para a troca entre os familiares, para se estar ao ar livre, para conversar cara a cara. Afinal, a tecnologia é uma ferramenta e não pode ser a única fonte de informação e troca para as famílias.

DAR O EXEMPLO É ESSENCIAL

Um passeio à bibliotecas e livrarias, uma conversa sobre as histórias lidas, sobre a vida e a obra de autores preferidos podem ser boas opções para incentivar a leitura. O importante é a capacidade de interpretação. Os adultos também devem dar exemplos!

“Não adianta falar que ler um livro é importante ou que ficar o dia inteiro na internet não é legal se os próprios pais passam o dia conectados e não pegam em um livro nem na hora de dormir”, conclui Leticia.

FONTE: http://claudia.abril.com.br