sexta-feira, 20 de julho de 2012

"É importante a observação da sala de aula", diz Thomas Kane

Segundo especialista, análise do desempenho dos alunos deve servir para avaliar eficácia dos professores

A análise do desempenho dos alunos em testes deve ser uma das ferramentas usadas para avaliar a eficácia dos professores, mesmo que fatores externos à sala de aula influenciem os resultados dos estudantes. Esta é a opinião do diretor do Centro de Pesquisas em Políticas Educacionais de Harvard e vice-diretor da área de Educação da Fundação Bill & Melinda Gates, Thomas Kane. Mas ele ressalta: não basta olhar as conquistas dos alunos nos exames para saber sobre a eficiência dos profissionais de Educação. Coordenado por Kane, o projeto Medições de um Ensino Eficiente, da Fundação Bill & Melinda Gates, analisa o trabalho de três mil professores nos Estados Unidos usando também a observação da atuação deles em sala de aula e pesquisas com alunos.
O relatório final do projeto ficará pronto em 2013, mas alguns resultados já foram divulgados. A pesquisa mostrou que professores que, no passado, tiveram alunos com ganhos de desempenho em testes anuais provavelmente terão, no futuro, alunos que melhorarão seu desempenho. E revelou que perguntar aos estudantes sobre seus professores e colocar observadores dentro de sala de aula são ferramentas úteis para saber mais sobre como os docentes podem melhorar.
Kane, que ministrou palestra na semana passada em São Paulo a convite da Fundação Lemann, Fundação Brava e Instituto Fernando Henrique Cardoso, diz que é preciso avaliar se o pagamento de bônus em dinheiro a professores realmente resulta na melhoria da aprendizagem.
GLOBO: Quão difícil é avaliar um professor?
THOMAS KANE: Ensinar, assim como aprender, é muito complexo. E, como consequência disso, o ensino precisa ser medido de múltiplas maneiras. No projeto Medições de um Ensino Eficiente, que a Fundação Bill e Melinda Gates financia, nós medimos a eficiência dos professores de várias formas. Olhamos para as melhorias apresentadas pelos alunos, pedimos para os estudantes nos dizerem o que pensam dos professores, observamos os professores ensinando em sala e aplicamos testes que avaliam o conhecimento dos professores sobre o conteúdo. Apenas quando você combina essas diferentes abordagens é que consegue saber, de forma precisa e justa, o trabalho que os professores estão fazendo.
GLOBO: Mas há uma forma de avaliar que seja mais importante que as outras?
KANE: Não sei se existe uma ferramenta mais importante, mas posso dizer que, se alguma delas não fosse eficiente, não seria valiosa para o projeto. O fundamental é saber se essas ferramentas vão ajudar a identificar os professores que farão com que os alunos aprendam melhor no ano que vem e nos próximos anos. Quando se fala em identificar os professores que terão estudantes com grandes conquistas no futuro, a melhor maneira é saber se eles (professores) já tiveram, no passado, alunos que apresentaram melhoras.
GLOBO: Como usar resultados de alunos em exames para avaliar professores?
KANE: Nos Estados Unidos, da terceira à oitava séries, estudantes fazem testes no final de todos os anos. Com esse teste anual você pode ver dentre os alunos que frequentaram as aulas na sala de um professor, quão bem eles se saíram no final do ano anterior. E o quanto eles conseguiram crescer em termos de conquistas alcançadas neste ano. Há duas coisas importantes. Primeiro: ser capaz de medir as melhorias alcançadas pelos alunos ao longo do tempo, usando os dados dos testes anuais. Segundo: ter dados precisos sobre quais alunos estão frequentando as aulas de professores específicos. Se você tem essas duas coisas, você pode medir a melhora dos alunos.
GLOBO: É preciso avaliar os alunos no início do ano e no final do ano e não apenas no final do ano?
KANE: Sim. O que você quer é focar no crescimento das conquistas alcançadas pelos alunos e não apenas no que eles alcançaram no final do ano. As realizações deles vão depender de como eles estavam quando começaram o ano.
GLOBO:Alguns críticos dizem que estudantes têm experiências diferentes fora da sala de aula e que os resultados deles em exames não refletem diretamente o trabalho do professor...
KANE: Isso é verdade. Há fatores fora da sala de aula que afetam os resultados dos alunos. É como um goleiro. Há várias coisas que afetam o número de gols marcados, como a qualidade do time adversário e os zagueiros do time. Mas a habilidade do goleiro será um fator muito importante sobre quantos gols foram marcados, apesar de não ser o único fator. E, no ensino, há outras coisas que influenciarão as melhoras apresentadas pelos alunos ao longo do ano. Por isso, é importante medir mais do que apenas as conquistas dos alunos. No entanto, vimos que o professor, individualmente, tem sim um grande impacto nestas conquistas.
GLOBO: Algumas pessoas dizem que, se os professores forem avaliados com base nos resultados dos alunos, eles não darão muita atenção a estudantes que têm mais dificuldade em aprender. O senhor concorda?
KANE: Por isso é que é importante focar no crescimento. Se você mede as mudanças nas conquistas dos alunos, e não apenas a performance deles no final do ano, então, essa é uma maneira de conseguir encorajar professores a prestarem atenção a todos os alunos numa sala, e não apenas nos alunos que têm resultados bons nos exames.
GLOBO: O senhor acredita que os professores tendem a treinar os alunos apenas a passar nos testes e a responder perguntas de múltipla escolha?
KANE: Isso é um perigo real. E, por isso, é importante avaliar os professores por meio de outras ferramentas que não apenas os resultados dos exames. É importante ter a observação da sala de aula e saber o que os alunos pensam dos professores. Aprendemos que se você perguntar aos alunos questões como “Quando você devolve seu dever de casa, você recebe um retorno útil do professor que vai ajudar você a melhorar?” ou “Você acha que o professor usa bem o tempo na aula?”, os alunos podem ajudar a identificar os professores com quem eles estão aprendendo mais.
GLOBO: As respostas dos alunos sobre os professores surpreenderam?
KANE: Uma das coisas que nos surpreendeu foi que o grau das respostas dos alunos parecia ser similar para o mesmo professor.
GLOBO: Pagar bônus a professores para estimulá-los a melhorar é uma boa medida?
KANE: Sabemos que existem grandes diferenças entre as melhorias apresentadas pelos alunos com diferentes professores. O importante é saber a origem dessas diferenças. Elas são causadas pelo esforço de cada professor, como se um trabalhasse mais que o outro? Ou elas são causadas pelo talento e habilidades adquiridas? Se você achar que elas se devem ao esforço, você tem que dar incentivos financeiros com base nos resultados de testes e em outros fatores. Mas se você acredita que as diferenças são causadas pelo talento e pelas habilidades, é preciso identificar de maneira mais cuidadosa quem são os professores mais eficientes, logo no início da carreira deles. No Estados Unidos, eu acredito que o problema não é o esforço. Para mim, os professores fazem o melhor trabalho que sabem fazer, mas não têm as habilidades que precisam para fazer com que os alunos aprendam. Nesse caso, os incentivos financeiros não vão fazer diferença nos resultados. Seria interessante pesquisar isso no Brasil, ou seja, saber se dar incentivos financeiros aos professores implica em uma melhora nos resultados dos alunos.
GLOBO: Os governos se preocupam o suficiente com a necessidade de avaliar os professores?
KANE: Atualmente, vários estados dos Estados Unidos estão tentando reinventar a maneira como avaliam os professores e como informam os professores sobre seus resultados. No passado, eles realmente não se preocupavam o suficiente. Para jovens professores no início de suas carreiras é especialmente importante saber como estão indo.
GLOBO: Por que é especialmente importante para professores em início de carreira?
KANE: Este é o período em que as pessoas estão formando seus hábitos, desenvolvendo uma maneira de ensinar e em que elas estão mais abertas a sugestões. Além disso, este é período em que é possível tomar decisões sobre quais professores devem ser mantidos e quais não devem ser mantidos. Nos Estados Unidos, essa decisão sobre quem é eficiente ou não pode ser tomada nos dois ou três primeiros anos da carreira dos professores.
GLOBO: Professores com resultados ruins deveriam ser demitidos?
KANE: Acho que deveríamos ter cuidado para que apenas os professores mais eficientes fossem efetivados após o período de estágio probatório.
GLOBO: Avaliar professores é algo muito caro?
KANE: Medir as melhorias de aprendizagem apresentadas pelos alunos e fazer pesquisas com estudantes não é tão dispendioso. A parte que custa mais dinheiro é ter um adulto para observar o trabalho do professor em sala de aula. Sei que o custo da mão de obra é diferente no Brasil e nos Estados Unidos. Mas, nos Estados Unidos, os órgãos governamentais que estão fazendo um bom trabalho na avaliação de professores estão gastando 2% da folha de pagamento no sistema de medição. Investir esse valor é investir em algo valioso e importante. Muitos órgãos educacionais nos Estados Unidos gastam dinheiro em atividades de treinamento que, muitas vezes, não terão tanto impacto na melhoria do aprendizado dos alunos. Fazer uma avaliação bem feita dos professores custa dinheiro, mas é uma das melhores maneiras de gastar o dinheiro.
No Rio, tutores avaliarão desempenho de professores
A prefeitura e o governo do estado do Rio planejam usar, em breve, mais uma ferramenta para avaliar seus professores, colocando profissionais para observarem como os docentes atuam dentro de sala de aula. Como também acontece em São Paulo, resultados de alunos em provas anuais e pagamento de bônus financeiros são práticas adotadas no Rio como parte da avaliação e estímulo aos professores.
Na rede estadual fluminense, o projeto de colocar profissionais especializados para observar os professores está sendo elaborado em parceria com o Banco Mundial e deve ser colocado em prática em 2013. A ideia é avaliar o uso do tempo em sala, e assim criar estratégias para otimizá-lo.
Na rede municipal, a previsão é que nos próximos meses professores tutores comecem a atuar para ajudar na avaliação de docentes que acabaram de ser selecionados por concurso. A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, reconhece que é preciso melhorar a maneira de avaliar os docentes em período de estágio probatório, ou seja, nos três primeiros anos de atuação.
— O professor tutor vai assistir às aulas do professor novo, durante o estágio probatório. Ele ajudará na avaliação.
Segundo Claudia, a prefeitura passou a se preocupar mais com a qualidade dos professores no momento em que eles entram na rede, pois para serem aprovados em concursos, os candidatos agora têm que simular uma aula para a banca avaliadora.
Tanto no Rio como em São Paulo, capitais e estados analisam a assiduidade dos professores e usam resultados de alunos em exames anuais para avaliar a eficácia dos docentes, premiados com viagens e dinheiro. A exceção é a capital paulista, que usa os resultados dos alunos para verificar como melhorar a formação dos docentes, e não paga bônus. Na rede estadual paulista, os próprios professores têm que fazer provas que avaliam o conhecimento deles.

Fonte: O Globo (RJ)

Plano Nacional de Educação

PNE: ficção ou realidade?
Essa pergunta só poderá ser respondida em 2020. O PNE 2011-2020 já começará atrasado. Está em tramitação no Congresso Nacional desde dezembro de 2010 e deverá ser aprovado no segundo semestre de 2012. O primeiro PNE (2001-2010), que estabeleceu 295 metas, pode ser considerado um fracasso. Segundo o professor Carlos Roberto Jamil Cury, um dos principais motivos para que boa parte das metas não fosse cumprida foi a falta de previsão orçamentária no próprio PNE para sustentar as ações previstas. O excesso de metas e a ausência de mecanismos de acompanhamento e avaliação permanente contribuíram para os poucos avanços da educação brasileira na primeira década do século 21.
O plano atual, ao contrário do primeiro, tem 20 metas, que cobrem todos os níveis de ensino, desde o ensino infantil até a pós-graduação, o que certamente facilitará o acompanhamento e avaliação de sua implementação. As 10 diretrizes apontam para um avanço na educação brasileira: 1. Erradicação do analfabetismo; 2. Universilização do atendimento escolar; 3. Superação das desigualdades educacionais; 4. Melhoria da qualidade de ensino; 5. Formação para o trabalho; 6. Promoção da sustentabilidade socioambiental; 7. Promoção humanística, científica e tecnológica do país; 8. Estabelecimento de meta de aplicação de recursos em educação como proporção do Produto Interno Bruto (PIB); 9. Valorização dos profissionais da educação; e 10. Difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e gestão democrática da educação.
Nas discussões da comissão especial da Câmara, a meta 20, referente ao financiamento, foi a mais polêmica. A proposta encaminhada pelo Ministério da Educação previa a ampliação progressiva do investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do PIB do país. Graças à pressão da sociedade civil, feita pelo movimento PNE pra valer, capitaneada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o patamar aprovado subiu para 10%. Esse aporte de recursos, se bem aplicado, será fundamental para uma inflexão da educação rumo à conquista da qualidade da educação para todos os brasileiros. O PL nº 8.035/2010 será agora analisado pelo Senado Federal.
A sociedade espera que não haja retrocessos e que o PNE seja aprimorado, apontando para um desenvolvimento social e econômico benéfico a todos os brasileiros. As discussões no Senado poderão transformar o PNE em um prelúdio de uma verdadeira revolução na educação brasileira, pregada repetidamente pelo senador Cristovam Buarque. Um dos princípios dessa revolução será proporcionar um ensino básico %u2014 infantil, fundamental e médio %u2014 de qualidade em todas as escolas brasileiras de nosso país continental.
O principal investimento deverá ser feito na formação de professores para o ensino básico e a valorização tão sonhada desses profissionais da educação, sem a qual não podemos vislumbrar um futuro virtuoso para o Brasil. Todas as escolas do país deverão ter condições adequadas para o acolhimento de estudantes e professores, proporcionando um ambiente apropriado para a educação. Os conteúdos e processos pedagógicos devem ser revistos, adaptando-se à realidade do século 21. A simetria do ensino, pesquisa e extensão deverá ser conquistada, valorizando-se de forma semelhante esses três pilares do ensino superior. Os cursos de pós-graduação deverão preparar recursos humanos nas várias áreas de conhecimento de acordo com o planejamento de médio e longo prazo do país.
Temos a rara oportunidade de realizar os sonhos dos Pioneiros da Educação Nova e de educadores do porte de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire. Temos a chance de recuperar uma dívida histórica de proporcionar uma educação de qualidade para todos e que certamente será o instrumento mais importante para a conquista verdadeira da justiça social no Brasil. Oxalá possamos celebrar em 2020 a conquista das metas do PNE (2011-2020) e o documento cuja análise está em seu capítulo final, não seja mais um, como muitos, que serviram para alimentar a nossa desesperança. Oxalá possamos testemunhar a tão sonhada revolução na educação brasileira que certamente, como costumava dizer Anísio Teixeira, consolidará a nossa democracia.
Isaac Roitman
Coordenador do Grupo de Trabalho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB)
(CORREIO BRAZILIENSE)

os funcionários da educação

Em destaque:
Esta semana, o Departamento de Funcionários da CNTE (DEFE) inicia a série de encontros regionais, em Rondônia (20 e 21), a fim de debater as políticas da CNTE e de seus sindicatos filiados para esse segmento específico da categoria dos trabalhadores da educação básica. Desde 1995, o DEFE tem atuado, principalmente, em torno de três eixos: a unificação da luta sindical, a profissionalização e a valorização dos Funcionários em âmbito dos sistemas públicos de ensino.
O trabalho do DEFE, na CNTE, já protagonizou muitas conquistas para os Funcionários da Educação, dentre elas, o reconhecimento dos funcionários profissionalizados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. 61, III) e a implementação dos cursos de profissionalização de nível médio, em especial o Profuncionário, que até o fim deste ano deverá contar com 40 mil matrículas nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.
A profissionalização dos Funcionários, além de primeiro passo para o reconhecimento social e a valorização profissional desses trabalhadores, constitui importante política de qualificação do trabalho pedagógico escolar e, consequentemente, é um dos fatores determinantes para a melhoria da qualidade da educação. Mas ela sozinha não basta! É preciso que os governos estaduais e municipais, além priorizar os convênios com os IFETs para ampliar a profissionalização dos Funcionários, também instituam planos de carreira com a perspectiva de qualificar e valorizar permanentemente todos os trabalhadores da educação básica.
Neste sentido, o substitutivo de Plano Nacional de Educação, aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, indica os caminhos para a valorização dos funcionários da educação, a serem seguidos pelos sistemas de ensino em regime de colaboração. As principais estratégias são: (i) a que fomenta a oferta de cursos técnicos e tecnológicos para os Funcionários (15.10); (ii) a que prevê a implantação, no prazo de um ano, da política nacional de formação continuada para os profissionais da educação de outros segmentos que não os do magistério (15.11); (iii) a que também reforça a oferta da formação continuada, inclusive de pós-graduação, para os professores e funcionários (18.4 e meta 16); (iv) a meta 18, que estabelece prazo de dois anos para a União, os estados e os municípios implementarem planos de carreira para os profissionais da educação, utilizando-se como referência o piso salarial nacional previsto no art. 206, VIII da CF, o qual deverá ser regulamentado pelo Congresso Nacional; e (v) a estratégia 18.5, que indica a realização de censo dos profissionais da educação, dois anos após o início da vigência do PNE.
Em outra frente de luta, a Câmara dos Deputados está prestes a aprovar o PL nº 2.142/11 (originário do PLC nº 235/10, da senadora Fátima Cleide), cujo objetivo é incluir os cursos de formação dos profissionais da educação em nível médio e superior entre as ações prioritárias dos IFETs. Essa iniciativa visa institucionalizar a política já praticada pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC (SETEC) e pelos Institutos Federais, na perspectiva de fortalecer a oferta pública de formação profissional para os trabalhadores da educação básica.
Nos encontros regionais e nacional, que seguirão entre 2012 e 2013, o DEFE também deverá apontar estratégias para a lotação dos funcionários nas secretarias de educação dos estados e municípios - pois em muitos casos esses trabalhadores pertencem ao quadro geral da administração pública - e para a universalização dos planos de carreira nas redes de ensino, esses últimos à luz das resoluções do Conselho Nacional de Educação e das prerrogativas constitucionais, pendentes de regulamentação, que determinam a fixação de diretrizes nacionais de carreira e a aprovação do piso salarial nacional para todos os profissionais da educação.
http://www.cnte.org.br/

sábado, 14 de julho de 2012

Falta de infraestrutura castiga os estudantes da rede pública

No Distrito Federal, a realidade ainda está muito longe da inclusão digital nas escolas públicas. Isso porque as unidades da rede não possuem estrutura adequada para fazer com que os alunos tenham acesso ao computador e à internet

O governo tem anunciado a distribuição de 600 mil tablets para professores do Ensino médio da rede pública de Ensino. Porém, na contramão do otimismo, projetos antigos ainda estão engatinhando, como o Um Computador por Aluno (UCA), que tem como objetivo ser um plano educacional utilizando tecnologia e inclusão, distribuindo computadores portáteis para Alunos e professores da educação Básica.
No Distrito Federal, a realidade ainda está muito longe da inclusão digital nas escolas públicas. Isso porque as unidades da rede não possuem estrutura adequada para fazer com que os Alunos tenham acesso ao computador e à internet. Muitas não têm laboratórios, professores específicos e equipamentos. E as que possuem algum computador sofrem com problemas como falta de manutenção.
Não há aula de informática em 64 escolas públicas do DF, como no Centro de Ensino fundamental 08 do Gama. “Não tínhamos professor, mas já foi providenciado e as aulas deverão iniciar em breve. O problema é que não temos manutenção, ninguém nos oferece esse apoio e nem temos verba para investir nisso. A inclusão digital nas escolas é bem complicada, não tem uma que esteja funcionando”, afirma o vice-diretor Wilson Tiago.
E os Alunos também reclamam, sentem falta de um espaço ideal para estudar e acessar a internet. “Tem a sala de informática aqui na escola, mas nunca a abriram, não sei nem como é lá dentro. O que acho errado, pois é fundamental para o nosso aprendizado”, reclama a estudante Betânia Ferreira.
O estudante Abner Carvalho sente falta de um apoio digital e pede a abertura do laboratório de informática para os Alunos. “Acho que aprenderíamos muito mais, pois seria uma forma de prender mais a nossa atenção, de nos interessarmos mais pela matéria. Tomara que abram logo essa sala”, clama.
No Centro Educacional 104 do Recanto das Emas, a situação não é diferente. De acordo com um funcionário que preferiu não se identificar, o laboratório da escola foi montado com a ajuda de voluntários, mas está inativo por falta de recursos. “Quando ele começar a ser usado, vai ter que ser pelos professores mesmo, pois não temos um monitor de informática. Além disso, não tem equipamento suficiente para cada Aluno. Eles terão de se revezar”, afirma.
Para as alunas Rafaela e Lúcia, o computador faria toda a diferença na hora de estudar. “Poderíamos fazer pesquisas na hora da aula e aprender melhor. Acho que a turma seria mais interessada”, comentam.

Fonte: Jornal de Brasília (DF)

Editorial: Investimento na Educação de qualidade

"Ninguém em sã consciência pode ser contra o investimento na Educação, mas é preciso olhar com muito critério a destinação e o retorno que esse dinheiro terá", afirma revista

Brasileiros voltam a discutir se vale o Estado gastar/investir mais em educação ou não. O teto, revisto para cima, para os desembolsos públicos na área alcançaria 10% do PIB anual até 2022. E nos próximos cinco anos oscilaria na faixa de 7% do Produto Interno Bruto. Hoje esse número gira em torno de 5,1% do PIB. Já foi de meros 3,9% do PIB no final dos anos 90. A questão principal é se esse aumento gradual de investimento na educação equivaleria a uma melhor qualidade do Ensino e geraria, por tabela, uma população mais bem formada.
A equação não é tão simples. De uns tempos para cá, o Ensino público, por exemplo, inverteu a mão. Apostou mais em quantidade de estudantes atendidos e deixou de lado a qualidade do aprendizado. O índice de repetência dos Alunos nesse âmbito cresceu vertiginosamente, como também a evasão escolar. Custou mais ao Estado patrocinar a retomada da educação para esses estudantes do que a despesa necessária para o aprimoramento de técnicas e didática de Ensino e para a qualificação do corpo Docente. No caso valeria a máxima de que prevenir sairia muito menos dispendioso, e mais vantajoso, do que remediar. E esse é apenas um dos aspectos que ilustram a complexidade do tema.
O desafio de transformar investimento em bom aprendizado passa necessariamente pela gestão eficiente dos recursos. O Plano Nacional de educação (PNE), que foi referendado pela Câmara e vai ainda a votação em plenário, põe em lados opostos os defensores de melhoria nas verbas e os que pregam a reorientação disciplinada dos recursos já disponibilizados. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em meio à discussão disse que um gasto de 10% do PIB com a educação “quebra o País”. O PNE propõe ações bem mais amplas que o mero reforço orçamentário.
Trata da ampliação de vagas nas Creches, equiparação salarial dos professores à de outros profissionais diplomados, erradicação do analfabetismo e adoção do Ensino integral em metade da rede de escolas públicas. Todas elas medidas fundamentais. A princípio, ninguém em sã consciência pode ser contra o investimento na educação, mas é preciso olhar com muito critério a destinação e o retorno que esse dinheiro terá, para que o plano não vire mero cabo eleitoral de políticos oportunistas loucos por verbas adicionais para desviar. 

Fonte: Revista IstoÉ

Editorial: A relativa falta de recursos na Educação

"Um Estado que gasta quase 40% de um dos oito maiores PIBs mundiais pode ter vários problemas, menos o de escassez de recursos. A questão é outra", afirma jornal
 
O Brasil tem longa história de convívio com a escassez de recursos, mas não só. Também é característica do país a má distribuição da renda disponível no poder público para custeio e investimentos, chamado pelo economistas de "alocação" deficiente. Outro aspecto sempre presente neste tema é o da qualidade desta "alocação".
Mas, ao se discutir o destino do dinheiro do contribuinte, prepondera a questão da disponibilidade. Para os menos avisados, o grande problema nacional é apenas a falta de dinheiro público. Este tipo de percepção leva a se concluir que todas as mazelas serão eliminadas se e quando o Estado contar em caixa com a cifra suficiente para tratar água e esgoto em todas as localidades, equipar todos os hospitais e postos de atendimento, e assim por diante. 
Esta "cultura da escassez" leva a que toda proposta de solução para um problema na esfera do poder público se resuma a pedidos de verbas. Não que deixem de ser necessárias em vários casos, mas a primeira e única alternativa costuma ser a revindicação de orçamentos mais generosos. 
A educação é um exemplo. Há consenso no diagnóstico da precariedade do Ensino público - a mais grave ameaça ao futuro do país -, existem pactos entre organismos da sociedade e governo em torno de metas a atingir, e, como sempre, desfralda-se a bandeira de "mais dinheiro". Existe mobilização política, neste sentido, para a aprovação final do Plano Nacional de educação com a dotação, até 2022, de 10% do PIB para o setor, o dobro dos 5,1% atuais. 
Mas aqui o consenso acaba. A dúvida é se a injeção de mais recursos na atividade funcionará como um elixir milagroso. É provável que não, a julgar por experiências de outros países, relatadas pelo GLOBO no início da semana passada. O que não significa haver uma boa distribuição dos orçamentos.
Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que estão os países industrializados, comparou o quadro educacional em dezenas de países e comprovou não haver relação direta entre mais dinheiro e melhor aprendizado. 
O Brasil aparece no estudo com uma despesa média de US$ 18 mil por Aluno na faixa dos 6 aos 15 anos de idade, um gasto quase 45% superior ao realizado pela Turquia. Porém, este país, no exame do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), está, na média, 52 pontos acima do Brasil. 
Há vários outros casos. Como os de Luxemburgo, Noruega, Suíça e Estados Unidos, onde se gasta mais de US$ 100 mil por estudantes, porém com resultados aquém dos obtidos em Coreia do Sul, Finlândia, Hong-Kong e Xangai, província da China, em que os investimentos são bem inferiores. 
O economista Gustavo Ioschpe, especializado em educação, considera que os 5,1% do PIB seriam suficientes para atender às necessidades brasileiras, até porque este índice é igual à média dos países da OCDE. 
Falta é melhorar a qualidade do gasto. E gastar mal é outra característica brasileira, distorção que deveria ser atacada com prioridade, antes de qualquer decisão de destinar volumosos recursos para esta ou aquela área. 
De um ponto de vista mais amplo, um Estado que gasta quase 40% de um dos oito maiores PIBs mundiais pode ter vários problemas, menos o de escassez de recursos. A questão é outra.

Fonte: O Globo (RJ)

No Rio, valorização da equipe em escolas melhora resultados

Unidades bem avaliadas que atendem crianças pobres têm baixa rotatividade de professores

A baixa rotatividade no quadro dos professores, o bom relacionamento entre direção, corpo docente e alunos, reforço escolar para os que apresentam dificuldade e atenção redobrada com os que faltam são pontos em comum entre duas escolas da rede municipal do Rio que atendem crianças de baixa renda na Glória, Zona Sul da cidade, e em Bangu, na Zona Oeste. A Escola Municipal Maria Leopodina e o Ciep Professora Celia Martins Barreto têm Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) já acima da meta estabelecida pelo MEC para 2022: 6,0, patamar de países desenvolvidos.
Considerando a realidade nacional de pobreza — mais concentrada no Norte e Nordeste —, as duas escolas não chegam a atender alunos que se encontram no nível extremo de carência do país. Mas, mesmo assim, se destacam em levantamento feito a pedido do GLOBO pelo economista Ernesto Martins Faria, da Fundação Lemann, por terem bons resultados mesmo atendendo alunos pobres, considerando a realidade do Rio.
O prédio de seis andares que abriga a escola Maria Leopoldina não tem a arquitetura típica dos colégios municipais. Nem tampouco o interior da unidade, que atende 335 alunos da educação infantil ao sexto ano do ensino fundamental, em sua maioria — 90% — moradores da comunidade Santo Amaro, famosa por conta da cracolândia e atualmente ocupada pela Força Nacional de Segurança, parece com as escolas públicas do Brasil.
As paredes são decoradas com mural interativo — que muda todo mês e dá a chance da criança aprender brincando —, origami e frases que remetem ao projeto pedagógico, que este ano foca na máxima “gentileza gera gentileza” e em “um mundo sustentável”. O refeitório tem lugar para todos e as salas de aula estão decoradas com livros e material pedagógico. O Ideb, em 2009, foi de 6,3.
A diretora Sandra Cavalcanti, de 43 anos, e há 12 à frente da escola, diz que o bom resultado se dá por conta da equipe:
— A maioria dos professores está na escola há, pelo menos, 20 anos. Conhecem os alunos e os pais pelo nome, frequentam a comunidade e sabem a realidade das crianças — diz Sandra, que elogia a integração dos funcionários: — Do porteiro à merendeira, todos são comprometidos e conseguiram criar uma identidade acolhedora para a escola, onde a criança é feliz e tem a autoestima resgatada. Trabalhamos com uma comunidade que precisa ser valorizada.
O projeto pedagógico envolve todas as turmas. Cada sala tem uma palavra que remete ao tema “gentileza gera gentileza”, como amizade, amor, bondade e solidariedade. Por conta da Rio+20, a escola promove ainda atividades ligadas ao mundo sustentável, e algumas turmas têm aulas interdisciplinares: no 6 ano, a aula de música — com direito a professor específico e violão — trabalha “O Sal na Terra”, que é esmiuçada na aula de Ciências.
— Em outubro, eles vão trabalhar “Imagine” do John Lennon e a atividade vai envolver música, teatro e aula de inglês. Depois, faremos uma apresentação para os pais, que este ano já vieram ver uma exposição sobre como construir um ambiente mais solidário — diz Sandra.
‘Intenção é fazer diferença na vida das crianças’
Yago Madeira Souza, de 10 anos, está no 4 ano do ensino fundamental do Ciep Professora Celia Martins Barreto, em Bangu. Filho de uma empregada doméstica, o menino sonha alto: quer ser cientista. E já tem uma preocupação:— Quando eu for para o 6 ano, preciso de uma escola tão boa quanto essa. Tem que estudar muito para ser cientista, né?
O Ciep, que atende 330 alunos do ensino infantil ao 5 ano do ensino fundamental, a maioria moradores da Favela 48, do Sossego e do Morro do Sandá, oferece turno único, das 7h30m às 15h para o fundamental. A educação infantil é das 7h30m às 16h30m. Na sala de leitura, com professora específica, é possível ouvir histórias, desenvolver o gosto pela leitura e pegar livros emprestados. O Ideb, em 2009, foi 6,1.
— A maioria dos nossos alunos é criada por mães e avós. Muitas são domésticas ou trabalham em firmas de limpeza e não tiveram muito estudo. Sabendo dessa realidade, criamos uma relação afetiva com as crianças e com os pais. Aqui, elas não são um número — diz a diretora Christine Saisse, que lembra que o mundo delas é “restrito”:
— Muitas não conhecem nem o calçadão de Bangu. São crianças que nem sabem que podem sonhar, que não têm diálogo em casa. Então, a gente procura fazer com que acreditem que têm potencial. A ideia é que saibam que têm as mesmas condições de aprender de qualquer um. Mas para isso é preciso persistência.
Para dar conta do projeto, Christine conta com um quadro completo de professores, que têm horário específico para o planejamento das aulas:
— Eles ficam para trocar ideias e planejar as aulas. E se percebo que um não está integrado, converso, tento valorizar. A intenção é fazer diferença na vida das crianças.
Reforço escolar é importante trunfo para resolver dificuldades
As duas escolas do Rio com Ideb no patamar dos colégios de países desenvolvidos apostam no reforço escolar para driblar as dificuldades dos estudantes. Na Escola Municipal Maria Leopoldina, os alunos a partir da metade do 1 ano até o 6 do fundamental têm aulas de reforço de duas a três vezes por semana.
— A estrutura é montada para que elas cheguem ao 1 ano e deslanchem. Mas se apresentam dificuldade, professores e estagiários dão aulas de reforço. Além disso, a gente também fica de olho em quem falta muito — conta a diretora Sandra Cavalcanti.
No Ciep Professora Celia Martins Barreto, os estudantes do fundamental têm aulas de reforço até as 16h30m, mas a diretora Christine Saisse diz que a preocupação maior é com as crianças do 3 ano:
— Muitas vêm de outras escolas e chegam sem saber ler. Então, oferecemos o reforço, mas também chamamos os pais para que eles se comprometam a não deixar que faltem ou cheguem atrasados. O mesmo é feito com os responsáveis das crianças que estão em outras séries. Se a criança tem conceito I ou R, ela recebe atenção direcionada e os pais são avisados, até sedex a gente já mandou para casa de aluno — diz Christine, lembrando que a família é orientada se o problema for além da questão pedagógica:
— Pedimos que leve a criança ao posto de saúde, verificamos se ela enfrenta problemas em casa, se a hostilidade está emperrando seu crescimento. Agora, a gente não desiste e trabalha para que nossos alunos cresçam, tenham bons empregos e sonhos grandes.

Fonte: O Globo (RJ)

Projeto torna obrigatório teste ortopédico para alunos do Ensino Fundamental

Segundo a proposta, os testes serão realizados no início e no fim de cada ano letivo até o último ano do Ensino Fundamental
 
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3968/12, do deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC), que torna obrigatória a realização do Teste de Avaliação Ortopédica da Coluna, também chamado Teste do Minuto, nos alunos da rede pública e privada de ensino.
A avaliação é realizada por meio da observação de movimentos da pessoa e pode identificar problemas de má postura.
Conforme o caso, o projeto prevê uma série de ações de tratamento. Seja por meio de orientação ou exercícios que serão prescritos ou, em casos mais graves, do encaminhamento do aluno para tratamento especializado. Se for necessário o uso de medicamentos, eles deverão ser fornecidos gratuitamente.
Segundo a proposta, os testes serão realizados no início e no fim de cada ano letivo até o último ano do ensino fundamental.
O programa será coordenado pelo Ministério da Saúde e financiado com recursos do Orçamento da União, diz o texto. A lei deverá ser regulamentada em 120 dias, por meio de decreto presidencial.
O deputado cita dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontando que 85% das pessoas têm, tiveram ou vão ter um dia dores nas costas provocadas por problemas de coluna. “Adolescentes, com faixa etária de 11 a 16 anos, são os mais prejudicados, pois geralmente ficam muito tempo à frente de computadores ou em salas de aulas e não têm atenção na forma de sentar”, diz.
“O Teste do Minuto pode detectar problemas de má postura e, desta forma, evitar futuros danos à saúde. A má postura pode comprimir órgãos dificultando a respiração, o funcionamento digestivo e a circulação sanguínea, além de causar dores e ocasionar baixa qualidade de vida”, acrescenta Tebaldi.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 

Fonte: Agência Câmara

Opinião: PNE: a luta por uma educação digna

"É inquestionável que a Educação brasileira necessita sofrer mudanças para garantir aos trabalhadores e seus filhos um ensino de qualidade que proporcione o crescimento profissional", afirma Joana Almeida

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Ceará comemora a aprovação do Plano Nacional de educação (PNE) na Câmara Federal. O plano amplia os recursos destinados à educação dos atuais 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País para 7%. A meta é atingir 10% até o fim da vigência do PNE, que será de 10 anos após a sanção presidencial.
O movimento sindical considera o PNE uma conquista, resultado da mobilização da CUT, das entidades filiadas e parceiras durante o processo de tramitação do projeto no Congresso Nacional. A posição firme dos movimentos sociais impediu a aceitação da proposta apresentada pelo governo, que previa o repasse de 8% para a educação ao longo de uma década. O percentual foi considerado insuficiente para concretizar as 10 diretrizes e as 20 metas para o desenvolvimento do Sistema Educacional Brasileiro definidas no PNE. Dentre os objetivos do Plano, estão a erradicação do analfabetismo e a oferta de Ensino em tempo integral em escolas públicas.
É inquestionável que a educação brasileira necessita sofrer mudanças para garantir aos trabalhadores e seus filhos um Ensino de qualidade que proporcione o crescimento profissional. Através da educação, o indivíduo conquista o poder de transformar a realidade social e construir a consciência política para lutar pelos seus direitos. Assim, a aprovação do Plano é um pequeno passo diante da dívida histórica com a população, já que o acesso à educação pública e de qualidade tem sido negligenciado.
Precisamos continuar lutando pela efetiva valorização dos professores e da carreira que sofrem com o desrespeito à Lei do Piso Salarial nos municípios. Acreditamos que a qualidade do Ensino está atrelada à dignidade do Educador.
Enquanto entidade representativa dos trabalhadores e trabalhadoras, defendemos as condições dignas de trabalho e a remuneração justa. Permaneceremos em constante vigilância e na defesa dos direitos trabalhistas, essenciais para qualidade de vida do cidadão. 

Fonte: O Povo (CE)
*Joana Almeida. Presidente da Central Única dos Trabalhadores no Ceará.

Opinião: Educação em casa ou na escola?

"O fracasso escolar da Educação Básica brasileira até que justifica amplamente essa tomada de decisão, a qual caracteriza casos de absoluta exceção e não chegam a comprometer a regra, que é a da matrícula da prole no ensino formal", afirma Paulo de Souza

No Brasil, a preocupação do poder público com as regras do politicamente correto chega a tais minúcias que as regulamentações dos comportamentos individuais e sociais se sucedem com velocidade incalculável. Regula-se tudo por aqui e chego a desconfiar que disso a população em nada se beneficia, eis que o excesso de proteção do Estado acaba não raro em detrimento dos protegidos.
A propósito de melhorar a vida das pessoas, o que se faz de fato é continuamente invadir sua privacidade e obrigá-las a submeter-se a procedimentos nem sempre condizentes com a sua liberdade de escolher e de agir. Corre-se o risco de, em breve, alguém inventar uma lei ou um decreto que proíba e puna os que escolherem o suicídio como forma de morrer! Não que ao poder público não caiba competência para combater excessos prejudiciais ao direito de terceiros, mas isso não significa invadir em demasia os limites de cada um. Dentro desses, a liberdade deve ser respeitada, não cabendo ao Estado nela intervir, como se toda a população fosse composta de imaturos e irresponsáveis.
Essas observações me assaltam a propósito da leitura de uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo (“Sem educação formal, irmãos ganham prêmio”, 27/5/2012), em que se informa o bom resultado de uma educação caseira ministrada pelos pais aos três filhos, na cidade mineira de Vargem Alegre. Impressionam-me alguns comentários de Educadores e autoridades, segundo os quais o processo educativo nacional, tal como está regulamentado na Lei de Diretrizes e Bases da educação (LDB) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), proíbe os pais de educarem os filhos em casa, em vez de enviá-los para a escola. 
Tenho mais de meio século de intimidade com a legislação do Ensino neste país e não estou convencido de que cometem crime os pais que educam crianças e jovens no seio da família, em substituição às escolas. As duas leis citadas pelos entrevistados tratam de casos de omissão dos pais e, principalmente, dos governos, que têm o dever de assegurar educação a todas as crianças e jovens, na rede escolar. Tanto que essa matéria é abordada no capítulo da LDB que cuida de um direito público subjetivo, isto é, o direito da criança de ter sempre matrícula garantida na idade escolar apropriada (artigo 5º). Tanto que os parágrafos desse artigo estipulam as formas de o poder público desempenhar com sucesso essa sua competência. 
O próprio artigo 6º, que diz ser dever dos pais efetuar a matrícula dos menores na escola, visa mais a obrigar os omissos (geralmente chefes de famílias das camadas mais excluídas da sociedade) a fazê-lo, não implicando necessariamente em crime para os que (talvez até mesmo por excesso de consciência de sua responsabilidade em relação à boa formação dos filhos) prefiram educá-los em casa. E o fracasso escolar da educação básica brasileira nos últimos tempos até que justifica amplamente essa tomada de decisão, a qual, aliás, diga-se de passagem, caracteriza casos de absoluta exceção e não chegam a comprometer a regra, que é a da matrícula da prole no Ensino formal.
O ECA, por sua vez, o que visa é à defesa da criança e do jovem quanto ao exercício de seu direito à educação, o que, por sinal, não ocorre com aqueles, cujos pais optam por educá-los no recesso do lar. São casos incomuns de educação esses patrocinados pelos pais, e que poderiam, no meu modo de ver, ser praticados livremente e sem crime, eis que as situações que a regra da lei quer prevenir referem-se sempre aos perigos de negação de cumprimento do dever de educar. Ao contrário, no lugar da escola está-se optando por outra educação, quiçá até mais qualificada do que essa que o Ensino brasileiro está a oferecer, no momento, a todas as crianças e jovens.
A mesma reportagem publicada com tanto destaque pelo jornal paulista refere-se também a um possível projeto de lei de um deputado federal, que pretende regulamentar a matéria da educação básica domiciliar. Uma discutível iniciativa, acho eu. Primeiro, porque se trata de casos excepcionais e, depois porque a própria LDB (artigo 30, §2º) prevê exames destinados a aferir e reconhecer “conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais”, o que nos induz a entender não haver crime em ser alguém educado fora do Ensino formal.
Quiçá valesse a pena prever uma emenda a esse dispositivo, diminuindo a idade limite, para que jovens com menos de 15 e 18 anos possam formar-se respectivamente nos conhecimentos correspondentes aos Ensinos fundamental. De qualquer forma, o tema, dada a atualidade, mereceria inspirar seminários de aprofundamento a serem levados a cabo por universidades, faculdades e conselhos de educação.

Fonte: Correio Braziliense (DF)
*Paulo Nathanael Pereira de Souza. Presidente da Academia Paulista de Educação.

Editorial: Recursos para a Educação

"Trata-se, como defende há anos o movimento Todos Pela Educação, de propugnar por um investimento ampliado e bem gerido em Educação", afirma jornal

Estabelecer a relação entre gasto público em educação e Produto Interno Bruto (PIB) é uma forma de medir a importância relativa do sistema educacional de um país face a todas as áreas que demandam recursos oficiais. Gasto público, nesse caso, inclui não apenas custeio (infraestrutura, manutenção e melhorias, serviços, transporte escolar, alimentação) como também pessoal (salários), pesquisa (bolsas, viagens, eventos) e extensão (iniciativas voltadas à sociedade fora da escola ou universidade). Nem todo investimento em educação deriva dos cofres públicos: é o caso, por exemplo, do material escolar comprado pelos pais para seus filhos. Esses e outros itens, porém, constituem uma parcela desprezível se comparada ao valor aportado pelo Estado. Uma vez que o PIB é a soma das riquezas produzidas por uma economia nacional em um ano, o indicador gasto em educação/PIB revela se existe ou não, num determinado país, uma política de financiamento sustentado da instrução.
Os Estados membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 34 países de todos os continentes, são líderes em gastos com educação medidos com base no PIB: investem em média 4,6%. Esse percentual varia de 6% a 7% na Dinamarca, Chipre, Islândia e Noruega a menos de 3% no Japão, Eslováquia e em Luxemburgo. Na América Latina, o país que investe o mais alto percentual do PIB em educação é Cuba: 13,6%, em números de 2009. Entre os países que investem mais de 6%, estão Costa Rica (6,3%) e São Vicente e Granadinas (6,2%), também com base em dados de 2009. No Brasil, atualmente, são investidos em educação 5,1% do PIB.
Parece realista, assim, a meta de investir 10% do PIB em educação até 2022, incluída pela Câmara dos Deputados no Plano Nacional de educação (PNE), a ser submetido a plenário nas próximas semanas. Só que a elevação tem que ser gradativa, para que o Estado brasileiro, que já tem dificuldade para manter equilíbrio nas contas públicas, não sofra um impacto insuportável, como vem alertando o ministro Guido Mantega. Precisamos de planejamento e não de voluntarismos. O Brasil sofre de um déficit significativo em termos de educação e não poderá fazer frente aos desafios do desenvolvimento sem garantir instrução formal a um número crescente de cidadãos. Nesse sentido, três erros devem ser evitados. O primeiro é o de imaginar que apenas a alocação de recursos é capaz de impulsionar para cima a curva da educação. Estudos recentes demonstram que nem sempre os países que mais gastam são os que se saem melhor em itens como medição de conhecimento, evasão escolar e outros.
Trata-se, como defende há anos o Movimento Todos Pela Educação, de propugnar por um investimento ampliado e bem gerido em educação. O segundo equívoco é o de descuidar de outros aspectos importantes, como o de que todo estudante tenha aprendizado compatível com sua série e que não haja nenhuma criança de menos de oito anos fora da escola. Finalmente, deve-se ter em conta que uma remuneração justa, em nível de mercado, para os professores em todos os níveis é parte integrante de qualquer política de melhoria da qualidade do Ensino. Só atentando para todos esses aspectos será possível vencer a enorme barreira que separa o Brasil dos países do topo da lista em matéria de educação.

Fonte: Zero Hora (RS)

Deputados defendem 10% do PIB para a Educação

A meta foi aprovada pela Câmara e está em fase de análise pelo Senado

Deputados e representantes de entidades da sociedade civil pediram ontem a aprovação do investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em políticas de Educação. A meta, a ser concretizada em até 10 anos, foi aprovada pela Câmara no último mês de junho durante a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), que está sendo analisado no Senado.
“A garantia dos 10% simboliza a prioridade efetiva da Educação no País, que é o único meio de garantir a verdadeira cidadania à nossa população”, disse a deputada Fátima Bezerra (PT-RN). “Aplicar em Educação é permitir que o Brasil encontre seu espaço entre as principais economias do mundo, com sustentabilidade e igualdade social”, argumentou o deputado Newton Lima (PT-SP), presidente da Comissão de Educação e Cultura. 
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) acrescentou: “Com os 10%, teremos novos horizontes. Um País que quer ser soberano, independente, precisa investir em Educação, na perspectiva de futuro dos jovens, na produção de tecnologia e na remuneração dos Professores”. 
Educação Nova - As declarações foram feitas durante sessão solene em comemoração aos 80 anos do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Datado de 1932, o documento defende uma Escola gratuita, universal, laica e obrigatória, ao contrário do Ensino preponderante, elitista e ligado à Igreja. Na Nova Escola, que se opunha à chamada Escola tradicional, não haveria distinção de classes sociais entre os Alunos, que frequentariam as salas de aula desde a Educação infantil até a universidade.
“Esse é um brilhante documento, que serve de inspiração para pautar nossa atuação política na construção de uma realidade cada vez mais digna e honrosa, direcionado ao desenvolvimento e à igualdade social”, analisou o presidente da Câmara, Marco Maia, em pronunciamento lido pelo deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), que presidiu a sessão solene. 
Desafios - Entre os desafios recentes da Educação lembrados na sessão solene esteve a qualidade do Ensino. “No Ensino fundamental, cresce o número de Alunos a cada dia, mas se esquecem que a qualidade é que determina o futuro dos Alunos. O direito à vaga já foi superado em parte. Hoje, o grande desafio é o direito de aprender”, disse a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO). Segundo o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), a qualidade do Ensino garante “mais cidadania, pensamento crítico, humanidade”.
Outro desafio, segundo Alice Portugal, que também requereu a sessão, é a valorização do salário dos Professores. “Já naquela época dizia-se que Educação não é um bem da elite, mas um bem de todos. Os 80 anos dos pioneiros comemorados hoje são 80 das mesmas bandeiras”, afirmou. “Nos últimos anos, os avanços foram lentos, mas ocorreram. Ainda esperamos ter a Educação que desejamos para cada um dos brasileiros”, disse a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC).
Para Weverton Rocha (PDT-MA), as verbas aplicadas em Educação não deveriam ser consideradas gastos, mas sim investimentos. “A Educação é o único jeito de termos uma sociedade mais justa e fraterna”. Mauro Benevides disse esperar a sanção dos 10%. “Esperamos que a presidente assine essa que é a vontade da Câmara dos Deputados, que representa aqui a nossa população. A Educação é o único meio para a autonomia das pessoas e é isso que esperamos com a ampliação das verbas do setor”.

Fonte: Jornal da Câmara (DF)

Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo

Presidente afirma que País deve ser medido não pelo vaivém do indicador, mas pelo que faz por crianças e adolescentes

 
Diante das evidências de que o crescimento econômico brasileiro neste ano não deve ficar muito acima de 2%, a presidente Dilma Rousseff procurou ontem minimizar a importância do PIB (Produto Interno Bruto), ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparações internacionais.
"Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e para seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo e da sociedade de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes", afirmou, na 9ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente.
O Grupo Folha não autoriza a publicação na íntegra do conteúdo produzido pelo jornal Folha de S.Paulo 

Fonte: Folha de S.Paulo (SP)

Educação com reforço de peso

Dilma anuncia ampliação de 33 mil para 60 mil escolas em tempo integral até 2014
 
Diante de um público formado por crianças e adolescentes, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo ampliará o número de Escolas em tempo integral no País – dos Ensinos Fundamental e Médio – de 33 mil para 60 mil, até o fim de 2014. “Nenhum país desenvolvido tem Escolas de período único”, declarou, ao discursar na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que vai até sábado. Dilma destacou que a ampliação do turno Escolar garante reforço nas disciplinas em que os estudantes têm mais dificuldades, além de dar acesso a atividades culturais e esportivas. “Vamos disputar a economia moderna, a economia do conhecimento, que agrega valor. Esse país vai ser desenvolvido quando as crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade”, disse.

Parceria com Unicef
Durante a conferência foi firmada parceria entre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Ministério da Integração Nacional e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para ajudar na capacitação de profissionais que atendem crianças em situações de risco ou catástrofes naturais no País. “Nas emergências, meninas e meninos encontram-se mais expostos às situações que podem afetar permanentemente seu desenvolvimento físico e psicológico. É importante que tenham prioridade ab soluta”, explicou o representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl. Ele destacou que o Unicef capacitará profissionais que atuam na área de Defesa Civil. “Vamos capacitar também atores da sociedade civil, que têm um papel importante na resposta às urgências, aproveitando a experiência do Unicef.” As ações serão implementadas em regime de colaboração entra a União, os estados, o DF e os municípios.

Fonte: Jornal de Brasília (DF)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Estudo americano mede a eficiência do professor em sala de aula

"A prática escola precisa ser analisada", afirma Thomas Kane, professor de Harvard e um dos coordenadores da pesquisa

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos está medindo a eficiência dos professores em sala de aula e procurando maneiras de melhor avaliá-los. O projeto “Measures of Effective Teaching” (Medidas de Ensino Eficaz, em tradução livre), da Fundação Bill & Melinda Gates, acompanha 3.000 professores voluntários de escolas públicas norte-americanas desde 2009, no maior estudo de observação de práticas de ensino já feito no país.
Thomas Kane, diretor do Centro de Pesquisas em Políticas Educacionais de Harvard e um dos coordenadores da pesquisa, esteve na última terça-feira em São Paulo para debater resultados preliminares com educadores brasileiros. “Nenhum tempo é gasto vendo como os professores se saem na sala de aula, a eficácia deles. Não se analisa a prática escolar, que é tão importante”, disse Kane, durante seminário realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, em parceria com as fundações Brava e Lemann.
Para identificar boas práticas em sala de aula que contribuem para o aprendizado dos estudantes, os pesquisadores filmaram 1.333 professores de diferentes estados dos EUA em aulas do 4º ao 8º ano. Também foram realizadas pesquisas com os estudantes nas quais eles avaliaram os professores.
Kane diz que é mais eficaz atuar no recrutamento e no período de experiência do professor para garantir profissionais mais eficazes. “Se concentrar no período de experiência do professor é o que vai traduzir mais resultados em menos tempo. É a política que teria maior impacto pelo menor custo. Professores precisam de feedback”, afirmou. Nos EUA, 15% dos docentes das escolas públicas estão no estágio inicial da carreira.
No Brasil, a avaliação do chamado período probatório dos professores é “meramente burocrática”, segundo a ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo Maria Helena Guimarães. “A Secretaria de Planejamento tem critérios universais para todos os funcionários públicos. Deveríamos mudar a legislação para ser focada no perfil de atuação do profissional”, disse.
Claudia Costin, secretária municipal de educação do Rio de Janeiro, afirma que um cargo recém-criado por sua gestão, o de professor-tutor, irá ajudar jovens professores em sala de aula e participar do conselho que avalia o professor em seu estágio probatório. “Após passar pela fase de formação do concurso, o professor será acompanhado pelo tutor, que vai entrar em sala de aula com ele, dar retorno. A grande questão é pegar este o profissional, no qual investimos tanto, e transformá-lo em um bom professor.”
O especialista em avaliação educacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Francisco Soares, avalia que embora as realidades sejam muito diferentes, é possível aprender com a experiência dos EUA. “Nos cabe agora verificar como as soluções dadas para os problemas de lá nos iluminam aqui. O investimento no professor funciona em uma rede que tenha currículo, em uma escola que tenha rotina, que tenha infraestrutura mínima e pedagogia adequada àquelas crianças.”

Fonte: iG
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Pesquisadora propõe transformação que garante melhora em escolas

Roseli Rodrigues de Mello trouxe da Espanha para o Brasil o conceito de "Comunidades de Aprendizagem", uma proposta que tem o objetivo de garantir a máxima aprendizagem, a convivência plena na diversidade e a participação da comunidade

Uma pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) trouxe da Espanha para o Brasil, há 10 anos, o conceito de "Comunidades de Aprendizagem", uma proposta de transformação das escolas que tem o objetivo de garantir a máxima aprendizagem, a convivência plena na diversidade e a participação da comunidade em todos os processos e decisões.
Desde então, a professora Roseli Rodrigues de Mello, do Departamento de Metodologia de Ensino do Centro de Educação e Ciências Humanas da UFSCar, dedicou-se a trabalhar na adaptação da proposta à realidade brasileira - esforço que resultou na transformação de quatro escolas de São Carlos (SP) em comunidades de aprendizagem .
As bases conceituais da proposta - assim como a experiência de adaptação ao Brasil e a implantação do programa na cidade do interior paulista - estão detalhadas no livro "Comunidades de Aprendizagem: outra escola é possível" .
Mello escreveu a obra em coautoria com Fabiana Marini Braga e Vanessa Gabassa, duas de suas orientandas que tiveram participação no processo. O trabalho de Mello com a proposta de comunidades de aprendizagem começou em 2001, quando realizou pós-doutorado no Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas Superadoras de Desigualdades (CREA), da Universidade de Barcelona, na Espanha.
"Fui a Barcelona para estudar esse programa que aproxima a escola das famílias dos estudantes e da comunidade, abrindo-se para uma gestão compartilhada e dialogada com o entorno, a fim de efetivar a aprendizagem de conteúdos de alta qualidade para todos os estudantes da rede pública. A proposta une o conceito de aprendizagem dialógica à noção de diversidade cultural como riqueza humana", disse Mello.
De volta ao Brasil em 2002, a professora difundiu a proposta junto à Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, que encampou a ideia. A partir daí, teve início o processo de implantação da transformação em escolas do município.
"Comecei a orientar mestrados e doutorados com projetos voltados para investigar a capacidade de adaptação da proposta. Era preciso saber se seria possível implantar as comunidades de aprendizagem em um formato idêntico ao modelo espanhol, ou se havia especificidades locais que precisavam ser consideradas", declarou Mello.
Braga, que foi orientada por Mello no mestrado e doutorado, fez uma leitura comparativa do contexto da legislação na Espanha e no Brasil. "A comparação teve o objetivo de identificar se a legislação brasileira favoreceria ou atrapalharia a transformação das escolas", contou Mello.
A partir de então, entre 2007 e 2009, Mello coordenou o projeto "Comunidades de Aprendizagem: aposta na qualidade de aprendizagem, na igualdade de diferenças e na democratização da gestão da escola", financiado pela Fapesp por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público. Gabassa, nesse momento, terminava seu mestrado sobre comunidades de aprendizagem e iniciava seu doutorado sobre o impacto da aprendizagem na sala de aula.
A obra, segundo Mello, é fruto de 10 anos de pesquisas. "O livro conta toda essa trajetória e descreve o que desenvolvemos na pesquisa e no trabalho de implantação dessas Comunidades de Aprendizagem no Brasil", disse.
Atualmente, em São Carlos três escolas municipais de ensino fundamental e uma escola estadual de ensino médio funcionam como Comunidades de Aprendizagem, segundo Mello. "O programa de Comunidades de Aprendizagem prevê a transformação das escolas para garantir dois objetivos fundamentais. O primeiro é a aprendizagem dos conteúdos escolares com a máxima qualidade para todos os estudantes da escola. O segundo é efetivar na escola o que chamamos de convivência respeitosa entre as muitas culturas e formas de ser dos alunos, professores e comunidade", explicou.
A fim de garantir a aprendizagem máxima para todos os alunos - que historicamente não ocorre nas escolas brasileiras - o programa prevê trazer a comunidade para dentro da escola e nunca afastar o aluno da sala de aula. "Chamamos o pessoal da comunidade para participar das discussões, levantar problemas e considerar perspectivas de solução junto com o conselho da escola, intensificando sua interação com os estudantes", afirmou.
A transformação, segundo Mello, requer todo um processo de estudo com base na sociologia, na psicologia, nas teorias das organizações e nas teorias da aprendizagem, que indicam caminhos mais seguros para viabilizar a interação da escola com a comunidade do entorno. "A escola não tem esse histórico, por isso não basta estabelecer diretrizes abstratas. É preciso estabelecer uma forma consistente de encaminhar as mudanças, caso contrário a transformação poderia gerar ainda mais conflitos. Por isso nossa proposta de Comunidades de Aprendizagem foi elaborada com um grupo que conta com 120 pesquisadores de diferentes áreas", declarou.
Na Espanha, de acordo com Mello, 150 escolas já se tornaram Comunidades de Aprendizagem. "Uma pesquisa abrangente feita em 14 países da União Europeia para localizar as práticas educacionais bem-sucedidas no continente apontou as Comunidades de Aprendizagem como exemplo de convívio respeitoso e qualidade de educação", disse a professora.

Fonte: Terra
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Editorial: A nada secreta fórmula da boa Educação

"O comprometimento da comunidade escolar (direção, professores, alunos e o envolvimento direto da família) é que faz a diferença no aprendizado", afirma jornal

A série de reportagens do GLOBO com as ilhas de Ensino público de qualidade em áreas de extrema pobreza oferece argumentos irrespondíveis contra o mito de que a Educação brasileira patina em índices medíocres de avaliação por conta, principalmente, de insuficientes dotações orçamentárias. Com base neste falso pressuposto, desfraldam-se bandeiras em defesa de mais verbas para a rubrica. O movimento mais visível nesse sentido é a mobilização política que leva água para a reivindicação de se dobrar, até 2022, o percentual destinado ao sistema educacional do país, dos atuais 5,1% para 10% do PIB.
Defende-se a duplicação dos valores destinados à Educação com uma premissa enganadora - a de que, sem a alocação de mais recursos nas Escolas, não se melhora a qualidade do que ali se ensina. A realidade de estabelecimentos Escolares públicos em áreas carentes do país que, com orçamentos minguados, dão excelente formação a seus Alunos, como relatado nas série de reportagens, derruba a lenda. Os exemplos apresentados pelo jornal comprovam que não é o montante de recursos que determina a excelência da sala de aulas. O comprometimento da comunidade Escolar (direção, Professores, Alunos e o envolvimento direto da família) é que faz a diferença no aprendizado. 
Há o caso de uma Escola estadual no município de Eurinepé, a 1.200 quilômetros de Manaus, no interior do Amazonas, com Alunos (80% beneficiários do Bolsa Família) que moram em palafitas, cujo Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) pulou de melancólicos 2,7 em 2005 para 8,7 em 2009 (a média dos países desenvolvidos é 6). No Rio, duas Escolas cujo corpo discente também está na base da pirâmide social, uma na Zona Sul e outra na Zona Oeste da cidade, têm performance semelhante: alto rendimento na medição do Ideb e baixos valores no caixa. Ao todo, o país tem pelo menos 82 desses pontos de excelência educacional que desafiam a pobreza e os baixos orçamentos. 
Mas há outro viés que ajuda a desfazer a utopia da melhoria do Ensino pelo simples manejo da chave do cofre. Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube de países industrializados, mostra o Brasil com uma despesa de US$ 18 mil por Aluno entre 6 e 15 anos. Comparativamente, é investimento alto para um retorno desproporcionalmente baixo. É uma alocação, por exemplo, que supera em quase 45% a dotação orçamentária da Turquia - mas, no exame do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o país fica 52 pontos acima do nosso. Nações como Estados Unidos, Noruega e Suíça gastam mais de US$ 100 mil por Aluno, mas com resultados abaixo dos obtidos por Coreia do Sul e Finlândia, com investimentos mais modestos. 
De resto, no caso brasileiro, injetar mais recursos num sistema que gasta mal corresponde apenas a aumentar o fluxo de dinheiro pelo ralo (ou, não raro, a ampliar os buracos por onde são vazadas, para bolsos particulares, as verbas públicas destinadas à Educação). O quadro se repete em outros setores, como Saúde, também vítima de uma estrutura em que parte das deficiências se deve à maneira incorreta como eles são empregados. Uma questão de mau gerenciamento.

Fonte: O Globo (RJ)
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Opinião: Ser professor

"O professor moderno precisa buscar meios para desenvolver a assimilação de habilidades e competências linguísticas, escritas, de fala e de leitura, bem como as de ordem lógico-matemática", afirma Nilton Sehnen

Ser Professor exige compromisso, responsabilidade, encantamento e generosidade para com seus Alunos, propiciando assim um aprendizado prazeroso, onde o Professor o convida a participar do mundo dos saberes, das relações com o outro, internalizando princípios e valores para toda a vida. E, com base nesses alicerces, encaminhá-lo aos mais variados campos do conhecimento.
Ninguém ensina o que não sabe. Por isso, não basta ter vocação ou inclinação para ser Professor. Ele necessita aprimorar-se no campo da sua espiritualidade, não no sentido religioso, mas na incorporação da sabedoria humana. Aprimorar-se também no campo dos saberes e conhecimentos em geral e específicos que envolvem sua disciplina, para que suas atividades possam ser bem planejadas, com objetivos traçados, levando o Aluno a participar, sabendo de onde se está partindo e para onde se quer ir.
O que se observa nos dias de hoje é que as transformações sociais presentes na Escola são decisivas para que o Professor seja um ser reflexivo para entender que a realidade que está posta lhes impõe novos desafios que influenciam suas práticas e exigem a aquisição de novos conceitos, regras e normas, junto com múltiplas informações e avanços científicos que culminam em modernos conhecimentos.
O Professor moderno precisa buscar meios para desenvolver a assimilação de habilidades e competências linguísticas, escritas, de fala e de leitura, bem como as de ordem lógico-matemática. Temos que ter ciência de que nesse mundo complexo que se nos apresenta, levando em conta as diversidades culturais, tanto no campo social, cultural, tecnológico e científico, o Aluno também participa e, muitas vezes, com velocidades e compreensões diferentes das do Professor. Nesse sentido, se faz necessário um constante diálogo, para que ambos, Professor e Aluno, visualizem, cada qual com sua contribuição, um competente entendimento. Assim, o Professor estará se tornando um Professor inesquecível.

Fonte: Jornal de Santa Catarina (SC)
*Nilton Sehnen. Professor.
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Escolaridade responde por 70% da diferença de salário

Professora ganha, na rede municipal, o triplo do que paga a rede privada


No Brasil, pesquisas apontam que o grau de Escolaridade responde por aproximadamente 70% do diferencial total de salários. Professor do Ibre da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rodrigo Leandro de Moura é autor de um estudo sobre o quanto a Escolaridade influencia nos salários dos setores público e privado.
Segundo ele, com os dados da Pnad 2009, foi possível constatar que no setor público, o profissional que concluiu o Ensino superior tem rendimento 20,18% maior do que aquele que só fez o Ensino médio. Na iniciativa privada, o rendimento é 16,48% maior. Uma diferença de 3,7%. 
- A pesquisa engloba dados de 1992 a 2009 e o setor público, na maioria dos anos, pagou mais para quem tem Ensino superior do que o setor privado. Imagino que por conta do Distrito Federal, onde a renda per capita é melhor, onde estão os melhores salários do funcionalismo - explica Moura. 
Quando apenas o Rio é analisado, no setor privado, os trabalhadores com Ensino superior recebem 15,53% a mais do que os que concluíram só o Ensino médio. O funcionalismo público, por sua vez, tem um rendimento 13,37% maior. 
Professor de Economia da USP-Ribeirão Preto, Walter Belluzzo é um dos autores de um estudo que separou o ganho dos servidores públicos por esfera de governo. Constatou que as pessoas com mais Escolaridade ganham mais se estiverem empregadas na iniciativa privada do que nos governos estaduais e municipais. No entanto, no governo federal, não importa o grau de Escolaridade: o trabalhador vai ser melhor remunerado no setor público. 
- No geral, o setor público sempre paga a mais, mas também tem algumas distorções. Por exemplo, um Professor doutor ganha, em média, R$ 7,5 mil numa universidade pública. Um técnico começa na mesma instituição ganhando R$ 5,5 mil. Com o passar dos anos, ele pode vir a ganhar mais do que o Professor, ainda que o Professor receba mais na instituição pública do que na privada - diz Belluzzo. 
Há 20 anos dando aulas, a pernambucana Maria do Carmo Freire de Alencar leciona em uma Escola municipal e em outra particular, em Jaboatão dos Guararapes. Seu contracheque marca R$2,6 mil na pública e R$900 na privada, valores que comprovam o que o Censo 2010 aponta: mesmo Professores ganham mais no setor público. 
- Hoje quem ensina em Escola do governo conta com piso de R$1.451, enquanto na particular é de apenas R$630, um pouquinho mais que o salário mínimo - diz Maria do Carmo, lembrando que o piso do governo implica em 180 horas/ aula por mês, enquanto na particular essa obrigação é de 105 horas/mês: - Na prática, como na particular não temos hora reservada para planejamento, preparação de provas e correção , não trabalhamos só 105 horas/mês e não recebemos por isso. 
Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernando Matos reconhece que o setor privado paga mal no Brasil: 
- É um setor grande, heterogêneo, que, em 2005, englobava 89% da população empregada. Esses funcionários, por conta da alta rotatividade não têm muito poder de barganha. Agora, o setor público não paga melhor porque tem menos gente. A média salarial é maior porque inclui desde as pessoas menos Escolarizadas até aquelas que trabalham, por exemplo, no Judiciário, na PF e nas embaixadas.

Fonte: O Globo (RJ)
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